15 protagonistas de anime que se tornaram vilões durante a história

Alguns animes começam com heróis movidos por princípios e boas intenções, mas viram histórias de ruptura, onde poder, perdas e escolhas transformam o protagonista em ameaça. A linha entre certo e errado borra, criando desconforto ao ver ídolos virarem sombras.

Critical Hits
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A lista traz 15 obras com esse tipo de virada. Cada uma mostra como o herói desmorona em algo irreconhecível por razões concretas e acumuladas.

Light Yagami de Death Note

Artista imaginou como seria o Light Yagami de Death note na vida real em  uma arte impressionante - Critical Hits

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Light é apresentado como o estudante mais brilhante do Japão, entediado com um mundo que considera corrompido e injusto. Quando encontra o Caderno da Morte, enxerga nele não uma arma, mas uma responsabilidade divina: eliminar criminosos e construir um mundo limpo sob a identidade de Kira. Sua intenção inicial, por mais arrogante que seja, carrega uma lógica sedutora.

O problema é que o poder de decidir quem vive e quem morre não tem freio externo, e Light nunca criou um interno. Ele começa matando assassinos, mas logo elimina policiais que investigam Kira, jornalistas, e qualquer um que ameace seu plano. Cada morte justificada pela anterior cria uma corrente impossível de romper.

A entrada de L expõe o que Light se tornou: não um justiceiro, mas um egomaníaco que confunde grandiosidade pessoal com missão cósmica. O estudante que queria salvar o mundo passa a matar para proteger a própria imagem de deus, e essa inversão é o colapso definitivo de qualquer heroísmo inicial.

Griffith de Berserk

Artista imagina como seria Griffith de Berserk no estilo do traço de  diferentes mangás - Critical Hits

Griffith constrói o Bando do Falcão do zero, recrutando guerreiros esquecidos e transformando-os em uma família leal e coesa. Seu sonho de conquistar um reino não parece vaidade, mas uma visão legítima que inspira todos ao redor. Por muito tempo, ele representa o líder ideal: carismático, calculista, mas genuinamente protetor dos seus.

A partida de Guts abala essa estrutura toda, pois revela que Griffith era dependente emocional sem perceber. Ele toma uma decisão impulsiva que leva à captura, e passa um ano sendo torturado de formas que destroçam corpo, voz e mobilidade. Quando finalmente escapa, o homem que sobrou não tem mais nada que o segure.

No Eclipse, ele sacrifica toda a banda para renascer como Femto, um ser divino sem vínculos humanos. A crueldade não é gratuita: é a conclusão lógica de alguém que sempre priorizou o sonho acima das pessoas, e que, ao perder tudo, decidiu que as pessoas não valem nada sem o sonho.

Akira Fudo de Devilman Crybaby

Devilman Crybaby - Conheça os personagens principais do anime - Critical  Hits

Akira é o garoto mais sensível da narrativa, incapaz de ver sofrimento alheio sem reagir. Sua fusão com o demônio Amon não acontece por ambição, mas por coragem e desejo de proteger a humanidade da invasão demoníaca. Ele é um herói clássico com poderes extraordinários e coração genuíno.

O que Devilman Crybaby faz de diferente é mostrar que boas intenções não imunizam contra o caos. Conforme humanos e demônios se confundem e a sociedade entra em colapso, Akira não consegue mais distinguir quem salvar. Sua força demoníaca cresce proporcional ao desespero, e a violência que antes era cirúrgica passa a ser avassaladora.

O desfecho não é Akira escolhendo se tornar monstro, mas sendo destruído por um mundo que não tinha espaço para alguém que sentia demais. Sua corrupção é tragédia pura: não existe escolha errada que o condene, apenas circunstâncias que esmigalham quem é bom demais para sobreviver.

Slaine Troyard de Aldnoah.Zero

Slaine começa como um Terráqueo vivendo entre marcianos, desprezado por ambos os lados, cuja única ancora é a lealdade à princesa Asseylum. Ele suporta humilhações, torturas e isolamento sem quebrar, porque acredita que protegê-la justifica qualquer custo. Essa devoção o torna simpático mesmo em um universo de cinismos políticos.

O problema surge quando ele descobre que a tentativa de assassinato contra Asseylum foi orquestrada por dentro do próprio sistema marciano que ele passou a frequentar. A traição destrói a base de sua lealdade e substitui proteção por revolta. Ele não abandona Asseylum, mas passa a agir em nome dela sem consultá-la, tomando decisões cada vez mais violentas.

Ao assumir poder político e militar, Slaine se convence de que os fins justificam os meios, repetindo exatamente o padrão dos vilões que combatia. Sua queda é a de quem nunca teve estrutura moral própria fora da devoção a outra pessoa, e quando essa pessoa deixa de precisar dele, resta apenas a obsessão.

Lelouch vi Britannia de Code Geass

Code Geass - Conheça os principais personagens da obra - Critical Hits

Lelouch é um príncipe banido que vive escondido com a irmã cega Nunnally, carregando ódio legítimo contra o pai que os abandonou. Quando ganha o Geass, a habilidade de comandar qualquer pessoa com um olhar, ele não o usa para benefício pessoal imediato, mas para construir uma revolução. Há ideologia real em seu projeto inicial.

A liderança como Zero o força a tomar decisões que custam vidas, e o Geass complica tudo ao criar acidentes irreversíveis. Ele mata aliados por engano, manipula a irmã que jurava proteger, e passa a tratar seres humanos como peças de uma estratégia maior. Cada atrocidade é racionalmente justificada dentro da sua lógica, o que a torna mais perturbadora.

O que corrompe Lelouch definitivamente não é maldade, mas a crença de que apenas ele pode corrigir o mundo. Essa arrogância messiânica, somada ao poder de dobrar vontades, cria um tirano que genuinamente se vê como herói até o momento em que os resultados se tornam impossíveis de ignorar.

Yuji Sakai de Shakugan no Shana

Yuji descobre que é um Torch, uma chama humana destinada a se apagar, existindo em um mundo de Flame Hazes e Denizens que lutam por poder sobrenatural. Sua primeira reação é aceitar o papel passivo de alguém que não deveria mais existir. Ele acompanha Shana sem grandes pretensões, contente em ajudar enquanto dura.

Com o tempo, Yuji percebe que aceitar a própria insignificância não resolve nada: a guerra continua, pessoas morrem, e Shana continua em perigo. Ele começa a buscar poder e autonomia para mudar o cenário, o que o leva a alianças questionáveis com entidades que têm agendas próprias. Suas motivações ainda são puras, mas os métodos começam a fugir do controle.

A virada final o coloca contra a própria Shana em nome de um plano que ele acredita ser a única saída para o conflito eterno. Ele não se corrompe por ganância, mas por impaciência com um sistema injusto e pela certeza de que seu amor justifica qualquer sacrifício alheio.

Ganta Igarashi de Deadman Wonderland

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Ganta é um estudante normal que assiste à chacina de toda a sua turma por um ser misterioso, sendo em seguida condenado injustamente pelo crime. Na prisão espetáculo de Deadman Wonderland, ele encontra Shiro, uma garota excêntrica que representa a única leveza num ambiente de sadismo e morte. A amizade entre eles parece o único elemento humano da história.

A revelação de que Shiro é o ser que massacrou sua turma, e que o fez como grito de socorro após anos de experimentos dolorosos que o próprio Ganta, criança, inadvertidamente ativou, destrói a base emocional que ele tinha. Ele precisa processar traição, culpa e raiva simultâneos contra a única pessoa que importava. Essa pressão o empurra para brutalidade crescente.

Para sobreviver e confrontar verdades impossíveis, Ganta abraça os poderes sanguinários do Deadman, usando o sangue como arma com uma frieza que contrasta com o garoto assustado do início. Sua corrupção é a de alguém que perdeu a inocência duas vezes: primeiro com o massacre, depois com a verdade sobre quem estava ao seu lado.

Lucy de Elfen Lied

Elfen Lied - Conheça os principais personagens da obra

Lucy nasce como diclonius, uma mutante com vetores invisíveis capazes de cortar qualquer coisa, e passa a infância sendo dissecada em laboratórios como objeto científico. Sem afeto, sem nome próprio e sem direitos, ela desenvolve ódio visceral pelos humanos que a tratam como experimento. Qualquer clarão de bondade na infância foi sistematicamente destruído.

A fuga do laboratório não representa liberdade, mas a explosão de décadas de trauma acumulado. Lucy mata sem cerimônia porque nunca aprendeu outra forma de se relacionar com humanos que não fosse como ameaça ou como alvo. Sua violência não é vilania, é a linguagem que o mundo ensinou a ela.

A personalidade infantil Nyu, que emerge após uma lesão cerebral, mostra que havia algo recuperável antes de tudo. Mas a narrativa é honesta: o trauma profundo demais não se resolve com gentileza tardia, e Lucy retorna à violência não por escolha, mas porque a dor estrutural não desaparece com um lar temporário.

Ken Kaneki de Tokyo Ghoul

Tokyo Ghoul - Conheça os principais personagens - Critical Hits

Kaneki é um universitário tímido e literário que, após um acidente cirúrgico, acorda com órgãos de ghoul e a necessidade de se alimentar de carne humana. Sua luta inicial é filosófica tanto quanto física: ele se recusa a aceitar o que se tornou, buscando coexistir entre dois mundos sem abandonar nenhum. Essa teimosia humanista é o que o define no começo.

Capturado por Jason, um ghoul sádico, Kaneki é torturado durante semanas, alternando entre quase-morte e regeneração forçada. O processo não é só físico: Jason o obriga a fazer escolhas impossíveis e a confrontar que sua bondade é um luxo que o mundo dos ghouls não suporta. Algo quebra de forma permanente e calculada.

O Kaneki de cabelos brancos que emerge é um ser diferente, não mais relutante mas deliberado, que devora rivais para absorver poder e protege os seus com violência extrema. Ele não esquece quem era, mas decide que quem era não era suficiente para sobreviver, e essa decisão o coloca além de qualquer classificação simples de herói ou vilão.

Yukiteru Amano de Future Diary

Yukiteru é um hikikomori que documenta o mundo em um diário sem nunca participar dele, preferindo a observação ao contato. Quando é arrastado para o Jogo dos Deuses, onde doze participantes precisam se matar para decidir o próximo deus do tempo, ele está completamente despreparado emocional e fisicamente. Sua sobrevivência inicial depende quase inteiramente de Yuno.

A dependência de Yuno é o primeiro passo da corrupção, porque ela é uma yandere que mata sem hesitar para protegê-lo, e ele aprende a aceitar os resultados sem encarar os métodos. Gradativamente, a passividade se transforma em cumplicidade, e depois em participação ativa. Ele começa a tomar decisões que o Yukiteru do início jamais consideraria.

Nas etapas finais do jogo, ele trai aliados, manipula sentimentos alheios e mata quando necessário, tornando-se espelho deformado da Yuno que o moldou. A corrupção não veio de um único momento de fraqueza, mas de um processo lento onde cada concessão moral parecia pequena demais para importar.

Sasuke Uchiha de Naruto Shippuden

Este seria o destino de Sasuke se ele não tivesse deixado Konoha ao final  de Naruto - Critical Hits

Sasuke cresce na sombra da tragédia do clã Uchiha, com o massacre da família executado pelo próprio irmão Itachi gravado na memória. Ele canaliza toda identidade em vingança, mas ainda mantém laços reais com o Time 7, especialmente com Naruto, que representam algo além da dor. Por um tempo, esses vínculos seguram o pior.

A decisão de abandonar Konoha para seguir Orochimaru marca o ponto sem retorno, não porque buscar poder seja errado, mas porque Sasuke corta deliberadamente tudo que poderia frear seus excessos. Ele sabe que os laços o enfraquecem, e os remove com frieza cirúrgica. Sem ancoras emocionais, cada passo seguinte é mais extremo que o anterior.

Descobrir a verdade sobre Itachi, que matou o clã por ordem da vila para evitar um golpe, transforma a vingança em algo ainda mais caótico: raiva sem alvo claro, redirecionada para Konoha inteira. Sasuke não é movido por maldade abstrata, mas por dor real que nunca foi processada, o que o torna simultaneamente compreensível e imparável.

Eren Yeager de Attack on Titan

Ultima temporada de Attack on Titan está quebrando muitos clichês dos  Shounens graças ao Eren - Critical Hits

Eren começa como um menino impulsivo fascinado pelo mundo além das muralhas, cuja inocência é brutalmente interrompida quando titãs invadem e sua mãe é devorada. Sua raiva é legítima, proporcional, e funciona como motor de crescimento dentro da narrativa. Por anos, ele representa o herói padrão da história de vingança.

A revelação do mundo exterior muda tudo: Eren descobre que os eldianos são odiados globalmente, que sempre haverá alguém querendo exterminá-los, e que o ciclo de violência não tem fim natural. Essa descoberta não o paralisa, mas o leva a uma conclusão fria que anos de luta moldaram: a única saída é uma ameaça tão devastadora que ninguém ouse atacar Paradis novamente.

O Rumbling, onde Eren ativa titãs colossos para matar centenas de milhões de civis além das muralhas, é a consequência lógica de alguém que internalizou que o mundo não muda sem força irresistível. Ele sabe que será odiado para sempre e segue em frente assim mesmo, o que o coloca não como louco, mas como alguém que chegou a uma conclusão terrível por um caminho completamente rastreável.

Shinji Ikari de Neon Genesis Evangelion

Terapeuta compartilha como ele trataria o caso de doença mental de Shinji  Ikari em Neon Genesis Evangelion - Critical Hits

Shinji é convocado pelo pai ausente para pilotar o Eva-01 contra os Anjos, sem treinamento, sem explicação e sem afeto. Ele aceita porque parte dele ainda deseja a aprovação paterna que nunca chegou, e essa motivação frágil é a única razão pela qual qualquer coisa funciona. Sua heroicidade nunca foi escolha, mas fuga de um vazio interno.

Ao longo da série, cada batalha custa mais do que a anterior: ele descobre que o Eva contém a alma da mãe, que os adultos ao redor o manipulam conscientemente, e que salvar a humanidade exige apagar a própria identidade. O peso acumula sem espaço para recuperação emocional, e Shinji não tem a estrutura psicológica para suportar.

No desfecho, ele recusa agir no momento decisivo, priorizando a própria dor sobre o colapso coletivo. Não é vilania, é colapso total de alguém que nunca deveria ter carregado aquele peso. A corrupção de Shinji é a mais silenciosa da lista: não há escolha dramática, apenas um menino que quebrou sob uma responsabilidade que nunca foi justa.

Pride de Fullmetal Alchemist

Selim Bradley age durante boa parte da série como o filho adorável do Führer, interagindo com doçura e inocência com os protagonistas e com a própria mãe adotiva. Esse disfarce é executado com perfeição porque Pride, o mais antigo e poderoso dos homúnculos, entende humanos o suficiente para imitá-los com precisão cirúrgica.

Revelado como ser de sombras que devora humanos e outros homúnculos para absorver poder, Pride demonstra que nunca houve hesitação ou conflito interno: ele é lealdade pura ao Pai criador, sem os dilemas que afligem Envy ou Lust. Sua crueldade é fria porque nunca fingiu ter valores, apenas fingiu ter sentimentos.

O que torna Pride perturbador não é a violência, mas a manipulação calculada de afeto. Ele deixa a mãe adotiva acreditar que a ama porque é útil, descarta aliados sem remorso e usa a aparência de criança como escudo contra suspeitas. É a inversão perfeita do herói corrompido: nunca houve herói, apenas uma performance impecável de um monstro.

Meruem de Hunter x Hunter

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Meruem nasce como Rei das Formigas Quimera, concebido para ser a forma de vida mais superior já existente, com inteligência e força que superam qualquer humano ou animal. Seus primeiros atos são massacres calculados de qualquer um que questione sua autoridade, incluindo membros da própria espécie. Ele não é apresentado como personagem com potencial redentor, mas como ameaça absoluta.

A virada começa com Komugi, uma menina cega campeã mundial de Gungi, um jogo de estratégia. Meruem a chama para uma partida esperando vencer com facilidade e aprender algo, mas perde repetidamente. Incapaz de compreender como um ser tão “inferior” o supera, ele é forçado a encarar que existem formas de excelência humana que sua superioridade biológica não captura.

Esse contato transforma algo que não deveria ser transformável. Meruem começa a proteger Komugi instintivamente, questiona o genocídio que planejava, e no final passa seus últimos momentos jogando Gungi com ela, escolhendo companhia a poder. Sua corrupção é inversa à da lista: não é um herói que vira monstro, mas um monstro que quase vira humano, e a tragédia está em quanto pouco faltou.

Essas narrativas funcionam porque tratam a virada moral como consequência acumulada de pressões reais, não como reviravolta de roteiro. O heroísmo racha de dentro para fora, e quando o protagonista cruza o limite, raramente existe um momento único de culpa, apenas uma série de escolhas pequenas que, somadas, tornam o retorno impossível.

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Eric Arraché
Eric Arrachéhttps://criticalhits.com.br
Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.