Romeo is a Dead Man é o mais novo jogo de Goichi Suda, ou Suda 51 como ele é conhecido aqui no ocidente, um dos diretores de jogos mais excêntricos do mercado e que volta e meia tem algumas ideias muito interessantes. Mas será que a ideia de misturar Romeu e Julieta com viagens no espaço-tempo dá certo? É o que vamos descobrir hoje.

Em Romeo is a Dead Man, você controla Romeo Stargazer revive após quase morrer quando um evento destrói o espaço-tempo. Salvo pelo seu avô, que viajou para o futuro com um capacete tecnológio que o impediu de morrer e que acaba sendo morto e tendo um eco da alma dele colado em sua jaqueta, ele é recrutado pela Polícia Espaciotemporal do FBI como agente especial e viaja por múltiplos universos caçando criminosos temporais enquanto tenta descobrir o paradeiro de sua namorada desaparecida, Juliet, cuja ausência pode estar ligada à própria ruptura do espaço-tempo, em fases que apresentam ideias bem diferentes entre si.
A ideia do jogo é o tipo de viagem na maionese que a gente espera do Suda, e apesar do jogo começar com um visual todo diferentão, ele acaba sendo muito mais simples do que ele aparenta à princípio. Você controla o personagem naquele esquema estilo soulslike, ou seja, ataque médio e ataque forte, esquiva, “fogueira” (a farmácia do espaço tempo) onde você recupera seus itens de cura e os inimigos reaparecem dentro do cenário e assim por diante.
Felizmente, o gameplay de Romeo is a Dead Man não para por aí, e o jogo traz uma série de ideias interessantes para adicionar ao gênero. A primeira delas é que, além de ser bom de briga, você vai ter que ser bom de mira. A maioria dos inimigos, exceto os zumbis mais fracos, possuem algum ponto fraco que pode ser atingido com tiros precisos e que vão acabar causando uma grande quantidade de dano quando você consegue fazer isso, o que deixa o jogo muito mais fácil já que a maioria dos inimigos foi feito para ser derrotado assim.
Cada uma das fases de Romeo is a Dead Man apresenta alguma ideia de mapa que você provavelmente não jogou em nenhum outro jogo do gênero. Você enfrenta inimigos (e a burocracia) numa prefeitura, passa por um shopping center no melhor estilo Dead Rising, um sanatório assombrado onde na primeira parte você não pode usar suas armas e vive algo como um mini survival horror, enfim, como a ideia do jogo é você viajar por diferentes eras do espaço-tempo para corrigir as distorções temporais e também prender criminosos que estão causando elas, o jogo realmente aproveita essa liberdade para fugir da mesmice de masmorras e pântanos venenosos, e consegue oferecer uma variedade bem legal de desafios.
Além da progressão normal dos mapas, o jogo ainda oferece uma espécie de dimensão alternativa, onde você tem que avançar por um cenário sem inimigos, resolver puzzles e sair em outra ponta da fase em que você estava e que até então era inacessível. Para acessar essa dimensão, você precisará encontrar uma televisão falante que sempre está oferecendo enigmas que a princípio não parecem fazer o menor sentido, mas conforme a história avança, eles fazem menos ainda (uma hora eles passam a fazer, entretanto).
Caso você seja derrotado, o jogo abre uma roleta onde você pode sortear uma vantagem para a sua próxima tentativa, como acumular mais sangue (ou seja, carregar o especial mais rapidamente), mais ataque, mais defesa ou ainda reviver seu personagem e continuar lutando.
Além desses desafios, cada fase conta com um chefe final, que acaba sendo o criminoso do espaço tempo que você está buscando. A maioria dos chefes do jogo acaba sendo bem tranquila de se vencer, já que no começo, eles também compartilham aqueles pontos fracos que outros inimigos maiores possuem, mas conforme o jogo vai chegando perto do final, esses pontos desaparecem, e você tem que se valer da sua habilidade para derrotá-los.
Eu confesso que o único chefe que eu realmente tive dificuldades de vencer foi o chefe final, e precisei fazer uso da mecânica do jogo de reviver seu personagem no meio do combate para passar dele, mas é interessante como Romeo is a Dead Man faz um bom trabalho em ir elevando gradualmente a dificuldade desses desafios até o grande final.
Como esse é um jogo do Suda51, ele apresenta uma série de ideias diferentonas, e o tradicional de soulslike é basicamente os mapas e os chefes, o resto todo acaba trazendo alguma novidade interessante. Para começar, entre uma fase e outra, você volta para a nave da Patrulha do Espaço-Tempo do FBI e deve conversar com seus colegas de tripulação, comprar e vender itens, cultivar podrões (os zumbis que você pode usar para te ajudarem no combate) e assim por diante, e tudo isso acontece numa versão 2D do jogo.
Outra parte diferentona é na mecânica de level up do jogo, ao invés de escolher qual atributo você vai melhorar manualmente, você tem que jogar um minigame de nave onde deve percorrer um caminho num labirinto e ir pegando os power ups. Eu quase consegui completar esses power ups e imagino que haja um caminho ideal para pegar tudo, mas o que eu peguei foi o suficiente para completar o jogo em cerca de 12 horas.
Além disso, também é possível comprar novas espadas e pistolas para variar o seu moveset e melhorar esses equipamentos, mas a espada e a pistola inicial do jogo servem tranquilamente para você jogar do começo ao fim.
Antes de falar sobre gráficos, eu gostaria de concluir a parte da campanha falando que o jogo está longe de ser um jogo ruim. Ele tem algumas ideias bem interessantes, mas como o combate não apresenta nenhum momento verdadeiramente memorável, parece que falta algo para ele realmente se destacar em meio a tantos jogos parecidos com ele. Há momentos da história que são bem legais e que eu sinceramente não esperava ver num jogo do gênero, mas no gameplay mesmo, na hora de apertar os botões, ele acaba sendo bem mediano.
Graficamente, Romeo is a Dead Man é um jogo cheio de estilo e personalidade. Há alguns momentos em que tudo fica borrado demais por causa das partículas na tela e do FSR fazendo o que pode para manter o framerate estável, mas no geral o trabalho é sólido. A trilha sonora do jogo também é boa e a dublagem é bem legal, com destaque para a voz do avô de Romeo, mesmo dublador do Claptrap em Borderlands. O jogo conta com dublagens em japonês e inglês e conta com legendas no nosso idioma.
Mas e aí, Romeo is a Dead Man vale a pena?
No fim das contas, Romeo is a Dead Man conta com uma campanha interessante que tenta várias coisas diferentes para não cair na mesmice, e funciona na maior parte do tempo, mas honestamente, falta algum momento realmente memorável dentro do jogo para que ele acaba se destacando. Ele não é ruim em nada, mas também não faz nada para se sobressair, o que é uma pena.
Review elaborado com uma cópia do jogo para PS5 fornecida pela publisher.
Resumo para Preguiçosos
Romeo Is a Dead Man apresenta a história de Romeo Stargazer, que sobrevive a um colapso do espaço-tempo graças à intervenção de seu avô e acaba recrutado pela Polícia do Espaço-Tempo do FBI. O protagonista viaja por múltiplos universos para capturar criminosos temporais enquanto investiga o desaparecimento de sua namorada Juliet, em fases variadas que exploram diferentes eras, cenários e ideias narrativas.
O jogo combina estrutura soulslike com mecânicas próprias, como pontos fracos exploráveis com armas de fogo, mapas temáticos diversos, puzzles em dimensões alternativas e sistemas incomuns de progressão. O jogo alterna ação intensa com experimentação estética e mecânica, trazendo chefes progressivamente mais desafiadores, áreas de apoio em 2D entre missões, minigames para evolução de atributos e um forte foco em estilo visual, trilha sonora e identidade autoral de Goichi Suda, mas infelizmente não faz nada que o faça se destacar de verdade. Está longe de ser um jogo ruim, só não é um jogo que brilha mesmo.
Prós
- Bons personagens
- Diversas ideias interessantes que evitam que o jogo caia na mesmice
- Bom sistema de combate híbrido entre espada e pistola
Contras
- Praticamente sem nenhum momento memorável nas fases








