A Anthropic desativou o acesso aos modelos Fable 5 e Mythos 5 após receber uma diretiva de controle de exportação do governo dos Estados Unidos. A ordem, segundo a empresa, impede o uso dos sistemas por qualquer cidadão estrangeiro, dentro ou fora do país, inclusive funcionários estrangeiros da própria companhia.
De acordo com o comunicado da Anthropic, a notificação chegou às 17h21 de quinta-feira, 12 de junho, no horário de Brasília, e não afetou os demais modelos da empresa. A companhia afirmou que está cumprindo a determinação legal enquanto tenta restabelecer o serviço, mas classificou a situação como um mal-entendido.
O ponto central da decisão envolve uma suposta falha de segurança ligada ao chamado jailbreak, técnica usada para burlar proteções de modelos de IA. A Anthropic disse que o governo teria tomado conhecimento de um método para contornar as barreiras do Fable 5, mas que a demonstração revisada pela empresa mostrou apenas vulnerabilidades menores, já conhecidas e detectáveis por outros modelos disponíveis publicamente, sem necessidade de qualquer burla sofisticada.
A carta enviada pelo governo, segundo a empresa, não detalhou qual seria a preocupação específica de segurança nacional. Até agora, a Anthropic afirma ter recebido apenas evidências verbais de um jailbreak estreito, descrito como um pedido para que o modelo leia um código-fonte específico e corrija falhas de software.
A empresa também disse ter analisado o relatório que acredita ter embasado a diretiva e concluiu que o nível de capacidade demonstrado já existe em outros modelos, incluindo o GPT-5.5, da OpenAI, e é usado no dia a dia por profissionais que trabalham com segurança de sistemas.
Na defesa do Fable 5, a Anthropic afirmou que o modelo passou por milhares de horas de testes de invasão com participação do governo dos EUA, do UK AISI, de organizações terceirizadas e de equipes internas antes do lançamento. Segundo a companhia, ninguém conseguiu encontrar um jailbreak universal, capaz de abrir amplamente o acesso a capacidades cibernéticas do sistema.
A empresa também destacou que a política de retenção de dados por 30 dias, exigida para modelos da classe Mythos, foi adotada justamente para ajudar na pesquisa e na mitigação de jailbreaks. Ainda assim, a Anthropic sustenta que nenhuma proteção do setor é totalmente imune a esse tipo de ataque e que a resistência perfeita simplesmente não existe hoje.
Mesmo discordando da decisão, a Anthropic disse que cumpre a diretiva, mas considera exagerado retirar do ar um modelo comercial usado por centenas de milhões de pessoas com base em um jailbreak estreito. Para a empresa, se esse critério fosse aplicado de forma ampla, praticamente todo novo lançamento de modelos de fronteira seria interrompido.
A posição da companhia é clara: o governo deveria poder barrar implantações inseguras, mas dentro de um processo transparente, técnico e baseado em fatos. Segundo a Anthropic, isso não ocorreu neste caso. A empresa afirmou ainda que pretende divulgar mais detalhes nas próximas 24 horas, o que deve ajudar a esclarecer se a suspensão foi uma medida de segurança legítima ou uma reação desproporcional a uma falha já conhecida.
