Resident Evil Requiem é um dos jogos mais aguardados desse ano, trazendo a volta de Leon ao centro da franquia juntamente com Grace, uma novata e filha da jornalisa Alisa Ashcroft, de Resident Evil Outbreak. Prometendo combinar o melhor que a franquia tem a oferecer, será que o jogo consegue corresponder às expectativas imensas dos fãs?

Em Resident Evil Requiem, pessoas que estiveram em Raccoon City durante os incidentes de Resident Evil 2 e 3 estão morrendo misteriosamente, e Leon, sendo uma das pessoas afetadas por essa infecção, parte em busca de respostas, atrás de Victor Gideon, um cientista com conexões profundas com a Umbrella.
Paralelamente a isso, temos Grace Ashcroft, uma jovem cuja mãe foi uma das sobreviventes de Raccoon, mas que morreu anos antes dos eventos do jogo num momento traumático que ainda a perturba até o começo do jogo. Investigando essas mortes na cidade, ela acaba tendo que revisitar o mesmo hotel em que a mãe dela é morta, e aí começa a história do jogo.
Resident Evil Requiem é basicamente dois jogos em um. Apesar do jogo te permitir controlar Leon e Grace em primeira ou terceira pessoa, ele recomenda fortemente que você use Grace em primeira pessoa e Leon em terceira pessoa, pois o jogo foi concebido dessa forma, e foi assim que eu joguei do começo ao fim.
Com Grace, Resident Evil Requiem é um jogo muito mais próximo de Resident Evil 7 do que eu achei que fosse ser. Logo após o prólogo do jogo, você se encontra no Centro de Cuidados Crônicos de Rhodes Hill, tendo sido sequestrada por Victor Gideon sem saber o motivo e tendo que sobreviver a um novo surto de infecções de uma cepa do T-Vírus que faz que os infectados ainda retenham certas características que eles tinham antes de morrer, como por exemplo um cozinheiro que segue dentro da cozinha com um cutelo gigante batendo em tudo o que ele encontrar pela frente e que seja feito de carne, como você, por exemplo.
Apesar de Grace ser uma agente do FBI, ela claramente é uma novata completamente apavorada, que possui dificuldade de dar vários tiros seguidos, que sente medo das situações em que ela está envolvida, hiperventila e assim por diante. Você quase consegue sentir o terror junto com ela de estar num lugar cheio de mortos vivos que não vão perder uma oportunidade de te morder o pescoço, e a ambientação aqui é simplesmente sensacional.
Nessa primeira etapa do jogo, você terá que andar de um lado pro outro, encontrar chaves, resolver puzzles, abrir cofres, pegar joias e colocar em outros lugares e assim por diante, exatamente como nos melhores momentos de Resident Evil clássico. Aqui, Requiem simplesmente brilha, ainda que eu tenha achado que esse momento inicial do jogo pode ser um pouco mais difícil para quem não tem prática, já que o jogo está sempre colocando você em cheque. Ficou confortável enfrentando os zumbis que estão no local? Pois se você não usar o hemostático (item que você obtém para auxiliar no combate) nos zumbis mortos, eles voltam com um tumor gigante na cabeça no melhor estilo Crimson Head e você vai ter muito mais problemas do que imagina para enfrentar essa versão deles.
Essa parte inicial da Grace leva cerca de três a quatro horas para ser concluída, e se eu tenho uma reclamação com Resident Evil Requiem, é o fato de que o Leon mal aparece nessa etapa incial do jogo, me dando até a impressão de que ele seria apenas um coadjuvante numa história totalmente focada na personagem, mas felizmente eu estava errado.
Com Grace comandando o show no primeiro terço do jogo e pequenas inserções de Leon, depois disso acabamos assumindo o controle do veterano personagem de Resident Evil, e aí vira hora de fazer os zumbis que estavam fazendo você passar sufoco na primeira parte do jogo pagarem caro por terem feito isso.
Aqui, são eles que estão presos com você, e não o contrário. Leon controla semelhante à forma como controlamos ele em Resident Evil 4 Remake, mas com ele muito mais agressivo ainda, já que além dos chutes, agora ele possui uma machadinha que serve para finalizar adversários, abrir portas e armários que Grace não consegue abrir e uma série de armamentos que não estão acessíveis para ela e que facilitam em muito a sua vida durante o jogo.
Além disso, o jogo aqui também é muito mais direto do que com a Grace. Se com ela você tinha que encontrar o cartão, a chave, a joia e sei lá eu mais o que pra avançar, com Leon você precisa no máximo um deles, e meter muita bala no que ousar aparecer no seu caminho. Há alguns momentos nessa parte da campanha onde o gameplay varia e acontecem algumas coisas bem divertidas, mas no geral é andar, atirar e meter chutes giratórios aos montes.
Apesar de Leon estar muito melhor armado e preparado para enfrentar as ameaças, elas também aparecem em um número muito maior do que com Grace. Os “cabeça de tumor” que eu comentei mais cedo são um inimigo que aparece seguido e que fazem você ter que gastar um monte de munição contra eles, além de outras surpresas que eu não vou entregar para você durante o jogo.
Seja como for, nessa parte em que Leon assume o jogo, você dá sequência na história, reencontra alguns fantasmas do passado e sim, dá uma passadinha em Raccoon City, como foi revelado nos trailers, mas para não estragar a experiência do jogador, eu vou me focar mais na forma como o jogo se apresenta com o Leon do que o que você vai encontrar pela frente, como chefes, obstáculos e assim por diante.
No terço final do jogo, Leon e Grace vão se alternando, e quando você pensa “putz, que bom que eu estou controlando o Leon aqui, pois a Grace estaria completamente ferrada se ela tivesse que enfrentar esses inimigos”, você sabe o que acontece? Exatamente, o jogo vira pra Grace e você tem que enfrentar estes inimigos, então prepare-se para bastante ação e emoção final no terço do jogo.
No fim das contas, Resident Evil Requiem tem um bom equilíbrio entre o gameplay de Resident Evil 7 e Resident Evil 4, e é fácilmente um dos melhores jogos que eu joguei nesse ano, cheio de surpesas e com alguns fanservices bem legais que vão deixar os fãs discutindo por um bom tempo ainda e ansiosos pelos novos rumos que a franquia tomou.
A aflição inicial de achar que o Leon mal iria aparecer acaba sendo de propósito, e depois somos recompensados com uma gorda parte de gameplay com ele, mas sinceramente falando? Seria um jogo que funcionaria muito melhor com um Cenário A e um Cenário B no melhor estilo Resident Evil 2, com campanhas distintas para Leon e Grace que fossem um pouco maiores.
Eu levei cerca de 11 horas para terminar Resident Evil Requiem contanto as mortes, mas cerca de 9h50m para terminar o jogo em tempo contínuo, o que dá cerca de 5 horas para cada personagem, ou seja, uma mini campanha para cada.
Claro, o jogo oferece uma série de desafios para aumentar o tempo de jogo, como um modo clássico onde você precisa coletar fitas de tinta (Ink Ribbons) para salvar, modo com dificuldade aumentada e assim por diante, e a busca pela platina certamente deve fazer esse tempo subir pra 20 a 30 horas, mas de conteúdo repetido. Para quem termina o jogo uma vez e não é muito fã de repetição, como eu, fica aquele sentimento de que o jogo poderia ser sim um pouquinho maior, quem sabe na faixa das 14 a 15 horas.
Graficamente, Resident Evil Requiem é um jogo muito bonito, muito mesmo. O jogo se comporta super bem no modo performance do PlayStation 5, console onde eu fiz esta análise, e felizmente não sofre daquele problema do “cabelo de FSR” onde os cabelos dos personagens parecem um arame farpado. A trilha sonora também é muito boa, com várias referências a músicas clássicas da franquia e as dublagens em português e inglês são boas.
Mas e aí, Resident Evil Requiem vale a pena?
Resident Evil Requiem é facilmente um dos melhores jogos de 2026 e certamente vai atender às imensas expectativas dos fãs, combinando o que há de melhor em Resident Evil 7 e Resident Evil 4 Remake. Eu gostaria que o jogo fosse um pouquinho mais longo, apenas, para aproveitar um pouco mais dele, mas esse é realmente o único defeito eu consigo encontrar nele.
Review elaborado com uma cópia do jogo para PS5 fornecida pela publisher.
Resumo para Preguiçosos
Resident Evil Requiem traz Leon de volta ao centro da franquia ao lado de Grace Ashcroft, filha de Alisa Ashcroft, enquanto uma nova série de mortes atinge sobreviventes de Raccoon City. Leon investiga Victor Gideon, cientista ligado à Umbrella, após ser afetado por uma nova infecção, enquanto Grace revisita o hotel onde sua mãe morreu e acaba sequestrada no Centro de Cuidados Crônicos de Rhodes Hill. A campanha alterna estilos distintos, com Grace focada em terror, exploração, puzzles e gerenciamento de recursos, enfrentando infectados que mantêm traços da vida anterior e podem retornar ainda mais perigosos. Já Leon assume uma abordagem mais direta e orientada à ação, com arsenal ampliado, combates intensos e progressão mais acelerada.
No terço final, o jogo alterna constantemente entre os dois personagens, equilibrando sobrevivência e ação enquanto a narrativa avança por cenários ligados ao passado da série, incluindo trechos em Raccoon City. A campanha principal dura cerca de 10 a 11 horas, divididas quase igualmente entre Leon e Grace, com modos adicionais que ampliam o tempo de jogo por meio de desafios e dificuldades extras. Graficamente, o título apresenta bom desempenho no PlayStation 5, com trilha sonora referenciando temas clássicos e dublagem consistente em português e inglês. No geral, Resident Evil Requiem combina elementos de Resident Evil 7 e Resident Evil 4 Remake, entregando uma experiência equilibrada entre terror e ação.
Prós
- Ótimo equilíbrio entre ação e terror
- Grace é uma ótima nova personagem
- Campanha muito bem feita e com boa história
- Bons gráficos, trilha sonora e dublagem
Contras
- O jogo poderia ser um pouco mais longo











