Masako Watanabe, uma das pioneiras do mangá voltado ao público feminino no Japão, morreu aos 97 anos. A autora faleceu em 3 de outubro, às 12h38 no horário do Japão, o que corresponde a 2 de outubro, às 23h38 no horário de Brasília. A informação foi divulgada em sua conta oficial no X/Twitter.
Nascida em Tóquio em 16 de maio de 1929, Watanabe estreou profissionalmente em 1952, com a história “Suama-chan”. Ao longo de uma carreira que atravessou mais de sete décadas, a artista trabalhou principalmente com mangás dos gêneros shōjo e josei, voltados respectivamente ao público jovem feminino e às mulheres adultas.
Entre suas obras mais conhecidas está Glass no Shiro, também conhecido como Glass Castle. A série rendeu à autora o 16º Shogakukan Manga Award, em 1971. Outro trabalho de destaque foi Hitori Matsuri, mangá lançado em 1985 que posteriormente ganhou uma adaptação para um drama televisivo live-action.
Mesmo em idade avançada, Watanabe continuou criando. Em 2020, aos 91 anos, ela lançou Himegoto, demonstrando a longevidade de sua produção e sua permanência ativa no mercado de mangás.
O reconhecimento por sua contribuição à cultura japonesa também veio de instituições do país. Em 2002, Watanabe recebeu o prêmio do Ministro da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia durante a 31ª edição do Japan Cartoonists Association Awards. Quatro anos depois, tornou-se a primeira mulher mangaká a receber a Ordem do Sol Nascente.
Watanabe também ocupava o cargo de diretora da Japan Cartoonists Association. Sua bibliografia inclui ainda Dai-San no Onna, Hakuba no Shōjo, Mimi to Nana e Saint Rosalind.
A trajetória de Masako Watanabe se destaca não apenas pela extensão, mas também pela importância histórica. Ao permanecer ativa por décadas e conquistar reconhecimento institucional em um setor por muito tempo dominado por homens, ela ajudou a consolidar o mangá shōjo e josei como campos de grande relevância artística e cultural no Japão.


