Pokémon Pokopia é um dos capítulos mais diferentes e curiosos da franquia de monstrinhos de bolso. Com uma proposta muito mais puxada para o “Animal Crossing” do que para o Pokémon e com a mesma equipe de desenvolvimento de Dragon Quest Builders 2, será que esse jogo consegue ser bem sucedido?
Em Pokémon Pokopia, você conhece a história de um Ditto que assume forma humana para viver em um mundo onde os humanos desapareceram e os Pokémon tentam sobreviver em um ambiente degradado. Ao lado do Professor Tangrowth, o protagonista inicia uma jornada para restaurar habitats, reconstruir áreas destruídas e entender o que levou ao colapso daquele mundo.

Depois que os Pokémon chegam, você faz amizade com eles e aí precisa começar a atender a pedidos deles para aumentar o conforto, como colocar uma estátua, um xafariz e coisas do tipo. Caso você tenha jogado Animal Crossing, dá pra fazer a comparação de que cada Pokémon novo do seu território é um Villager, e você tem que ir atendendo aos pedidos deles para melhorar as casas deles e deixá-los mais felizes, e assim ser recompensado com itens novos ou até alguma técnica que o seu Ditto ainda não conheça em alguns casos específicos.
Essas habilidades que Ditto vai aprendendo são fundamentais para o progresso do jogo, como usar água para hidratar partes do cenário que estão com o terreno degradado, a habilidade de puxar plantas do chão do Bulbassaur para crescer os arbustos necessários dos habitats, Rock Smash para quebrar pedras e modelar o cenário e assim por diante.
Conforme você constrói mais habitats (casas) para os Pokémon e vai criando melhorias (recolhendo materiais e indo até a crafting table para criá-los) os Pokémon vão se abrindo cada vez mais com você e mostrando mais das suas personalidades. Para quem gosta desse tipo de jogo, é realmente algo recompensador ir atendendo os pedidos.
Além disso, você também precisa ir restaurando estrutuas do mundo antigo como um centro Pokémon, uma torre e outras coisas do tipo e ir pouco a pouco descobrindo o que aconteceu com a humanidade e por que eles não estão mais lá. A história do jogo aposta muito mais na nostalgia de quem cresceu jogando Pokémon para ser realmente interessante do que numa trama realmente elaborada.
O loop de gameplay de Pokémon Pokopia é basicamente esse, um jogo onde você fica alternando essas tarefas numa progressão bastante vagarosa. As vezes você precisa fazer alguma tarefa diferente para recrutar um Pokémon especial, como o Onix da primeira área do jogo, onde a missão é aumentar a umidade do terreno para que ele consiga se libertar do local em que ele está preso, mas estes eventos são bem esparsos entre a monotonia de ficar melhorando casas e a construção chave do território em que você está.
Apesar da repetição ser um problema para alguns jogadores, o jogo acerta ao criar um ciclo de recompensas constante. Pequenas tarefas como construir estruturas, atrair novos Pokémon ou completar pedidos geram uma sensação contínua de progresso. Esse loop pode ser bastante satisfatório para quem busca uma experiência mais relaxante e focada em evolução gradual, ou como eu diria, “brincar de casinha” com Pokémon.
Aqui é importante ressaltar ainda um detalhe: este jogo não possui combate. Se você está procurando batalhas Pokémon, é muito importante ressaltar que você não vai encontrar isso em Pokémon Pokopia. Este é um jogo de “casinha” e ir restaurando habitats e deixando tudo bonitinho, e não de fazer seu Charizard chamuscar o Venussaur do adversário ou algo do tipo, de modo que os Pokémon que você vai trazendo para a sua população, só servem para você interagir, atender a pedidos e também seguir você para eles executarem certas tarefas, como o Bulbassaur que serve para fazer as plantas que você semeou nascerem mais rapidamente.
Além dos pedidos tradicionais, alguns Pokémon também oferecem pequenas atividades, como minigames simples e interações específicas dentro do mundo. Esses momentos ajudam a quebrar levemente a repetição do loop principal e reforçam a sensação de que os habitantes daquele mundo têm vida própria, mas sinceramente falando, são tão espaçados e a recompensa é tão pouca que a menos que você realmente esteja investido no jogo, isso não vai fazer muita diferença.
Assim como em Animal Crossing, jogo que inspira fortemente este, Pokémon Pokopia também conta com um modo multiplayer que permite visitar o mundo de outros jogadores e construir em conjunto. Embora essa funcionalidade amplie o potencial criativo do jogo, é mais algo contempativo mesmo e com pouca interação.
No fim das contas, Pokémon Pokopia não é o tipo de jogo para mim. Eu consigo ver o valor nele para quem gosta de jogos estilo “Cozy Game” mas ele tem um progresso tão vagaroso e diversos impeditivos de “espere tanto tempo até essa construção terminar” que acaba fazendo ele demorar muito mais do que eu gostaria de avançar. Além do mais, se você ver a primeira área do jogo, você basicamente viu o que vai fazer nas várias horas de gameplay até os créditos, então ele acabou caindo na repetitividade rápido demais para mim. O único outro desafio que o jogo realmente oferece é sair por aí catando os recursos necessários para criar os itens que o jogo te pede e gerenciar o inventário do seu Ditto, que possui uma quantidade bem limitada de itens que ele cosnegue carregar, o que vai ficar te forçando a criar baús aqui e ali para deixar os itens que você por acaso queira guardar.
Graficamente, Pokémon Pokopia é um jogo bonito para a proposta dele. Os pokémon apresentam visuais fofinhos, a performance é dentro do esperado e o estilo cartoonizado do jogo realmente ajuda o que ele tem a oferecer. A trilha sonora do jogo sinceramente me deu sono, a música tranquila demais aliada à tranquilidade que o jogo é acaba sendo “confortável demais” para jogar deitado, por exemplo, e eu quase peguei no sono algumas vezes graças a isso. Para completar, o jogo infelizmente não tem legendas em português, então quem não tem domínio do idioma inglês ou de espanhol vai acabar patinando nas nuances do jogo.
Mas e aí, Pokémon Pokopia vale a pena?
Pokémon Pokopia é o sonho de todo fã de Pokémon que queria um Cozy Game para si, mas eu achei o progresso tão vagaroso e com tão pouco estímulo que não pude aproveitar tanto assim a experiência. Quem gosta de jogos do tipo certamente vai gostar dele, mas se você não é um fã do gênero, esse jogo dificilmente traz alguma novidade ao gênero que vá atrair você.
Resumo para Preguiçosos
Pokémon Pokopia aposta em uma proposta diferente dentro da franquia, focando em construção, gerenciamento e interação ao invés de batalhas. No jogo, você controla um Ditto em forma humana que precisa restaurar um mundo degradado, criando habitats para atrair Pokémon e atendendo pedidos para melhorar o ambiente. As habilidades adquiridas com outros Pokémon são essenciais para avançar, permitindo modificar o cenário e expandir suas possibilidades. O loop de gameplay gira em torno de construir, coletar recursos e evoluir o acampamento, oferecendo uma progressão constante que pode agradar quem busca uma experiência mais relaxante, mesmo com momentos de repetição.
Por outro lado, a ausência de combate e o ritmo lento tornam o jogo limitado para quem espera algo mais tradicional da franquia. A repetitividade das tarefas, o progresso travado por tempo de construção e a gestão de inventário acabam prejudicando a fluidez da experiência, enquanto atividades extras e multiplayer têm impacto reduzido. Apesar disso, o jogo se destaca visualmente e entrega um mundo carismático, ainda que a trilha sonora excessivamente tranquila e a falta de localização em português possam afastar parte do público.
Prós
- Loop de progressão recompensador para quem gosta de jogos relaxantes
- Uso criativo das habilidades do Ditto para explorar e modificar o mundo permitem que o jogador dê uma cara própria ao seu terreno
- Bons visuais
Contras
- Gameplay repetitivo com pouca variação ao longo das horas
- Ritmo lento com progresso travado por tempo de construção e limitações de inventário








