O debate sobre o alto custo de PCs e consoles reacendeu após declarações de John Carmack, cocriador de Doom e referência na programação de jogos. A crítica surgiu após uma simulação hipotética levantada por uma pesquisadora do Google, Laurie Voss, que propôs um mundo sem a fabricação de novos processadores. A ideia chamou a atenção de Carmack, que apontou o problema real: a falta de otimização dos softwares modernos.
O colapso imaginado pela falta de processadores
I have also run this fun thought experiment! More of the world than many might imagine could run on outdated hardware if software optimization was truly a priority, and market price signals on scarce compute would make it happen. Rebuild all the interpreted microservice based… https://t.co/lmE9oF07YQ
— John Carmack (@ID_AA_Carmack) May 13, 2025
Na hipótese criada por Laurie Voss, a humanidade pararia de produzir novos chips, sendo forçada a sobreviver com o hardware já existente. Carmack levou o experimento a sério, observando que a maioria dos sistemas digitais atuais funcionaria em processadores antigos, caso os softwares fossem mais bem programados. Segundo ele, o problema não está nos chips, mas no inchaço dos códigos e na má utilização dos recursos disponíveis.
Com a escassez, o valor dos processadores explodiria. CPUs como os Xeon se tornariam tão valiosas quanto ouro, surgiria um mercado clandestino, e a tecnologia se tornaria um privilégio. Sistemas antigos como iMac G3 e Game Boys sobreviveriam, enquanto dispositivos modernos falhariam por causa da obsolescência programada e do desgaste dos componentes.
John Carmack foi enfático ao dizer que, com softwares mais eficientes, não seria necessário trocar de máquina com tanta frequência. Ele citou como exemplo o Windows 11, que exige mais memória do que o necessário, e os jogos AAA, que demandam placas gráficas caríssimas mesmo para desempenho básico. Em sua visão, a indústria cria dependência de upgrades constantes, o que encarece toda a cadeia tecnológica.
A cultura de depender de inteligência artificial para mascarar a má performance é um sintoma dessa má gestão de recursos. Tecnologias como DLSS e geração de quadros são paliativos que escondem o descuido com a base do software. Para Carmack, é urgente que as empresas repensem sua abordagem, criando soluções mais leves e duráveis.
Um caminho possível ignorado pela maioria
O alerta de Carmack toca um ponto negligenciado há décadas. Se a eficiência fosse uma prioridade, muitos equipamentos ainda estariam em plena atividade. Isso permitiria que mais pessoas tivessem acesso à tecnologia por mais tempo, reduzindo custos e impacto ambiental. No entanto, o modelo atual incentiva o consumo acelerado e dificulta a sobrevivência de dispositivos antigos.
Enquanto a indústria seguir essa lógica, os preços continuarão subindo e a dependência por hardware mais potente só aumentará. Para romper esse ciclo, seria necessário mudar a base de desenvolvimento dos softwares, focando na longevidade e no desempenho real.

