Desde seu anúncio, REANIMAL chamou atenção por ser dos mesmos criadores de Little Nightmares 1 e 2. Mas será que o jogo é realmente essa evolução que estão prometendo da fórmula antiga dos desenvolvedores? É o que vamos descobrir na análise de hoje.

A história acompanha 2 irmãos em um lugar sombrio que estão em busca de seus amigos desparecidos, o jogo não faz questão de te dar muito contexto através de diálogos, ao invés disso, o cenário é responsável por contar boa parte da história. Começamos sem muitos detalhes do motivo das outras crianças estarem desaparecidas ou porque os 2 irmãos estão procurando por elas em um lugar tão terrível e assustador. Mas aos poucos, a história vai desvendando o passado das crianças, e com isso, revelando o que realmente aconteceu com esse grupo de amigos.
REANIMAL é sombrio e extremamente pesado, as crianças passam por situações de revirar o estômago e os jogadores precisam achar alguma forma de sobreviver em meio as perseguições de monstros e os puzzles para conseguir avançar de cenário. Os monstros são um show a parte e realmente passam uma sensação de verdadeiro terror. As animações e a atmosfera do jogo contribuem para que eles realmente consigam transmitir medo aos jogadores, que estão controlando meras crianças indefesas.

A gameplay basicamente consiste em resolver puzzles, avançar, explorar novas áreas com cuidado e executar bem as sessões de perseguição. Uma fórmula simples, mas que funciona bem dentro da atmosfera e ritmo de jogo. REANIMAL pode ser jogado sozinho ou com um amigo, e fica claro pelo próprio design do jogo que os desenvolvedores querem que você jogue com outra pessoa.
Ao meu ver, apesar da opção de jogar sozinho ter uma IA que controla muito bem o outro boneco, a opção é um tanto quanto covarde da parte do estúdio e tira parte do brilho do jogo. Existe a opção de passe de convidado, e com isso, somente uma pessoa precisa ter uma cópia comprada para jogar com outra, o que deixa a opção de singleplayer ainda mais pobre. É essencial passar pela experiência com um amigo e essa opção parece mais uma exigência de publisher ou de algum CEO para tentar vender o fato de que você consegue jogar solo, mas que honestamente é quase um pecado fazer isso.
Mas no geral, o jogo é relativamente fácil e com poucos picos de dificuldade. Os puzzles são extremamente simples e não requerem muito da mente dos jogadores, as partes mais difíceis ficam por conta das sessões de perseguição, onde muitas vezes é preciso coordenar bem com seu amigo para que vocês consigam enfrentar ou fugir do monstro juntos.

Sem dúvidas, o brilho de REANIMAL está em sua direção de arte, gráficos e coesão do próprio mundo enquanto você explora. É divertido e prazeroso olhar cada cantinho daquele mundo, que parece vivo e consegue te transportar pra dentro da tela do videogame com maestria.
São nos pequenos detalhes que REANIMAL mostra que o time de desenvolvedores é talentoso, nas pequenas animações ou interações bobas e muito bem detalhadas que fazem você se sentir mais parte daquele mundo. Descobrir a solução de um puzzle é quase que natural pela forma como o jogo de convida a olhar para todos os cantos, é sem dúvidas um dos jogos indie mais bonitos e artisticamente coesos que já tive o prazer de jogar.
Apesar de tudo isso, sinto que ainda falta um pouco de polimento técnico no produto final. Bugs de animações esquisitas e personagens voando na tela são relativamente comuns, e nesse tipo de jogo eles causam um dano muito grande, já que quebra diretamente a imersão que os desenvolvedores se esforçaram tanto para criar.

Outra coisa que incomoda é a falta de seleção de capítulo após zerar pela primeira vez. O jogo é abarrotado de colecionáveis interessantes que fazem parte do charme dele, mas é muito fácil passar reto por um e quando você menos perceber, já passou do ponto de retorno e perdeu o colecionável pra sempre. Quer voltar para pegar o que deixou pra trás? Vai ter que começar o jogo do zero.
Outro fator bobo, mas que pode incomodar algumas pessoas é que nem todas as conquistas vão para o seu amigo que não está hosteando a partida. Troféus de interação com algo do mapa só vão para o jogador que interagiu com aquilo, e boa parte dessas interações não pode ser refeita para que os 2 consigam os troféus.
São pequenos erros bobos, que quando acumulados, acabam segurando um pouco do verdadeiro potencial do jogo.
Mas e aí, REANIMAL vale a pena?

Com cerca de 5 a 6 horas para finalizar a campanha, REANIMAL é uma experiência curta, mas que tem seu próprio charme e pode ser marcante para os jogadores. Podendo comprar apenas uma cópia dele e jogar com seu amigo através do passe de convidado, REANIMAL se torna uma recomendação obrigatória para fãs de Little Nightmares e de jogos Indie de forma geral.
Resumo para Preguiçosos
REANIMAL é uma experiência curta e sombria que mantém o DNA de Little Nightmares, apostando em ambientação pesada, puzzles simples e monstros aterrorizantes. Com foco no cooperativo, o jogo se destaca pela direção de arte e imersão, mas peca em polimento técnico, bugs e limitações no pós-jogo. Ainda assim, vale a pena para fãs do gênero.
Prós
- Direção de arte
- Design dos monstros
- Gameplay fluída
Contras
- Fácil demais
- Poderia ser maior
- Bugs ocasionais
- Não tem seleção de capítulo

