Star Wars Battlefront – Review

Star Wars Battlefront foi uma franquia que todo mundo gostava e que pouca gente realmente entendeu como acabou desaparecendo. A verdade é que surgiram coisas melhores para se fazer, e a franquia falhou em acompanhar a evolução da tecnologia. Com a compra dos direitos dos jogos de Star Wars por parte da EA, temos um novo Battlefront sendo desenvolvido pelo estúdio responsável por Battlefield, principal influência dos jogos originais dessa franquia. Como se comporta esse casamento? É o que vamos descobrir.

Em Star Wars Battlefront, temos um jogo de tiro focado no multiplayer e no combate entre Império e Rebeldes, basicamente como na franquia das antigas. Você escolhe um lado e tenta matar o máximo de inimigos o possível, compartilhando o terreno com dezenas de outros jogadores de ambos os lados. Pouca coisa mudou em relação a esse espírito, e o que vemos foi uma atualização técnica e gráfica nesse sentido.

O jogo tem um bom sistema de controle e é repleto de mapas muito vivos e bem construídos. É bom notar que todo mapa tem algum componente de verticalidade, além do combate horizontal que nós costumamos encontrar em jogos de tiro. Isso não é percebido de cara, já que, na maioria das vezes, começamos um jogo avançando para frente, ao invés de irmos para cima. Esse componente adicional acaba tornando as partidas mais dinâmicas, já que não temos dois exércitos batendo cabeça um com o outro, é possível criar estratégias e surpreender o inimigo de diversas formas.

A primeira experiência que temos com Battlefront é que o jogo tem aquela pegada de arcade bem forte, já que morremos e matamos muito no cenário. É bem difícil emplacar grandes sequências de mortes, mas, feliz ou infelizmente, o jogo não te recompensa por isso. Todos os power ups do jogo podem ser coletados em itens deixados pelo cenário, o que significa que mesmo os piores jogadores podem acabar tendo a experiência de usar o Darth Vader, por exemplo, sem precisar matar, digamos, 100 inimigos em sequência. Isso é bom por esse lado, mas também mostra que o jogo é um pouco raso no que diz respeito a recompensas.

Isso também é notado no sistema de desbloqueio de novos equipamentos. A cada batalha, você ganha uma quantidade X de créditos que pode ser usada para comprar novas armas, granadas e outros equipamentos do tipo. O problema é que esses equipamentos geralmente são caros, e, se você comprar algo que não gostou, azar o seu, o jeito vai ser jogar mais para conseguir mais dinheiro e torcer para comprar o item certo desta vez. Star Wars Battlefront não é um jogo que recompensa a experimentação, infelizmente.

Além de armas e itens especiais, você também pode desbloquear visuais diferentes para o seu personagem, mas, como o dinheiro acaba sempre faltando para comprar armas, esses visuais diferentes acabam ficando em segundo plano, já que a pobreza impera dentro do jogo. Fora que os itens, além de caros, também são bloqueados por nível, ou seja, você vai acabar tendo que jogar bastante para finalmente deixar o seu personagem do jeito que você quer.

Como eu disse no começo do review, Battlefront é um jogo focado no multiplayer, o que significa que você provavelmente vá querer ter uma boa conexão de internet para jogar o jogo. Eu tenho, e mesmo assim encontrei um que outro problema de servidor durante o tempo em que eu gastei jogando o jogo para esse review. Às vezes foi a minha conexão que caiu, ok, mas às vezes eu simplesmente fui kickado da partida a troco de nada. Ok, isso aconteceu em uma porcentagem de vezes bem baixa, mas ainda assim, acabou acontecendo.

O modo multiplayer divide-se em vários tipos de combate. Ao todo são nove, cada um com a sua identidade própria, e alguns bem interessantes, como o modo Hero Hunt, onde um jogador controla um dos heróis da franquia e é caçado pelos demais jogadores. Caso esse herói seja morto, quem deu o último tiro assume o papel de herói, e a caçada recomeça. Como há vários heróis diferentes dentro do jogo, você é obrigado a aprender a jogar de formas diferentes, o que é um ponto positivo do jogo, já que, diferente do combate armado, os heróis são bem diferentes entre si.

Outro modo bem divertido é o Fighter Squadron, onde você pode controlar os veículos do jogo. Aqui, o espírito dos Battlefront antigos entram com tudo, ainda que essa seja uma versão reduzida do que encontrávamos nos Battlefront dos anos 2000. Para completar, outro modo que eu gostei bastante foi o Team Deathmatch clássico pelo simples fato de termos times gigantes de jogadores uns contra os outros.

Além dos modos online, Battlefront também tem um modo onde você pode jogar tanto sozinho quanto com um amigo, que é uma espécie de modo horda onde o jogo te coloca contra uma série de ondas de inimigos em mapas temáticos do jogo. Aqui, ou a fase é divertida, ou ela é um verdadeiro pé no saco. Não há meio termo, infelizmente, e a recomendação óbvia é convidar um amigo pra jogar com você.

Graficamente, Battlefront é muito bonito e realmente muito bem otimizado. Nosso review foi elaborado usando a versão de Xbox One do jogo, que teoricamente seria a mais fraca delas, e o jogo está bonito pra caramba nela, além de não ter quase nenhum slowdown perceptível. A trilha sonora do game também é sensacional, afinal traz algumas das músicas mais famosas das trilhas de Star Wars. O jogo ainda vem dublado em português e, felizmente, essa dublagem não incomoda tanto assim por estarmos jogando um jogo multiplayer, mas vale ressaltar: ela é muito, mas muito ruim. De tão ruim, ela é cômica. Será que dá pra contar isso como ponto positivo?

No fim das contas, Battlefront é, sim, um jogo divertido, mas que aparenta ser bastante raso. Será que ele vai continuar tão divertido quanto é agora daqui a umas 40 horas? Essa é uma boa pergunta, e que infelizmente eu não posso responder ainda, mas o que você, comprador, deve saber é que o jogo poderia ser bem mais aprofundado, mas é divertido no que oferece, e provavelmente vai fazer você perder boas horas de jogo em sequência enquanto brinca de rebelde ou de imperial.

O jogo talvez desagrade fãs antigos da franquia exatamente por causa dessa sensação. Parece que Battlefront poderia ser muito mais, caso tivesse mais alguns anos de desenvolvimento. Obviamente, isso não seria viável do ponto de vista financeiro para a EA, mas o que temos aqui é um começo para uma franquia. Ela ainda tem muito o que evoluir, mas obviamente tinha que ter começado de algum ponto.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One adquirida pelo Critical Hits via EA Access

Resumo para os preguiçosos

Star Wars Battlefront diverte, mas não se aprofunda muito, como outros jogos de tiro da concorrência. O jogo certamente vai agradar quem é fã da franquia e quem jogou os Battlefront dos anos 2000 (pelo menos na parte do tiroteio, apesar dele não ser tão épico quanto já foi), mas a grande questão é por quanto tempo, já que ele pouco muda conforme você avança de nível e vai adquirindo mais equipamentos (que são caros pra caramba, diga-se de passagem).

Nota final

75
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Belos e fluídos gráficos
  • Multiplayer divertido
  • Os heróis são bem diferentes entre si

Contras

  • Pouca variação
  • O modo “single” player ou tem missões divertidas, ou extremamente chatas
  • O jogo parece bem simples, ainda mais comparado a outros jogos de tiro atuais
Eric Arraché

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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