Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties – Análise – Vale a Pena – Review

Yakuza Kiwami 3 é o remake do terceiro jogo da franquia Yakuza. Lançado originalmente para PlayStation 3 em 2009 no Japão e em 2010 para o ocidente, a versão original foi a estreia da série na sétima geração e construiu o piso que sustenta a base dos jogos contemporâneos do Ryu Ga Gotoku Studio. Mas por ter sido o primeiro a criar vários parâmetros para a saga, à medida que foram desenvolvidos mais jogos e foi se aperfeiçoando a fórmula, Yakuza 3 original ficou para trás.

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Tendo em vista que a sua remasterização na oitava geração foi, na prática, um port com melhorias de qualidade de vida simples, cabe ao Yakuza Kiwami 3 o importantíssimo papel de atualizar definitivamente este capítulo da história do icônico Kiryu Kazuma para o presente, com tudo que há de melhor na franquia em 2026. Mas será que a experiência do Yakuza Kiwami 3 vale a pena?

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Uma história pessoal com problemas de adaptação

Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties – Análise – Vale a Pena – Review

A história começa com o interesse romântico de Kiryu do jogo anterior saindo de sua vida por conta de uma oportunidade profissional. Então, ele segue os passos de seu finado pai, Shintaro Kazama, para dar sequência a sua vida. O ex-yakuza lendário foi embora da grande Kamurocho e assumiu a responsabilidade pelo Glória da Manhã, um orfanato simples em Okinawa, uma cidade praiana. 

Com a vivência diária, e algumas boas brigas, Kiryu se apegou à yakuza local de Okinawa e tudo parecia perfeito. Até o fatídico dia que os grandes amigos de Kiryu, Daigo Dojima e Shigeru Nakahara, são baleados e o principal suspeito é um homem misterioso cujo retratado falado é alguém que Kiryu viu morrer em seus braços: Shintaro Kazama.

A partir desse momento, o protagonista se dedica a descobrir a verdade sobre o sósia de Kazama enquanto tenta continuar provendo uma vida tranquila e segura para as humildes crianças do orfanato que assumiu a missão de proteger.

De modo geral, o enredo de Yakuza Kiwami 3 é fiel ao original. A maior parte das alterações no remake visam adaptar o que já existia no original e agregar valor ao desenvolvimento dos personagens e da trama. Entre os destaques, o principal exemplo é a personalidade e o tempo de tela que Kanda, um dos antagonistas, passa a ter graças aos novos eventos com ele no Kiwami 3 e a história inédita em Dark Ties, o que ajuda a construir a sua persona repugnante de forma mais consistente e sem depender da boa vontade do jogador de ficar lendo os perfis de resumo sobre cada personagem no menu. 

Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties – Análise – Vale a Pena – Review

Todavia, há alterações que foram para pior, em especial no que diz respeito às crianças do Glória da Manhã. Acontece que, em Kiwami 3, não há mais as missões das crianças aparecendo no decorrer da campanha como no original. Agora, os eventos de cuidar das crianças são facultativos e totalmente desvinculados da trama principal, com uma história própria ocorrendo à parte, o que ao meu ver foi um erro.

Kiryu escolheu ser o responsável pelas crianças e a campanha original obrigar o jogador a fazer isso comunicava que as crianças eram tão importantes para Kiryu quanto as grandes conspirações em torno do Tojo, o que simplesmente não existe no Kiwami 3, já que é totalmente possível fazer as missões de introdução e ir embora como se nada ali importasse.

Apesar disso solucionar os problemas de condução que a narrativa original tinha, penso que poderia ter sido melhor estruturado, exigindo por exemplo um mínimo de progressão para com as crianças antes de permitir que Kiryu prossiga na campanha.

O fim do “block-kuza” 

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O combate é certamente o aspecto que envelheceu pior em Yakuza 3. O jogo até ganhou o infame apelido de “block-kuza” pelo quão frequente era a defesa dos inimigos na versão original, tornando as lutas extremamente demoradas e chatas para a maioria das pessoas, principalmente porque a maior parte das técnicas de Kiryu capazes de amenizar o problema precisavam ser desbloqueadas após a metade do jogo. Kiwami 3 simplesmente consertou tudo isso e expandiu o combate em dois estilos, o tradicional Dragão de Dojima e o novo estilo de Ryukyu.

O estilo Dragão contém o moveset Kiryu de Yakuza 3 adaptado para a atual Dragon Engine, o que para mim foi uma grata surpresa porque sempre achei esse conjunto de combos melhor de jogar, mais versátil e mais interessante que o de Yakuza Kiwami 2. A principal diferença acaba sendo a quantidade de ataques de cólera que é muito menor, o que falaremos sobre em breve, mas em termos de luta no geral é a experiência original modernizada e completamente capaz de passar por defesas que, reiterando, agora tem uma frequência normal e bem balanceada.

O estilo Ryukyu é completamente novo e até que bem criativo, sendo baseado em combos com diversas armas diferentes como Tonfa e Nunchakus, tem até um escudo que, adivinha só? Te permite dar parry, reforçando como Kiwami 3 está na década de 2020. Os combos de Ryukyu são interessantes e, no geral, acho ele até mais forte que o Dragão de Dojima, mas nada que seja tão quebrado a ponto de tornar o outro uma escolha ruim. No fim, a viabilidade de cada estilo depende dos movimentos dos inimigos que você enfrenta.

Chegando a barra de cólera, a filosofia seguida em Kiwami 3 está alinhada com os últimos jogos em estilo de briga de rua da franquia, Gaiden e Pirate Yakuza. Isto é, tem um conjunto bem menor de ataques de cólera do que em jogos mais antigos, porém elas causam um dano expressivamente maior e há junto uma barra de fúria que, quando preenchida, permite destruição em massa por um tempo determinado como se o Kiryu virasse o Kratos japonês.

O dano dos ataques de cólera justificam a redução na quantidade de vezes que é possível usar em batalha, e até os valorizam pois aqui cada um deles machuca de verdade, mas a baixa quantidade de opções tira um pouquinho da graça que tinha em ver cada animação brutal diferente. Já a barra de fúria é funcional, honestamente não tem muito o que dizer sobre ela além disso, a fúria carrega em um bom ritmo e é forte sem estragar o equilíbrio das lutas, mas para por aí. 

O feijão com arroz do conteúdo secundário

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Todo mundo já está careca de saber que Yakuza é lotado de minigames e missões secundárias malucas, sendo uma ótima forma de descontrair e passar o tempo. Há menos quantidade de missões secundárias no Kiwami 3 do que no Yakuza 3 original, mas a qualidade foi bastante aprimorada, então a experiência como um todo agrega muito mais ao jogador. Nesse aspecto, apenas senti falta de adaptarem a missão “Talking about me?”, que foi bastante corajosa de se fazer na época pelo tema que aborda, mesmo com suas limitações.

Na verdade, esse caso da missão cortada é meio que a regra em Kiwami 3, eles jogaram no seguro até demais em tudo que é secundário. Karaokê? Claro que temos, com muitas músicas do primeiro Kiwami, do Kiwami 2 e algumas do 3 clássico, mas só. A maior parte do catálogo do 3 simplesmente só não está lá e ficou por isso mesmo. Felizmente, há novidades pontuais nos minigames, mas para por aí também.

Entre as grandes novidades dos minigames, o Dragão Marginal foi certamente a mais sem graça delas. Ele é necessário até certo ponto para avançar na história principal, e para isso até que não é o fim do mundo, mas o loop de gameplay é tão maçante e repetitivo que meia dúzia de missões parecem demorar uma vida para acabar. Aconselho fazer o máximo dele no automático, ignorar os textos e completar o mais rápido possível porque a experiência em si não vale a pena, enjoa bastante rápido

Por fim, gostei tanto desse minigame novo que ele merece um parágrafo curto dedicado: Reversi do Dragão. É um jogo de tabuleiro simples que você pode jogar com as crianças de Okinawa, ganhando quem tiver mais peças do seu lado ao não ter mais movimentos possíveis na mesa. Não é nada revolucionário, mas a simplicidade e a inteligência da IA do jogo em todas as dificuldades fazem a experiência se destacar.

Dark Ties, a Majima Saga que deu certo

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Saindo do secundário para uma novidade bastante sombria, Dark Ties é essencialmente uma “Majima Saga” em questão de escala do conteúdo. São três capítulos relativamente curtos, mas não tem nenhum dos problemas que a Majima Saga teve, como enredo ruim, ângulos de câmera sugestivos e de má índole, etc.

É basicamente a história de origem de Yoshitaka Mine, um dos antagonistas do Kiwami 3 na Yakuza. Ele era um empresário dedicado que foi retirado do comando e, ao ver vários homens jogarem suas vidas no lixo para salvar Daigo Dojima de um atentado, tenta entender como uma pessoa conseguiu essa devoção toda, já que nem o seu sucesso como gestor lhe garantiu isso. Mine acaba topando com Kanda recém-saído da cadeia e o usa para se integrar ao clã Tojo, onde constrói seu nome e as bases para o que virá a ser o patriarca de um clã filiado ao Tojo.

Dark Ties foi uma ótima expansão para a história de Mine e de Kanda e tem bastante conteúdo secundário para fazer, principalmente se considerar que é uma campanha de só três capítulos. Ele acaba caindo um pouco no problema de repetição do Dragão Marginal no seu modo “Instinto de Sobrevivência”, mas no meu ponto de vista o escopo mais contido tanto do modo quanto do combate em si dá conta de evitar a fadiga. Mine só tem um estilo e a movimentação é composta de poucos combos e um ou outro ataque de cólera, porém os movimentos têm personalidade e são condizentes com o que Dark Ties precisa para funcionar.

Aspectos técnicos nas versões de PlayStation

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Yakuza Kiwami 3 teve uma série de polêmicas envolvendo o seu polimento por conta da demo. Além disso, existe um histórico de problemas relacionados com a Dragon Engine, por isso, acho necessária essa breve consideração de como estão alguns aspectos técnicos nas versões de PlayStation 4 e 5.

Começando pelo elefante na sala, a iluminação e saturação das cores. De fato, o que foi reclamado pelo público na demo ainda estava presente na versão de review, que é a 1.10, especialmente no rio que fica no centro de Okinawa. Vale destacar que o estúdio se comprometeu publicamente em corrigir o problema na versão 1.11 até o lançamento, porém o estado atual do momento do embargo ainda não está corrigido.

Sobre performance, a versão de PlayStation 5 está muito boa. Não tive instabilidade expressiva no framerate, os loadings são muito bons, os controles são responsivos, a resolução é boa. Tudo condiz com um jogo de PlayStation 5. É uma ótima versão e é a que recomendo que joguem.

Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties – Análise – Vale a Pena – Review

Infelizmente, não posso dizer o mesmo da versão de PlayStation 4. Joguei ela no PlayStation 5 e as condições são bem piores, tem loadings consideráveis, framerate instável, comandos mais imprecisos, a resolução é visivelmente pior e tem menos detalhes no mapa de modo geral. Quem só tem PlayStation 4 não tem muita saída, felizmente ainda pode jogar o Kiwami 3 completo sem grandes complicações, mas quem tem PlayStation 5 eu recomendo que priorize a versão própria para o console, faz muita diferença nesse caso.

Também houve críticas sobre a cidade de Okinawa ser menor no remake. Na verdade, não é bem assim, houve de fato um corte de uma rua que existia no original, mas não tinha quase nada lá. A sensação de tamanho reduzido acontece na prática por dois fatores: o primeiro é que tem muita coisa em todo canto, o que dá uma sensação de aperto em certos espaços, e o segundo é que o Kiryu não atravessa mais a cidade tão rápido quanto o trânsito de São Paulo, fazendo com que o tempo que você gasta de deslocamento seja menor e a cidade, por consequência, pareça menor.

Por fim, só tive um único problema técnico que já foi reportado, porém no presente momento ainda não foi corrigido: as roupas do Kiryu no capítulo 11 estão incorretas. Ele termina o capítulo 10 com uma roupa, começa o 11 com outra do nada e tudo relacionado à história no capítulo 11 fica com essa roupa errada e não tem como corrigir.

Yakuza Kiwami 3 Vale a Pena?

Yakuza Kiwami 3 definitivamente vale a pena. Esse jogo era aguardado por muitos que jogaram do 0 até o Kiwami 2 e tinham um forte bloqueio para com o 3 original pelo simples fato dele ser um jogo mais antigo que não envelheceu bem em certos aspectos. O conteúdo novo do remake agrega bastante valor à experiência original, principalmente a expansão Dark Ties que conta uma história inédita sobre como Mine entrou para a Yakuza e se tornou um dos vilões mais icônicos da série. Apesar das críticas de enredo e da falta de ousadia que fiz aqui, acho que Yakuza Kiwami 3 é uma forma válida e consistente de viver Yakuza 3, que sempre foi um dos melhores capítulos da saga, principalmente no aprofundamento da vida pessoal do Kiryu.

Resumo para Preguiçosos

Yakuza Kiwami 3 é a sequência de Yakuza Kiwami 2. O remake preservou muito da experiência original, porém jogou seguro demais na adaptação e teve transformações incoerentes com a versão original. O combate agora é funcional e divertido, sem os inimigos bloqueando toda hora e com um estilo de luta inédito. A sua expansão de conteúdo, Dark Ties, é uma ótima saga que aprofunda a história de Yoshitaka Mine.

Prós

  • Fim do “Block-kuza”
  • História quase sempre fiel
  • Condução da história melhor
  • Conteúdo secundário no geral muito bom
  • Expansão Dark Ties é muito boa

Contras

  • Modo “Dragão Marginal” é chato
  • Alterações de roteiro que não condizem com a experiência original
  • Jogaram mais seguro na adaptação do que deveriam
  • Versão de PlayStation 4 não roda bem