Saros é o mais novo exclusivo de destaque do PlayStation 5 e o retorno da Housemarque, desenvolvedora conhecida por incorporar o estilo bullet hell aos seus jogos. Será que esse jogo vale realmente a pena ou é apenas um “Returnal 2.0”?

Em Saros, você controla o personagem Arjun Devraj, um segurança de uma expedição da corporação Soltari enviada ao planeta Carcosa para investigar o desaparecimento de colônias humanas anteriores. A história se passa em Carcosa, um planeta hostil rico em um recurso energético chamado lucenita, que levou a Soltari a enviar diversas expedições para exploração e colonização. No entanto, as missões anteriores fracassaram e, além de extrair a lucenita, você deve descobrir o que aconteceu com essas expedições, além de Arjun ter um objetivo pessoal importante: encontrar e resgatar Nitiya, sua esposa que estava em uma dessas expedições.
Logo no começo do jogo, você descobre que Arjun está preso em um loop temporal. Quando você morre, seu personagem renasce na base e perde a memória de tudo o que fez no último ciclo, mas retém parte da lucenita que você obteve no ciclo para usar para melhorar os seus atributos e assim ter mais chance de sobreviver ao próximo ciclo. Além disso, a história vai avançando com interações com personagens da base e que você vai encontrando durante a sua exploração do planeta Carcosa, e apesar de Arjun não reter as informações a cada ciclo de morte, há momentos da história em que você canonicamente sobrevive ao ciclo e retorna à base, e nesses momentos ele absorve as informações e mantém essas memórias.
A história de Saros é um terror espacial bem construído, onde todos os tripulantes da expedição vão aos poucos sucumbindo à influência do eclipse solar que altera tudo em Carcosa, e você vai descobrindo o que aconteceu com os membros das expedições anteriores e seus destinos. O jogo faz um bom trabalho em esconder o enredo e apesar de dar para suspeitar do plot twist antes dele ser revelado, é legal ver como o jogo consegue esconder sua mão e só revelar o que importa na hora certa mesmo. Aqui, é importante ressaltar um ponto, militantes “anti-woke” tentaram spoilar a história de Saros na internet distorcendo completamente o que acontece dentro do jogo, e eu não vou entrar em detalhes e revelar o que acontece de fato no jogo, mas os spoilers que estão circulando por aí não são verdade, e se você é daquelas pessoas que decide jogar ou não um jogo por ele ter “lacração”, saiba que a história de Saros, apesar de estar longe de ser algo digno de um Oscar, é uma boa história, com personagens bem trabalhados e motivações completamente plausíveis no “mundo de verdade”, sem nenhum tipo de forçação de barra.
Mas a história está longe de ser o ponto mais forte de Saros, o gameplay sim que é. O jogo funciona no que a gente poderia chamar de estrutura roguelite, ou seja, você fica mais forte a cada run e não sente que você desperdiçou tempo numa tentativa caso não tenha progredido na história: pelo menos você ficou mais forte. Outra mudança em relação a Returnal é que você pode começar o jogo em qualquer dos biomas que você desbloqueou, não precisando recomeçar tudo do zero caso você perca para o chefe do penúltimo bioma ou para o chefe final, por exemplo. Saros é um jogo que respeita muito mais o seu tempo do que Returnal, além de também oferecer a opção de você encerrar o jogo no meio de um ciclo e poder continuar depois, possibilidade essa que só foi adicionada depois no jogo anterior da Housemarque.
Nesse sentido, Saros é muito menos punitivo, mas isso não significa que o jogo seja fácil. Caso você morra e comece no bioma em que você está, você certamente vai sentir bastante dificuldade, e eu sinceramente não recomendo fazer isso. A melhor estratégia para jogar Saros é sempre começar do bioma inicial do ato em que você se encontra, para conseguir chegar no chefe com força o suficiente para enfrentá-lo de igual para igual ou até mesmo mais forte do que você deveria estar e não passar tanto sufoco assim, além de obter uma quantidade obscena de Lucenita nesse processo para depois upar Arjin e ficar mais forte para o próximo ciclo.
Além disso, o eclipse de Saros é parte central do gameplay, já que há momentos do jogo em que você precisa tocar uma estrutura alienígena para ativar o eclipse solar e mudar todo o cenário à sua volta. Além do cenário, os inimigos mudam também, se tornando muito mais agressivos e mortais, pois além de mais fortes, eles também causam corrupção, que diminui a sua vida máxima, além de darem mais lucenita quando morrem, o que vai te deixar mais forte no próximo ciclo. Essa mecânica é uma evolução do que vimos em Returnal, e foi trabalhada de uma forma bem interessante, pois há momentos em que você é obrigado a usá-la e momentos em que você pode não usá-la, mas se usar, as recompensas aumentam.
A cada um ou dois biomas, Saros força você a voltar para a base para progredir a história, algo que acaba alongando o jogo bem mais do que ele seria caso fosse uma progressão linear, e apesar disso parecer ruim, eu sinceramente não achei por um simples fato: o gameplay do jogo é viciante. Fazia tempo que eu não jogava um jogo de tiro em terceira pessoa tão divertido quanto Saros é. Quando eu não estava jogando, eu estava com vontade de jogar, pois o ritmo alucinante de atirar, esquivar, usar o escudo, ataque físico e assim por diante com diversos inimigos no cenário atirando em você é realmente divertido. A inteligência artificial desses inimigos inclusive merece um destaque especial aqui, pois eles tentam te flanquear enquanto você está enfrentando um deles, então manter-se em movimento sempre é a melhor estratégia. Eu li um comentário há alguns dias que basicamente resume o gunplay de Saros: ele é Doom 2016 em terceira pessoa: frenético, desafiador e muito divertido mesmo.
Ainda sobre a gameplay, precisamos falar sobre os chefes do jogo. Apesar de Saros começar com chefes meio parecidos com os de Returnal, o jogo evolui demais nesse sentido e entrega alguns dos melhores chefes que eu já enfrentei nessa geração. Da metade pro fim do jogo, é um chefe memorável depois do outro
Mas nem tudo em Saros é perfeito, longe disso. A ideia de fazer você ficar voltando à base em alguns momentos e depois ter que partir em novas runs pode não ser muito legal para alguns jogadores. Além disso, o jogo é dividido em 3 atos, e cada ato é basicamente uma série de biomas de um roguelike normal, então se você não souber exatamente onde cada ato começa e quiser começar uma nova run para chegar mais forte no chefe do ponto em que você quer avançar na história, você corre o risco de perder tempo. O jogo deveria fazer um trabalho melhor em explicar as ramificações do mapa pois se a ideia é respeitar o tempo do jogador, caminhos sem volta, ou caminhos com final deveriam ficar indicados na hora em que o mapa apresenta dois caminhos como o principal e você tem que adivinhar qual o certo.
Outro ponto que alguns jogadores podem considerar negativo é o fato do jogo não ter mapas tão aleatórios assim. A aleatoriedade é muito maior em Returnal. Aqui, temos umas duas ou três variações de cada bioma, ainda que cada uma dessas variações seja muito mais “artesanal” do que a ideia de gerar proceduralmente usada no jogo anterior da Housemarque.
Returnal é um dos jogos mais bonitos dessa geração, com gráficos de tirar o fôlego e uma identidade visual realmente muito bonita que faz a gente até esquecer que esse é um jogo feito na Unreal Engine 5. Além disso, o jogo roda muito bem, mas há quedas de framerate, e momentos em que parece que o framerate trava em 20 fps e do nada volta aos 60 depois de alguns segundos, o que eu imagino que seja mais um bug do que falta de otimização mesmo.
Por fim, a trilha sonora do jogo é muito boa e a dublagem está muito bem executada tanto em inglês quanto em português, e há a possibilidade de escolher entre qual idioma você quer texto e legendas, algo sempre muito bom.
Mas e aí, Saros vale a pena?
Saros é uma evolução de Returnal em muitos sentidos, ainda que tenha abandonado a aleatoriedade do jogo anterior, o que pode deixar alguns jogadores decepcionados. Entregando um dos melhores gameplays dessa geração, uma história sólida com personagens humanos e conflitos reais, e alguns dos melhores e mais memoráveis chefes dessa geração, esse é aquele tipo de jogo que pode não ser chamativo para todo mundo de cara, mas que uma vez que você começa a jogar, você simplesmente não consegue parar de pensar nele e quer jogar um ciclo atrás do outro.
Review elaborado com uma cópia do jogo para PS5 fornecida pela publisher.
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Resumo para Preguiçosos
Saros é o novo exclusivo de destaque do PS5 e marca o retorno da Housemarque com uma evolução clara de Returnal. A história acompanha Arjun Devraj em Carcosa, um planeta hostil marcado por um loop temporal, pela busca de Nitiya e por um terror espacial bem construído, mas o grande destaque do texto é que a força do jogo está no gameplay, que é frenético, viciante e muito mais respeitoso com o tempo do jogador do que Returnal.
Apesar de não ser perfeito, o jogo entrega combate muito divertido, IA agressiva, chefes memoráveis e uma mecânica de eclipse que amplia o risco e a recompensa. Em contrapartida, a menor aleatoriedade dos mapas, algumas decisões de navegação e as idas à base podem incomodar parte do público, mas, no saldo geral, o texto conclui que Saros vale a pena justamente por combinar história sólida, ação intensa e progressão satisfatória.
Prós
- Um dos melhores gunplay em terceira pessoa da geração
- Boa história
- Belíssimos gráficos e identidade visual
- Boa trilha sonora e dublagem
Contras
- Alguns problemas de performance
- O jogo poderia explicar melhor onde cada ato começa e termina para fazer o jogador não perder tempo









