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Star Wars: A Ascensão Skywalker – Crítica

Antes de comentarmos qualquer coisa sobre Star Wars: A Ascensão Skywalker, primeiro precisamos falar um pouco de Os Últimos Jedi. Dirigido por Rian Johnson, o segundo filme desta nova trilogia é considerado o mais controverso de todos, tendo diversas decisões ousadas e surpreendendo ao abordar temas já clássicos da franquia a partir de uma ótica totalmente diferente. Por mais que essa visão não tenha agradado uma parcela do fãs é inegável que o longa trouxe uma renovação para a história dessa galáxia tão tão distante.

Mas voltando para A Ascensão Skywalker, o que temos aqui é o desfecho de uma das sagas mais importantes do cinema não trazendo praticamente nada de novo ou experimental, preferindo jogar no seguro ao se sustentar em grande parte pela nostalgia, finalizando uma história que sempre foi sobre revolução e aceitação com um roteiro ironicamente conservador.

Sem dar nenhum spoiler, a história principal do filme acompanha Kylo Ren tentando expandir o domínio da primeira ordem para toda a galáxia e procurando o esconderijo do Imperador Papalpatine. Enquanto isso, Rey contínua o seu treinamento Jedi sendo auxiliada por Leia e também tendo a ajuda de alguns livros deixados por Luke. A força motriz do roteiro é relativamente simples, apresentando um MacGuffin que será seguido pelos personagens até o seu desfecho. Nesse ponto, um roteiro e direção um pouco menos arriscados até se justificam, já que o principal objetivo aqui é solidificar as relações de Rey, Finn e Poe.

Infelizmente, embora a dinâmica entre o trio funcione muito bem em tela, o filme é extremamente corrido, com cenas de ação atrás de cenas de ação, tendo pouquíssimos intervalos de pausa e conversa para justamente estabelecer melhor essas relações. Dessa forma, com uma história apressado, a nossa passagem pelos belíssimos planetas também é muita rápida, não permitindo sequer que saibamos um pouco mais sobre a cultura ou situação daqueles povos. Em contraponto, o design de produção já reconhecido da franquia ainda continua impecável. Cada novo alienígena que é apresentado e todos os detalhes dos cenários realmente são de encher os olhos.

Como citado no começo do texto, talvez o maior defeito de A Ascensão Skywalker não seja só querer se diferenciar de Os Últimos Jedi, mas constantemente tentar negar o filme feito por Rian Johnson ao oferecer incontáveis retcons. Caso você não esteja familiarizado com o termo, o retcon é basicamente a ação de modificar algum fato que já havia sido anteriormente estabelecido pela obra. São tantos retcons que a história começa a ficar desnecessariamente complexas, já que o roteiro tenta entregar explicações plausíveis para tentar convencer os espectadores a esquecer grande parte do que foi mostrado no filme anterior.

E isso quando o movimento é feito com elegância, já que existem cenas onde J.J. Abrams parece querer apenas alfinetar explicitamente Johnson, desconsiderando qualquer alternativa em que as visões dos dois diretores podem coexistir na trilogia. Mas o retcon em si não é necessariamente um problema, a grande questão é que a maioria deles é totalmente desnecessária para a conclusão da história.

O parágrafo a seguir possui spoilers da trama do filme!

Entrando brevemente em alguns spoilers, a grande temática que A Ascensão Skywalker deseja abordar é justamente sobre a não importância do seu sangue ou da sua descendência para a definição do seu destino, com Rey sendo da linha do Imperador Palpatine e resistindo a tentação do Lado Sombrio para no final se tornar uma Skywalker. Só que absolutamente todo esse plot e explicação teriam exatamente o mesmo impacto se fosse mantido o que Rian Johnson propôs no filme anterior, com Rey simplesmente não sendo filha de ninguém especial. Durante todas as outras sagas de Star Wars, a temática sempre foi sobre o escolhido, primeiro com Anakin, depois com Luke, e justamente quando poderíamos ter uma “pessoa normal” sendo a grande heroína, acabam a colocando com alguma herança que justifica os seus poderes.

Mas para aqueles que gostaram de Os Últimos Jedi, Abrams sabe aproveitar a característica da união pela Força de Rey e Kylo Ren para desenvolver sequências de ação bem criativas, e quando o filme para ganha contornos ainda mais épicos o diretor também consegue entregar toda essa grandiosidade, sempre muito bem acompanhada da trilha sonora de John Williams.

A verdade é que A Ascensão Skywalker é um grande filme de contrapontos. Enquanto demonstra respeito pelos personagens da trilogia clássica, com excelentes momentos envolvendo Leia, Luke e Lando, também parece esquecer completamente alguns personagens dessa nova trilogia, como Rose Tico, que teve no máximo umas cinco ou seis falas no filme. Curiosamente, Kelly Marie Tran, a atriz que interpretar a personagem, foi alvo de duros ataques depois de Os Últimos Jedi, e parece que para evitar qualquer polêmica com os “fãs” a Lucasfilm tomou a covarde decisão de praticamente excluí-la da trama.

No fim, Star Wars: A Ascensão Skywalker é um filme mediano tendo erros e acertos e um sério problema com o seu ritmo. A história é um pouco bagunçada pelas constantes tentativas de negar o seu antecessor e os personagens acabam se sustentam mais pelo carisma dos seus atores do que propriamente pelo desenvolvimento do roteiro. Embora todos os momentos de fan-service estejam lá, talvez o grande problema seja que eles acabam dominando o filme, oferecendo uma narrativa conservadora e deixando de lado o espirito revolucionário de uma franquia que começou a ser contado pelo meio.

Resumo para os preguiçosos

Tendo a missão de finalizar uma das sagas mais importantes da história do cinema, Star Wars: A Ascensão Skywalker escolhe arriscar bem pouco, criando um filme previsível e cheio de retcons que a todo o momento tentam negar Os Últimos Jedi. Embora ainda seja um filme descente, com boas cenas de ação, uma trilha sonora fantástica e o já primoroso design de produção da franquia, a impressão que fica é que na tentativa de fazer a conclusão menos polêmica possível a Lucasfilm abdicou da essência revolucionaria de Star Wars.

Nota final

50
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Boas cenas de ação
  • Excelente Trilha Sonora

Contras

  • História extremamente corrida
  • Roteiro recheado de retcons desnecessário
  • Esquecimento de alguns personagens
  • Trama bem pouco criativa

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