Criador de Doom afirma que hardware antigo ainda daria conta do recado se otimizassem o software de forma correta

O debate sobre o alto custo de PCs e consoles reacendeu após declarações de John Carmack, cocriador de Doom e referência na programação de jogos. A crítica surgiu após uma simulação hipotética levantada por uma pesquisadora do Google, Laurie Voss, que propôs um mundo sem a fabricação de novos processadores. A ideia chamou a atenção de Carmack, que apontou o problema real: a falta de otimização dos softwares modernos.

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O colapso imaginado pela falta de processadores

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Na hipótese criada por Laurie Voss, a humanidade pararia de produzir novos chips, sendo forçada a sobreviver com o hardware já existente. Carmack levou o experimento a sério, observando que a maioria dos sistemas digitais atuais funcionaria em processadores antigos, caso os softwares fossem mais bem programados. Segundo ele, o problema não está nos chips, mas no inchaço dos códigos e na má utilização dos recursos disponíveis.

Com a escassez, o valor dos processadores explodiria. CPUs como os Xeon se tornariam tão valiosas quanto ouro, surgiria um mercado clandestino, e a tecnologia se tornaria um privilégio. Sistemas antigos como iMac G3 e Game Boys sobreviveriam, enquanto dispositivos modernos falhariam por causa da obsolescência programada e do desgaste dos componentes.

John Carmack foi enfático ao dizer que, com softwares mais eficientes, não seria necessário trocar de máquina com tanta frequência. Ele citou como exemplo o Windows 11, que exige mais memória do que o necessário, e os jogos AAA, que demandam placas gráficas caríssimas mesmo para desempenho básico. Em sua visão, a indústria cria dependência de upgrades constantes, o que encarece toda a cadeia tecnológica.

A cultura de depender de inteligência artificial para mascarar a má performance é um sintoma dessa má gestão de recursos. Tecnologias como DLSS e geração de quadros são paliativos que escondem o descuido com a base do software. Para Carmack, é urgente que as empresas repensem sua abordagem, criando soluções mais leves e duráveis.

Um caminho possível ignorado pela maioria

O alerta de Carmack toca um ponto negligenciado há décadas. Se a eficiência fosse uma prioridade, muitos equipamentos ainda estariam em plena atividade. Isso permitiria que mais pessoas tivessem acesso à tecnologia por mais tempo, reduzindo custos e impacto ambiental. No entanto, o modelo atual incentiva o consumo acelerado e dificulta a sobrevivência de dispositivos antigos.

Enquanto a indústria seguir essa lógica, os preços continuarão subindo e a dependência por hardware mais potente só aumentará. Para romper esse ciclo, seria necessário mudar a base de desenvolvimento dos softwares, focando na longevidade e no desempenho real.

Valteci Junior
Valteci Junior
Me chamo Valteci Junior, sou Editor-chefe do Critical Hits, formado em Jogos Digitais e escrevo sobre jogos e animes desde 2020. Desde pequeno sou apaixonado por jogos, tendo uma grande paixão por Hack and slash, Souls-Like e mais recentemente comecei a amar jogos de turno e JRPG de forma geral. Acompanho anime desde criancinha e é um sonho realizado trabalhar com duas das maiores paixões da minha vida.