The Rogue Prince of Persia marca uma nova etapa para a clássica franquia da Ubisoft, agora reinventada pelo estúdio Evil Empire com a experiência acumulada em Dead Cells. Lançado para o Nintendo Switch 2, o jogo abraça de vez a estrutura de roguelite, mantendo o DNA ágil e acrobático do personagem-título. Mas será que realmente vale a pena? É o que vamos descobrir na análise de hoje
Neste jogo, você controla um Príncipe confiante e destemido, cuja jornada começa com uma derrota inevitável. Revivido por uma xamã misteriosa, ele ganha a capacidade de voltar no tempo sempre que cai em combate, graças a uma bola mágica que carrega desde a infância. A narrativa, ainda que discreta, vai além do mero pretexto para o gameplay. A cidade de Tisfun está sob ataque de uma horda de Hunos corrompidos por magia negra, e cabe ao protagonista liderar a resistência, retornando em ciclos repetidos até triunfar.
Diferente de muitos roguelites, a progressão da história é contínua e baseada em um sistema chamado Mapa Mental, que organiza eventos, personagens e itens descobertos em runs anteriores. Esse sistema permite acessar novos caminhos e áreas secretas conforme se avança e reforça a ideia de que cada morte não é um retrocesso, mas uma etapa na evolução do personagem.
O combate é o verdadeiro coração de The Rogue Prince of Persia, herança direta da experiência da Evil Empire com Dead Cells. Os embates são curtos, intensos e repletos de variações. O Príncipe começa cada run com uma arma principal e uma ferramenta secundária, o que obriga o jogador a adaptar seu estilo com base no arsenal disponível. As armas têm ataques únicos, variações de dano crítico e formas diferentes de lidar com os inimigos, enquanto as ferramentas adicionam opções táticas como granadas, ganchos ou armadilhas.

A agilidade do personagem é boa e satisfatória. Ele corre pelas paredes, salta entre plataformas, desliza por rampas e realiza acrobacias para superar obstáculos e eliminar inimigos. Essa mobilidade é essencial para sobreviver, já que o Príncipe é frágil e poucos golpes bastam para mandá-lo de volta ao acampamento.
A diversidade de inimigos contribui para o dinamismo e o bom fator replay que temos. Cada tipo possui padrões bem sinalizados, mas com janelas curtas de reação, exigindo precisão e leitura rápida. Isso transforma cada encontro em uma espécie de dança mortal, onde tempo e posicionamento são cruciais. À medida que o jogador domina as animações e os padrões de cada área, os combates se tornam mais intuitivos e recompensadores.
Ao lado disso, a variedade de armas e equipamentos incentiva experimentação. Conforme o jogador avança, novos armamentos são desbloqueados, oferecendo estilos de jogo distintos. Armas mais rápidas favorecem ofensivas agressivas, enquanto outras exigem mais cautela e controle do campo de batalha.
Além do combate, o jogo apresenta uma forte ênfase em plataformas, elemento que remete às origens da série Prince of Persia. O parkour flui naturalmente, com mecânicas como corrida na parede e saltos em sequência. Dominar o cenário se torna essencial para avançar rapidamente, especialmente quando se utiliza o sistema Sopro de Vayu, que premia saltos bem sincronizados com aumento de velocidade e efeitos passivos.

A sensação de movimento é constante e recompensadora. Mesmo após uma morte, a fluidez dos controles e a brevidade das runs incentivam o recomeço imediato. O design dos cenários também favorece essa sensação, alternando áreas verticais com obstáculos dinâmicos que exigem reflexos e domínio das mecânicas.
The Rogue Prince of Persia se apoia em um sistema robusto progressão que é muito bem feito. A cada nível obtido com pontos de experiência, o jogador ganha habilidades permanentes, como aumento de vida, mais poções ou melhorias nas ações de combate. Já os recursos coletados durante as runs, chamados de cinzas da alma, servem para desbloquear armas, medalhões e ferramentas que enriquecem o leque de possibilidades futuras.
Esse sistema faz com que toda tentativa resulte em algum tipo de progresso. Mesmo runs curtas ou mal sucedidas contribuem para a construção de builds mais poderosas. Isso reduz a frustração comum em roguelites e aumenta a sensação de recompensa contínua.
No entanto, esse ritmo constante de recompensas também pode tornar o jogo mais fácil do que o esperado. No Nintendo Switch 2, The Rogue Prince of Persia apresenta desempenho sólido e visual marcante. A direção de arte aposta em um estilo de quadrinhos, com paletas distintas para cada bioma e animações fluidas.
Dos canais sombrios do Aqueduto Arruinado às armadilhas flamejantes da Grande Academia, cada área se diferencia pela ambientação e pelo layout. O jogo roda a 60fps tanto no modo portátil quanto no dock, com resolução nítida em ambas as configurações, mantendo a fluidez essencial para a precisão exigida nas fases de combate e plataforma.
Mas e aí, The Rogue Prince of Persia para Switch 2 vale a pena?

The Rogue Prince of Persia para Nintendo Switch 2 entrega uma reinterpretação habilidosa da franquia, unindo ação rápida, plataforma desafiadora e uma progressão recompensadora. A jogabilidade refinada e o ritmo viciante tornam cada run envolvente, enquanto o sistema de história contínua oferece um pano de fundo interessante para a repetição típica do gênero.
Ainda que a dificuldade mais acessível possa decepcionar veteranos em busca de um desafio à altura de Dead Cells, o jogo se destaca como uma excelente porta de entrada para o roguelite, com controles responsivos, visual estiloso e performance sólida no novo console da Nintendo. É uma experiência envolvente e bem polida que respeita o legado da franquia e aponta um caminho promissor para seu futuro.
Análise feita com chave para Switch 2 cedida pela publisher.
Resumo para Preguiçosos
The Rogue Prince of Persia entrega uma experiência roguelite ágil e acessível no Nintendo Switch 2, combinando combate fluido, parkour refinado e progressão constante. O jogo se destaca pela jogabilidade viciante e pelo ótimo desempenho, mesmo com um nível de desafio mais moderado.
Prós
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Combate ágil e responsivo
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Parkour fluido e intuitivo
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Sistema de progressão viciante
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Visual em estilo quadrinhos marcante
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Desempenho sólido a 60fps no Switch 2
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Boa variedade de armas e inimigos
Contras
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Dificuldade abaixo do esperado para veteranos
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Runs podem se tornar fáceis com progressão rápida
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Tempo de campanha principal relativamente curto

