Desenvolvido pela Sad Cat Studios, REPLACED é um jogo sobre um dia que deu muito errado para o técnico Warren. Em uma versão alternativa de uma América do Norte dos anos 1980, ele decide trabalhar por muitas horas com o sistema R.E.A.C.H., que é usado para analisar a biologia humana.

Em meio a esse trabalho prolongado acontece uma grande explosão, que faz com que a inteligência artificial tome controle do corpo do personagem. A partir desse momento, ele passa a ser caçado pelas forças policiais e pelos membros da Corporação Phoenix.
Como jogador, seu trabalho é garantir que o protagonista de REPLACED vai sair vivo e descobrir os motivos pelos quais ele está perseguido. E, em meio a uma jornada que leva aproximadamente 12 horas para ser finalizada, você vai descobrir mais segredos sobre a corporação e os elementos que constituem esse mundo distópico.
REPLACED acerta no gameplay, com pequenas ressalvas

Adotando uma mistura entre pixel art e elementos 3D, REPLACED é um jogo com progressão lateral que, em muitos momentos, lembra visualmente o que a Square Enix fez em jogos como Octopath Traveler. No entanto, o título usa sua profundidade somente em momentos pontuais, que geralmente estão reservados à exploração de ambientes.
A maior parte do tempo, Reach/Warren está andando rumo à direita ou esquerda e lidando com vários obstáculos, quebra-cabeças e elementos de plataforma que vão ficando cada vez mais complexos. Também há momentos de furtividade e sessões de fuga, que garantem mais variedade ao gameplay e formam um pacote bastante coerente para a proposta do estúdio Sad Cad.
Mais para frente, o jogo inclui um minigame de hackeamento que, embora simples, ajuda a manter o ar de novidade. De forma semelhante, a história traz um combate com toques de Batman Arkham, no qual é preciso ficar atento ao comportamento individual de cada inimigo para saber como desviar, contra-atacar ou partir para cima nos momentos apropriados.
Quanto mais a história de REPLACED avança, mais recursos o protagonista tem à sua disposição também nos combates. Se inicialmente ele conta somente com um cacetete, em questão de poucas horas ele também pode ativar uma arma de fogo, que serve como um grande finalizador da maioria dos inimigos.
Mais para frente, o personagem também destrava uma espécie de modo “raiva”, no qual atira desenfreadamente por alguns instantes. E ainda mais adiante é possível usar uma onda de choque para afastar os inimigos, que se prova um recurso bastante útil nas cenas em que vários deles cercam o personagem principal.

A Sad Cat Studios acerta em cheio na maneira como vai liberando esses recursos, que são condizentes tanto com a história que conta quanto com as situações pelas quais Reach passa. No entanto, há uma ressalva: o jogo, especialmente em seus momentos mais avançados, parece carecer de algum polimento.
Enquanto o game tem uma inspiração clara nos combates da série Batman Arkham, falta a ele a responsividades dos jogos do Homem-Morcego. Assim, não é incomum se ver frustrado por não conseguir a reação esperada ao apertar algum botão, virando assim alvo de um ataque forte — de certa forma, o combate do título parece carregar o comprometimento a cada movimento que se espera de um soulslike, o que nem sempre funciona muito bem.
De forma semelhante, nos momentos mais avançados da aventura o jogo fica excessivamente exigente com muitos desafios de plataforma. Enquanto na maioria dos casos o personagem “gruda magneticamente” nos objetos que pretende alcançar, em alguns casos pontuais ele só os alcança quando seu salto parte do ponto milimetricamente correto.
Isso é especialmente frustrante nos trechos de perseguição de REPLACED, que costumam exigir uma execução perfeita de muitos comandos seguidos. Enquanto tendem a apresentar checkpoints que possibilitam retomar a ação rapidamente, esses trechos perdem completamente a emoção quando você está fazendo a mesma sequência de ações 5 ou 10 vezes na esperança de que dessa vez os controles respondam como deveriam.
No entanto, o principal problema que encontrei foi no modo “raiva” do jogo, que travou mais de uma vez e feito Reach disparar dezenas de vezes sem que eu tivesse o controle do personagem. Isso aconteceu inclusive durante um encontro com um chefe, e fez com que a luta se tornasse muito mais fácil do que deveria, conforme cada disparo derretia a vida do oponente.
Toda exploração será recompensada

Enquanto o gameplay de REPLACED, infelizmente, carece de alguns polimentos — algo que esperamos que não seja um problema quando você estiver jogando e o título já tiver recebido algumas atualizações —, não há o que reclamar de sua exploração. O título tem um ótimo level design e recompensa muito quem decide sair do caminho principal para explorar cada um de seus cantos.
A maioria dessas recompensas surge na forma de documentos que, mais do que lidar diretamente com a história, ajudam a enriquecer o mundo. Eles revelam versões alternativas de casos famosos como o Watergate ou a tentativa de invasão de Cuba, ajudando a formar uma imagem clara da distopia que os Estados Unidos se tornaram.
Também há algumas descobertas mais simples, que narram histórias individuais de sobreviventes e explicam como a Corporação Phoenix passou a dominar parte do mundo e criou um estado policial de exceção. Assim, enquanto a natureza das recompensas oferecidas não é inédita, esses pequenos pedaços narrativos se mostram bastante recompensadores.
Quem vasculhar cada canto de REPLACED também vai se deparar com upgrades para a energia de Reach, para suas ferramentas de ataque e para o kit de cura. Também há trechos da trilha sonora do jogo que, infelizmente, não podem ser executados fora da tela dedicada a analisar os itens coletados — limitação que espero que seja corrigida em um patch futuro.
REPLACED vale a pena?

De todo o tempo que passei com REPLACED, o aspecto que mais apreciei no título foi sua história, que consegue se manter misteriosa e interessante durante toda a duração. Não vou entrar em detalhes sobre o que acontece para evitar spoilers, mas é muito satisfatório chegar aos créditos vendo os caminhos que a Sad Cat Studios seguiu.
Conforme observado, o título tem alguns tropeços de polimentos, mas as partes que acerta mais do que compensam essas pequenas dores de cabeça. Após vários adiamentos, a desenvolvedora conseguiu entregar um jogo de ação e plataforma muito competente e que deve agradar muito quem dar atenção a ele.
Análise feita com uma chave para PC cedida pela publisher.
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Resumo para Preguiçosos
REPLACED é um excelente jogo de plataforma e ação, que conta uma história intrigante e que prende os jogadores por suas aproximadamente 12 horas de duração. O título infelizmente peca pela falta de polimento em seus trechos mais avançados, mas esses são problemas que a Sad Cat Studios vai ter a oportunidade de corrigir em patches futuros. No entanto, devemos analisar o jogo no estado atual, não em como ele pode ficar no futuro.
Prós
- Uma ótima narrativa
- Bons desafios de plataforma e de combate
- Progressão bem feita e que recompensa o tempo investido
- Recompensa bastante quem sai do caminho para explorar ambientes
Contras
- Faltou polimento em muitos trechos de combate e plataformas
- Alguns bugs que travaram a aventura e forçaram o carregamento de saves anteriores
- Não dá para ouvir as trilhas coletadas fora da tela de menus


