A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o CADE, liberou sem impor nenhuma condição a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance no Brasil. A decisão saiu na última quarta-feira (8) e foi publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte. Pelos termos do acordo, a Paramount desembolsa US$ 31 por ação em dinheiro, o que avalia a Warner em US$ 81 bilhões de valor patrimonial e US$ 110 bilhões considerando o valor total da empresa.
No entanto, vale destacar que o parecer da superintendência ainda não encerra o processo como um todo, porque qualquer conselheiro pode levar o caso ao tribunal administrativo do órgão, e terceiros têm a possibilidade de recorrer. Vencidos quinze dias sem que nada disso aconteça, a operação passa a ser considerada aprovada em definitivo, o que colocaria a data de 22 de julho como marco no Brasil.
Segundo as próprias empresas, a união soma ativos que se complementam.

No streaming, elas argumentam que juntar os catálogos de Paramount+ e HBO Max daria fôlego para enfrentar grupos maiores, caso de Netflix, Disney e Amazon. No cinema, sustentam que as estruturas criativas de cada lado seriam preservadas, com mais dinheiro disponível para produção. Na televisão, apontam ganhos de eficiência e um pacote mais interessante para operadoras e anunciantes.
O trecho mais delicado da análise envolveu a distribuição de filmes para as salas brasileiras. A fatia conjunta das duas companhias supera 30% do mercado há anos, número que obrigou o CADE a investigar se a nova empresa teria poder para ditar regras. A conclusão foi negativa. O órgão levou em conta a presença da Disney, Sony e Paris Filmes, o trabalho das distribuidoras independentes, a oscilação constante das participações de mercado, a imprevisibilidade das bilheterias e o fato de que cada filme é negociado separadamente. Para o superintendente-geral interino, Felipe Roquete, esse conjunto de fatores torna improvável qualquer abuso decorrente da sobreposição (via UOL).

Outro ponto examinado foi a atuação da Paramount na exibição, por meio da holding que administra cinemas no Brasil, na Argentina, no Reino Unido e nos Estados Unidos sob bandeiras como Showcase, Multiplex e UCI. A avaliação foi de que a rede ocupa posição limitada dentro de um parque exibidor pulverizado, com salas alternativas suficientes para as distribuidoras concorrentes.
Duas entidades do setor tentaram entrar no processo. A Feneec (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas) e a Abraplex (Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex) sustentaram que o conglomerado resultante ganharia força excessiva nas negociações, poderia empacotar títulos e enfraqueceria a posição das redes de cinema.
Também levantaram receios sobre integração vertical, queda no número de lançamentos e mudanças nas janelas de exibição. O pedido foi rejeitado, sob o argumento de que a documentação apresentada não comprovava as alegações, embora o Cade tenha afirmado que as preocupações entraram na análise.
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