PlayStation 5 – Review

O PlayStation 5 é provavelmente o console mais ambicioso da Sony já concebido. Com um design arrojado, que lembra até os prédios de Oscar Niemeyer, e um tamanho avantajado, o console é realmente imponente. Mas ele realmente vale a pena? No post de hoje, eu trago as minhas impressões sobre o console dos dias que eu tenho passado com ele desde que recebi o console da Sony para testes.

O console e sua interface

A primeira impressão que temos do PlayStation 5 ligado é a de que já estivemos por aqui, ou pelo menos em um lugar bastante bastante familiar. Apesar do console não adotar o mesmo visual de sistema operacional do seu antecessor, há diversas funções e menus bastante semelhantes, e que até mesmo usam os mesmos ícones da geração passada.

De cara, percebemos que o console é muito mais direto ao ponto do que anteriormente, que é jogar jogos. Há uma aba de jogos, inicialmente apenas com Astro Playroom instalado e ícones para a PlayStation Plus e o PlayStation Now, além da loja do console.

Uma das coisas mais legais desse menu inicial é o fato de cada jogo de PlayStation 5 tocar uma música, como acontecia na época do PSP e do PlayStation 3.

Apertando o botão Home (ou PlayStation), um menu na parte de baixo da tela aparece. Este menu traz as opções que você encontraria nos submenus do PlayStation 4, como notificações, amigos, música, indicação da bateria, trocar de perfil e desligar o console.

Um detalhe desta interface de usuário que eu não gostei é o fato da Sony ter removido do PlayStation 5 a opção de desligar o console segurando o botão Home por tempo o suficiente. É estranho ter que fazer mais ações para desligar o videogame do que em relação a todos os outros consoles. Eu realmente espero que eles corrijam isso mais pra frente.

Selecionar jogos para jogar é uma tarefa realmente rápida. Não há nenhum menu de jogos que você precise acessar, eles estão à sua espera assim que o console foi ligado. O início dos jogos também é algo realmente impressionante. Eu tive poucos jogos de PlayStation 5 para testar até aqui (Astro’s PlayRoom, Devil May Cry 5, The Pathless e Spider-Man Miles Morales como jogos de PS5, além dos jogos de PlayStation 4 que eu instalei via retrocompatibilidade), mas em todos eles realmente foi impressionante a velocidade que o console levou para carregar as informações.

O motivo disso obviamente é o SSD, o grande trunfo da nova geração. A tecnologia realmente permite a informação ser carregada muito mais rapidamente e na maioria das vezes, você não consegue terminar de contar nos dedos até o jogo terminar o carregamento das telas. Ele chega a eliminar telas de carregamento totalmente? Não, mas é impressionante como em alguns jogos, especialmente, ele acelera as coisas.

Uma das coisas mais legais que eu encontrei no PlayStation 5 foi a parte de configurações predefinidas para jogos. Eu não gosto de jogar jogos dublados, eu prefiro sempre que possível jogar no idioma original, e ficar alterando o idioma do console em toda vez que o jogo te forçava a fazer isso para poder jogar em inglês era realmente bem chato. Felizmente, é possível definir dificuldade, modo gráfico (desempenho ou resolução), legendas, áudio e configurações de primeira e terceira pessoa dos jogos por ele.

Para quem é um streamer aspirante ou estabelecido e gosta de usar o console para isso, é possível fazer transmissões ao vivo tanto para a Twitch quanto para o Youtube usando o botão Share. Este botão também dá a possibilidade de gravar gameplay e também tirar screenshots dos seus momentos favoritos dos jogos de maneira rápida.

Ainda sobre o console, precisamos falar sobre o tamanho dele. O PlayStation 5 é grande pra caramba. Nos comparativos de tamanho que eu fiz, somente o Xbox Clássico chegou perto dele, e ainda assim o PS5 é maior. Esse tamanho todo tem a ver com o resfriamento dele, já que o console faz o uso de câmaras de ar e várias ventoinhas por dentro pra não parecer que vai levantar voo como seu antecessor.

Como eu usei ele em cima da mesa, o console nunca chegou a esquentar muito e se revelou bem silencioso nos meus testes. Ainda assim, a preocupação que fica é que ele vá parar num rack com pouco espaço e acabe fazendo muito barulho pra resfriar para compensar o pouco espaço de dissipação de calor.

Jogos de PS5 e retrocompatibilidade

Em relação aos títulos de lançamento do console, até o momento há apenas três jogos que sejam realmente exclusivos da nova geração. O primeiro deles é Astro’s Playroom. Este jogo serve para mostrar a você recursos do novo console, mas também é um jogo infantil bem divertido para quem tem crianças em casa.

Além dele, temos Demon’s Souls, que é o único exclusivo até aqui lançado apenas para o PS5. Eu ainda não tive tempo para testá-lo antes do lançamento, e devo recebê-lo nos próximos dias. Dessa forma, eu não posso afirmar nada sobre o jogo, mas se ele for tão bom quanto o Demon’s Souls de PS3 que eu já joguei, ele realmente vale a pena e pode funcionar muito bem como um motivo inicial para se comprar o novo console da Sony.

Além deles, também temos Spider-Man Miles Morales, que também está disponível para o PlayStation 4. Como os correios demoraram um pouco para entregar o console, eu joguei a versão de PS4 Pro do jogo do início ao fim e um pouco da versão de PS5 para comparar as duas. No geral, a versão de PS5 apresenta efeitos de luz melhores e telas de carregamento praticamente inexistentes. Ainda assim, a diferença não chega a ser tão grande, já que no PlayStation 4 Pro o jogo é bastante bonito e também quase não tem telas de carregamento, ou esconde elas muito bem.

Para conferir o que eu achei sobre Spider-Man Miles Morales é só conferir o vídeo com review deste jogo, que está disponível no nosso canal do Youtube, mas se você quer um resumão, ele é bem divertido, apresenta novas habilidades para o Miles e conta com uma campanha curta, porém bem legal de se concluir. O jogo deve levar umas 30 horas para se fazer 100% dele, ou seja, não é um jogo tão longo assim, e realmente tem mais cara de standalone do que de jogo completo, exatamente como ele foi anunciado.

Confira o review completo de Spider-Man: Miles Morales aqui.

Para completar temos Godfall. Apesar de eu ter solicitado uma chave do jogo, ela ainda não chegou, dessa forma eu também ainda não posso afirmar nada sobre o jogo. Este game é o primeiro multiplataforma exclusivo da nova geração, ou seja, além do PlayStation 5, ele exige um PC bastante poderoso ou um Xbox Series para ser jogado, e provavelmente será uma das primeiras amostras do que a nova geração de consoles tem a oferecer.

Em ambos os casos, teremos reviews o mais rápido possível nos próximos dias.

O primeiro jogo que eu testei na retrocompatibilidade do PS5 foi Bloodborne. Quem jogou o jogo no lançamento provavelmente se lembra como parecia que o logo do game iria ficar queimado na tela do seu televisor, afinal de contas, o tempo de carregamento era imenso. Pois bem, o jogo chegou a ser atualizado e diminuir o tempo de carregamento, mas ele ainda incomodava um pouco. Como é no PlayStation 5? Extremamente rápido. Mal dá tempo de ler as dicas que o jogo dá.

Como a minha fila de jogos para review está imensa, eu não pude passar muito tempo explorando a retrocompatibilidade do PlayStation 4 no PlayStation 5, mas tudo o que eu testei rodou exatamente como deveria rodar e sempre com tempos de carregamento melhorados em relação ao que víamos na geração passada.

Por falar em retrocompatibilidade, esta foi uma área em que os fãs poderiam estar apreensivos de nem todos os jogos serem incluídos no console, mas a lista de games que não está disponível é bem pequena. Há jogos importantes que ficaram de fora? Sim, da minha lista de 270 e poucos jogos, alguns Call of Duty, Titanfall 2 e alguns Assasin’s Creed não puderam ser acessados, mas jogos importantes do PlayStation 4, como todos os exclusivos, GTA V, The Witcher 3 e assim por diante estão disponíveis.

Um problema que eu encontrei no período de reviews é que o progresso dos meus jogos de PlayStation 4 não foram transferidos automaticamente para o PlayStation 5. Eu realmente espero que isso mude no lançamento, já que é um transtorno fazer essa transferência manualmente.

Armazenamento

Um ponto em que o PlayStation 5 me deixa um pouco preocupado é no armazenamento. O console possui 825 gigabytes de espaço interno, mas disponibiliza apenas 667,2 para instalação de jogos. Com apenas alguns jogos instalados, esse espaço disponível já despencou para 269,3 gigabytes, ou seja, as coisas vão ficar apertadas logo logo.

É verdade que é possível usar um HD externo para se instalar os jogos de PS4 (inclusive é possível colocar o HD que você usava no seu PS4 direto no PS5 sem nenhuma configuração adicional), mas aí você perde instantaneamente o que pra mim é o grande trunfo desta geração: as velocidades de carregamento praticamente instantâneas. Os 175 gigabytes que faltaram pra fechar 1000 certamente vão fazer falta mais pra frente.

Para aumentar a memória de SSD do PS5, é possível instalar um SSD NVME compatível com PCI-Express 4.0. O processo não parece ser nada difícil, como foi demonstrado por um engenheiro da Sony em um vídeo, e se tudo der certo, o preço desses SSDs tendem a cair conforme o tempo passa. Ainda assim, falta a Sony liberar uma lista de compatibilidade dos dispositivos para o console, afinal é um alto investimento comprar um SSD desses sem saber se ele vai ser aceito ou não.

DualSense

Falemos agora sobre o DualSense. O controle do PlayStation 5 é um pouco maior do que o seu antecessor. Além disso, ele também conta com um microfone embutido que certamente será usado em outros jogos, ainda que até agora a única coisa que eu tenha feito com ele é desligado e ligado ele tentando apertar o botão Home.

O sistema de feedback adaptativo dos gatilhos é algo bem interessante. Os gatilhos realmente ficam mais duros para se apertar caso o jogo assim deseje. Uma ótima forma de testar o novo controle é jogando Astro’s Playroom, um jogo feito especialmente para isso. Com ele, você nota os diferentes pontos de vibração do controle, assim como as outras funções dele.

Sobre a bateria do controle, na minha impressão, ela durou mais ou menos umas 8 horas a cada carga durante o tempo em que eu joguei o console nesse período de review.

No geral, o controle é bastante confortável, e não vai causar estranheza a quem estava acostumado com o controle de PlayStation 4.

Mas e aí, o PlayStation 5 vale a pena?

O PlayStation 5 é um console realmente imponente e que promete bastante para essa nova geração. Infelizmente o mundo inteiro foi atingido por uma pandemia que atrapalhou diversos planos e cronogramas, incluindo o de diversos outros jogos que deveriam chegar com o console. Dessa forma, o que encontramos aqui é uma máquina que melhora a experiência de jogos já lançados e que dá uma amostra do que está por vir.

Há motivos para comprá-lo agora? Sim, Demon’s Souls é um jogo que me motivaria a comprar um novo console na hora. Mas praticamente todos os outros jogos com exceção desse, Astro’s Playroom e Godfall poderão ser encontrados em plataformas da geração anterior.

Dessa forma, o upgrade para a nova geração ainda não se faz obrigatório pelos próximos meses, mas o PlayStation 5 já mostra que tem um futuro promissor nessa nova geração.

Console enviado para review pela PlayStation Brasil

Resumo para os preguiçosos

O PlayStation 5 é um console realmente imponente e que promete bastante para essa nova geração. Infelizmente o mundo inteiro foi atingido por uma pandemia que atrapalhou diversos planos e cronogramas, incluindo o de diversos outros jogos que deveriam chegar com o console. Dessa forma, o que encontramos aqui é uma máquina que melhora a experiência de jogos já lançados e que dá uma amostra do que está por vir.

Há motivos para comprá-lo agora? Sim, Demon’s Souls é um jogo que me motivaria a comprar um novo console na hora. Mas praticamente todos os outros jogos com exceção desse, Astro’s Playroom e Godfall poderão ser encontrados em plataformas da geração anterior.

Dessa forma, o upgrade para a nova geração ainda não se faz obrigatório pelos próximos meses, mas o PlayStation 5 já mostra que tem um futuro promissor nessa nova geração.

Nota final

85
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Console extremamente rápido em tempos de carregamento
  • Interface de usuário amigável
  • Os jogos são acessíveis de cara, sem menus
  • O DualSense é um controle cheio de possibilidades e confortável

Contras

  • 667 gigabytes disponíveis para jogos e aplicativos não são muita coisa, e você logo logo vai querer fazer um upgrade no armazenamento
  • O console é realmente grande, pode ser que o seu móvel não esteja preparado para ele
  • Jogos de PlayStation 4 não transferiram automaticamente o progresso junto com o download deles
  • Nem todos os jogos do PlayStation 4 estão disponíveis para jogo via retrocompatibilidade
  • Desligar o console poderia ser fácil como no PS4 e no PS3
Eric Arraché

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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