Eu sempre conheci a franquia Rhythm Heaven de nome, mas nunca tinha tido a oportunidade de jogar nenhum dos títulos da série. Isso mudou com Rhythm Heaven Groove, novo capítulo da franquia lançado para Nintendo Switch. Depois de passar horas enfrentando seus inúmeros minigames, buscando medalhas e experimentando tanto o modo solo quanto o multiplayer, posso dizer que finalmente entendi por que a série é tão querida pelos fãs.
A franquia Rhythm Heaven — também conhecida como Rhythm Paradise em algumas regiões — começou em 2006 e construiu sua identidade com uma proposta simples, mas extremamente viciante: uma sequência de minigames em que o jogador precisa acompanhar o ritmo da música utilizando comandos bastante simples, mas executados com precisão. Desde então, a série recebeu cinco jogos principais: Rhythm Tengoku, Rhythm Heaven para Nintendo DS, Rhythm Heaven Fever para Wii, Rhythm Heaven Megamix para Nintendo 3DS e agora Rhythm Heaven Groove, que chega ao Switch trazendo cerca de 80 novos minigames e marcando o aguardado retorno da franquia depois de mais de uma década.

Logo nas primeiras fases, minha experiência não foi exatamente das melhores. Apesar dos controles serem extremamente simples, entender o ritmo de cada desafio demorou um pouco mais do que eu imaginava. Diferente de muitos jogos do gênero, Rhythm Heaven Groove não possui uma barra de notas indicando exatamente quando apertar os botões. Em vez disso, você precisa prestar atenção na música, nas animações e nos sons para encontrar o momento exato de executar cada comando.
Nos primeiros minigames, errei bastante e precisei repetir algumas fases diversas vezes até finalmente entender o tempo correto de cada ação. Felizmente, isso faz parte da proposta do jogo. Conforme fui avançando, comecei a perceber que meu ouvido estava ficando cada vez mais treinado, e o que antes parecia impossível passou a acontecer quase que naturalmente. Existe uma sensação muito satisfatória quando você finalmente entra no ritmo e percebe que está acertando praticamente todos os comandos apenas pelo instinto.
A campanha principal é composta por dezenas de minigames divididos em desafios, que vão aumentando gradativamente de dificuldade. O jogo constantemente apresenta novas mecânicas, novas músicas e situações bastante criativas, o que faz com que praticamente sempre exista alguma novidade esperando o jogador na próxima fase.
Além de simplesmente concluir cada desafio, existe um incentivo muito grande para voltar e melhorar seu desempenho. Conseguir uma avaliação excelente rende medalhas, que desbloqueiam conteúdos extras, aumentando ainda mais o fator replay.
Entre esses conteúdos está o modo Beatspell, uma espécie de campanha paralela que conta a história de uma jovem maga. Nele, os comandos rítmicos servem para lançar feitiços, derrotar inimigos e até recuperar vida durante os combates. A ideia é bastante criativa e funciona muito bem nas primeiras fases, principalmente por mostrar uma forma diferente de aplicar a jogabilidade da série.
No entanto, conforme os capítulos avançam, senti que Beatspell acaba ficando um pouco repetitivo. Apesar de novos feitiços serem adicionados ao longo da aventura, a estrutura dos combates muda pouco, fazendo com que a sensação seja de estar repetindo as mesmas ações diversas vezes. Ainda assim, continua sendo um conteúdo divertido e um ótimo bônus para quem pretende explorar tudo o que o jogo oferece.

Um dos aspectos que mais me prenderam foi justamente a busca pelas medalhas. Sempre que terminava um desafio, minha vontade era imediatamente voltar para tentar conseguir uma avaliação melhor. Essa sensação de evolução constante é um dos maiores acertos de Rhythm Heaven Groove.
O jogo também possui um desafio bastante interessante que aparece periodicamente em fases aleatórias. Nessas ocasiões, você recebe apenas três tentativas para conquistar um desempenho perfeito naquela música. É um objetivo extremamente difícil, principalmente nas fases mais avançadas, mas também é um daqueles momentos em que a recompensa vem muito mais pela satisfação pessoal do que por qualquer prêmio. Quando finalmente consegui completar um desses desafios perfeitamente, foi impossível não comemorar.
Se o modo solo já oferece conteúdo suficiente para muitas horas de jogo, o multiplayer consegue tornar a experiência ainda mais divertida. É verdade que existem menos minigames cooperativos do que desafios individuais, mas os que estão presentes são excelentes.
A possibilidade de reunir até quatro jogadores transforma completamente a dinâmica das partidas. Existem desafios cooperativos e competitivos que funcionam muito bem justamente porque exigem que todos encontrem o ritmo ao mesmo tempo. Em vários momentos as partidas acabaram rendendo boas risadas, principalmente quando alguém errava o tempo por poucos milésimos de segundo.
Inclusive, alguns dos momentos mais divertidos que tive durante todo o tempo com Rhythm Heaven Groove aconteceram justamente jogando em cooperação. É um daqueles jogos que ficam ainda melhores quando compartilhados com amigos.

Nem tudo, porém, é perfeito. Uma ausência que faz bastante falta é a localização para o português. Embora Rhythm Heaven Groove não seja um jogo com muito texto, existem explicações importantes sobre os desafios, tutoriais e alguns diálogos dos modos extras que seriam muito mais acessíveis caso houvesse legendas em nosso idioma.
Quem não domina o inglês provavelmente conseguirá jogar normalmente depois de algum tempo, já que boa parte da experiência depende do ritmo e da observação. Ainda assim, uma tradução oficial tornaria o aprendizado dos timings e das mecânicas muito mais confortável para o público brasileiro.
Mas e aí, Rhythm Heaven Groove vale a pena?
Rhythm Heaven Groove representa um excelente retorno para uma das franquias mais criativas da Nintendo. Seus minigames são extremamente inventivos, a trilha sonora é excelente e a sensação de evolução conforme você aprende a dominar o ritmo é recompensadora do começo ao fim.
Mesmo que alguns conteúdos extras, como Beatspell, acabem se tornando um pouco repetitivos com o passar das horas, o pacote como um todo oferece uma enorme variedade de desafios capazes de prender o jogador por bastante tempo — seja tentando conquistar todas as medalhas, alcançar desempenhos perfeitos ou simplesmente reunir alguns amigos para aproveitar o divertido modo multiplayer.
Para mim, que nunca havia jogado nenhum título da série, Rhythm Heaven Groove foi uma excelente porta de entrada. Depois de finalmente entender por que tantos fãs aguardaram mais de dez anos por um novo capítulo, fica difícil não querer voltar aos desafios para buscar aquele score perfeito que sempre parece estar ao alcance.
Resumo para Preguiçosos
Mesmo sendo meu primeiro contato com a franquia Rhythm Heaven, Groove conseguiu me conquistar rapidamente. O início exige um tempo de adaptação para entender o ritmo de cada desafio, mas, conforme os minigames avançam, a sensação de evolução é extremamente recompensadora. Com uma excelente variedade de desafios, músicas e um multiplayer muito divertido, o jogo é uma ótima porta de entrada para novos jogadores.
Prós
- Grande variedade de minigames.
- Trilha sonora excelente e jogabilidade extremamente satisfatória.
- Alto fator replay com medalhas, desafios e conteúdos desbloqueáveis.
- Multiplayer cooperativo muito divertido.
Contras
- Beatspell acaba ficando repetitivo conforme avança.
- Ausência de legendas em português.
