Os três maiores fabricantes mundiais de memória RAM, Samsung, SK Hynix e Micron, foram alvo de uma ação coletiva por supostamente manipularem preços e limitarem a oferta de DRAM, elevando os custos para consumidores. A denúncia foi divulgada recentemente por meio de um relato em Law360.
O processo acusa as empresas de formarem um oligopólio que controla quase toda a produção mundial de DRAM, reduzindo a oferta de módulos DDR3 e DDR4, o que teria provocado aumentos expressivos nos preços dessas memórias para o público geral. Segundo a ação, as fabricantes estariam priorizando a produção de HBM (High Bandwidth Memory), um tipo mais caro e de maior desempenho usado principalmente em datacenters de inteligência artificial, em detrimento dos modelos convencionais orientados ao consumidor final.
Detalhes das acusações e histórico das fabricantes

A acusação afirma que as três empresas coordenaram uma redução simultânea na produção de DRAM tradicional enquanto aceleravam a migração para a fabricação de HBM. Essa estratégia teria limitado a oferta no mercado, causando uma escalada rápida e significativa nos preços: “Os oligopolistas da DRAM cortaram a produção, focaram em HBM e saíram dos DDR3 e DDR4, reduzindo e travando o fornecimento tradicional ao mesmo tempo em que os preços subiram em escala e rapidez impressionantes”, diz o processo.
Além disso, a denúncia destaca que, em um mercado competitivo, a alta de preços atrairia o aumento da oferta. No entanto, nenhuma das três empresas aumentou a produção de memórias convencionais para aproveitar essa oportunidade, o que indica conluio. O processo também aponta que levantar um novo concorrente é impraticável, pois a construção de uma fábrica de DRAM pode custar dezenas de bilhões de dólares e levar anos, além da existência de segredos industriais e barreiras como controles de exportação dos EUA que impedem tecnologias de ponta na China.
O histórico das companhias reforça a acusação: em 2005, Samsung e SK Hynix foram condenadas por conspirarem para manipular preços de DRAM, com multas de US$ 300 milhões e US$ 185 milhões, respectivamente, enquanto Micron colaborou com as autoridades para evitar penalizações. Novamente, entre 2016 e 2018, elas foram investigadas pelo governo chinês por aumentos suspeitos nos preços.
O impacto dos aumentos é visto no mercado de produtos eletrônicos: Microsoft elevou os preços dos consoles Xbox em até US$ 150, citando que custos de memória e armazenamento aumentaram mais de 2,5 vezes. Apple também reajustou os valores de seus dispositivos, Valve anunciou que o valor da Steam Machine ultrapassaria US$ 1.000, e Sony e Nintendo aumentaram os preços de seus produtos recentemente, com perspectivas de novas altas caso a situação se mantenha.

