Após 6 longos anos desde o seu anúncio, Pragmata finalmente será lançado, prometendo ser um jogo de ação e aventura inovador em seu combate enquanto conta uma história tocante de pai e filha. Mas será que o jogo realmente vale a pena e cumpre o que promete? É o que vamos descobrir na análise de hoje.

Uma história simples, mas extremamente funcional

Pragmata conta a história de Hugh, um engenheiro espacial que foi enviado até a lua junto com uma equipe após a base lunar deixar de responder as comunicações com a terra. Após a chegada ao local, Hugh e sua equipe percebe a ausência total de pessoas dentro da base e robôs começam a atacar todos eles, fazendo um verdadeiro massacre, com Hugh escapando por um triz e sobrevivendo graças a Diana, uma robô que repara o traje dele e o traz de volta a ativa.
Diana se auto intitula uma “Pragmata”, uma nova linha de robôs que se assemelha muito a crianças e é capaz de ter emoções reais, mas ela mesmo estava em estado de dormência e não entende o que estava acontecendo na base lunar. Sem saber muito o que está acontecendo e ao ser atacado novamente por robôs controlados por uma IA hostil, Hugh se junta a Diana para enfrenta-los, com Hugh fazendo o trabalho pesado atirando e esquivando enquanto Diana hackeia a IA para aumentar ainda mais o dano de Hugh e permitir que ele faça diversas coisas durante o combate.
A história não faz questão de contextualizar muito o universo que nos encontramos e qual exatamente é o nível de tecnologia dos humanos na terra, só sabemos que se passa em um setup futurista com diversas IAs avançadas e que uma espécie de minério lunar foi descoberto que é capaz de criar um filamento para imprimir praticamente qualquer coisa. É justamente por isso que essa base lunar existe: para minerar e extrair o potencial completo desse filamento.

Sem entrar mais a fundo para evitar spoilers, o foco verdadeiro da narrativa de Pragmata é a conexão entre Diana e Hugh, todo o decorrer do jogo e das cutscenes é focado em aproximar cada vez mais eles enquanto um verdadeiro sentimento de pai e filha é criado durante a jornada. Hugh tenta escapar da mão das IAs que saíram do controle ao lado da Diana, mas ao mesmo tempo ele se apega demais a esta Pragmata que o está acompanhando e isso tem desenrolares marcantes e emocionantes ao decorrer da história.
De forma geral, a história não é nada absurdo e nem tenta ser, ela é o suficiente para fazer você se importar com o destino de Hugh de Diana. Aquele tipo de história que já estamos acostumados a ver em jogos da CAPCOM, como Resident Evil e Devil May Cry, jogos onde os acontecimentos são panos de fundo para a personalidade e carisma dos personagens brilharem.
A única reclamação aqui é que o contato inicial de Diana e Hugh parece artificial demais, nos primeiros 5 minutos de gameplay Hugh diz com todas as letras que não gosta de crianças e não confia em robôs, para na cena seguinte ele se apaixonar instantaneamente pela Diana. Senti que faltou um atrito inicial entre os dois que tornaria tudo mais interessante e divertido de ver, mas também não é nada que prejudique a química incrível que rola entre os dois ao decorrer da história.
Gameplay e exploração excepcionais

Deixando a história de lado e indo para gameplay: é aqui que Pragmata realmente brilha, é até surpreendente uma gameplay tão experimental como essa em um jogo AAA, com muitas pessoas tendo receio do que esperar já que é algo bem único dentro da indústria. Felizmente, o combate é extremamente divertido, funciona bem e é muito viciante.
Para causar dano significativo nos inimigos, primeiro é preciso hackear eles usando Diana, que inicia automaticamente o processo quando Hugh mira na direção do inimigo. O hack funciona como um minigame em tempo real: enquanto o jogador continua exposto ao combate ao redor, é preciso navegar por um puzzle estilo Snake usando os botões do controle para chegar até o nó verde no final do caminho.
É como se o combate funcionasse em 2 instancias separadas, com tudo acontecendo ao mesmo tempo. No início parece desajeitado, como tentar fazer movimentos opostos com as duas mãos simultaneamente, mas conforme o jogador se acostuma com o ritmo, hackear e esquivar de projéteis ao mesmo tempo começa a fluir de um jeito muito satisfatório. Existe também um nó azul dentro do puzzle que, se atravessado antes de completar o hack, aumenta o dano causado depois, adicionando uma camada de risco e recompensa.
O jogo também faz de tudo para não cair na mesmice, assim que você se acostuma com o ritmo de hackear e atacar ao mesmo tempo ele adiciona mecânicas novas, como nodos de Hacking que te permitem fazer coisas diferentes. Por exemplo: existe um nodo que se você passa por cima no Hacking com a Diana ele faz o inimigo se virar contra outros inimigos, também temos outro que te permite hackear mais de um inimigo ao mesmo tempo. E o melhor de tudo: é possível combinar vários Nodos para customizar a experiência do combate, só utilizando os 2 exemplos de multi-hacking e controlar o inimigo que citei é possível imaginar a bagunça que da pra fazer no combate quando você vai bem preparado, e o jogo constantemente desbloqueia novos nodos de Hacking adicionando ainda mais possibilidades para você.

A renovação constante na gameplay não está limitada só ao hacking da Diana, Hugh também ganha armas novas constantemente e cada uma delas é bem única e te forçam a encarar o combate de forma diferente. Quando essas ferramentas entram em jogo junto com o sistema de hack, o combate de Pragmata começa a se parecer com algo próximo de uma mistura de Resident Evil e Devil May Cry: bom ritmo, rápido, arcade e muito divertido de dominar. Na base segura do jogo também é possível melhorar as habilidades da Diana e do Hugh, aproximar o relacionamento de ambos com presentes para Diana e várias outras atividades extras interessantes que não vão te deixar entediado em nenhum momento.
Já sobre os inimigos, vários tipos diferentes também são apresentados aos poucos para renovar a gameplay e são bem criativos mecanicamente, mas senti um pouco de falta de variedade visual. Na parte mecânica temos uma boa quantidade de inimigos diferentes e que influenciam na forma de jogar, mas todos eles são feitos desse filamento lunar e acabam parecendo iguais visualmente.
Sei que é algo condizente com a própria lore do jogo, já que são todos impressos pela IA maligna que está tentando nos matar e usa basicamente o mesmo material para tudo, mas Pragmata deu um jeito de contornar essa parte na exploração com cenários completamente diferentes um dos outros, então um pouquinho mais de esforço no visual dos inimigos faria um bem danado, especialmente com esse combate tão experimental que pode fazer alguns jogadores estranharem no começo, e uma variedade visual maior acabaria chamando mais atenção até o sistema de combate finalmente clicar para eles.
Audiovisual de cair o queixo

Por falar em variedade visual, Pragmata da um show nesse quesito e na direção de arte. A estação espacial tem uma identidade visual forte, com corredores de paredes brancas contrastando com o vazio negro do espaço visível pelas janelas. A Capcom claramente bebeu na fonte de clássicos do gênero, há uma sensação de Dead Space no design dos ambientes e na forma como o isolamento é construído.
Além da base lunar bem construída, o jogo faz um uso muito inteligente do filamento lunar da história para entregar cenários completamente diferentes um do outro. Logo no começo do jogo temos uma sessão de gameplay inteira dentro de uma recriação de Nova York usando esse filamento, o cenário é absurdamente lindo e muito bem detalhado, é fácil ficar parando em cada cantinho só para apreciar o quão bem montado é o mapa. Após ele temos um mapa de floresta, também construído com filamento lunar e muda completamente a Vibe do jogo, com várias árvores se misturando com partes da base lunar dando uma real sensação de abandono do lugar.
O jogo continua nesse ritmo de alternar cenários até o fim, usando de forma bem criativa a história para se adequar e transparecer dentro da própria gameplay. A trilha sonora também é marcante e compõe parte da atmosfera solitária que o jogo possui, não é nada absurdamente bom mas cumpre bem o seu papel, principalmente as trilhas das lutas contra os chefes.
Pragmata também chega completamente legendado e dublado em português brasileiro, com excelentes vozes e nenhum erro notável na localização. Capcom vem entregando um nível de qualidade altíssima na localização para nosso país e nesse jogo não foi diferente.
Mas e aí, Pragmata vale a pena?

Com cerca de 12 a 15 horas para terminar a campanha, Pragmata é um milagre da era moderna de videogames com um combate extremamente experimental em um jogo de grande orçamento e que funciona muito bem. Não está isento de pequenos tropeços ao longo do caminho como a falta de construção de mundo e partes pontuais da história que faltaram ser mais coesas, mas nada disso apaga o brilho do combate e dessa história intimista entre pai e filha. Para uma primeira tentativa fazendo algo novo, o jogo se sai da melhor maneira possível e espero muito que ele receba uma continuação que aprimore ainda mais os conceitos criados aqui.
Pragmata é mais um reflexo da excelente fase que a CAPCOM está, só esse ano já tivemos Monster Hunter Stories 3, Resident Evil 9 e agora Pragmata, 3 jogos absurdamente bons e de alta qualidade. Na minha opinião, a CAPCOM tem tudo para se tornar a melhor desenvolvedora da geração, com grandes acertos nos últimos anos e um futuro promissor pela frente, com Pragmata sendo um resultado quase que espontâneo do nível de qualidade e criatividade atual da empresa. Não me surpreende se nos próximos anos vermos uma nova leva de “Pragmatas-like” tentando se inspirar no combate e história que a CAPCOM criou.
Análise feita com uma chave para PS5 cedida pela publisher.
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Resumo para Preguiçosos
Pragmata é um jogo de ação e aventura com um sistema de combate experimental que combina tiroteio com hacking em tempo real. A narrativa foca na relação entre Hugh e a robô Diana, construindo uma conexão emocionante de pai e filha ao longo das 12 horas de campanha. Apesar de pequenas inconsistências na história e pouca variedade visual nos inimigos, o jogo se destaca pela direção de arte, combate e excelente qualidade de produção.
Prós
- Combate
- Exploração
- Personagens carismáticos
- Inovador
- Direção de arte
Contras
- Serrilhado no PS5
- Pouca variedade visual de inimigos


