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Oxenfree (Nintendo Switch) – Review

Oxenfree foi um grande sucesso em 2016, proporcionando experiência memorável através de um game com jogabilidade simples, trilha sonora envolvente e personagens muito bem desenvolvidos. O jogo inicialmente exclusivo das plataformas da Microsoft, foi lançado para PS4 depois de um tempo e a Night School Studio prometeu trazê-lo a qualquer plataformas que os fãs pedissem; parece que eles clamaram por uma versão para Nintendo Switch, e ela finalmente chegou.

O Oxenfree do Nintendo Switch é exatamente o mesmo que o das demais plataformas, não há conteúdo extra nem nada do tipo. O que muda é a ocasião de jogo, e já adianto que Oxenfree é um ótimo jogo portátil, mesmo não tendo sido concebido com essa finalidade em mente.

No game você controla Alex, uma jovem que vai passar uma noite com alguns amigos em Edward Island, uma ilha militar desativada agora deserta. Oxenfree apresenta rapidamente os personagens ao jogador com um diálogo em volta de uma fogueira e a exploração da ilha é iniciada por Alex, seu amigo Ren e Jonas, seu meio-irmão; Clarissa e Nona ficam para trás. O grupo acaba entrando em algumas cavernas e descobrindo que Edward Island não está tão deserta quanto imaginavam – alguns fantasmas nada amigáveis ainda moram lá.

A partir daí tudo na vida dos jovens piora, e como se fantasmas vingativos do passado já não bastassem, o próprio passado dos personagens volta para atormentá-los. A história é repleta de sequências situadas no presente, passado e em time-loops – períodos curtos de tempo onde Alex fica presa e tem de fazer algo para voltar ao presente. Cada período de tempo tem suas próprias características e enquanto os time-loops são feitos exclusivamente para a inserção de puzzles, é no passado e presente que as escolhas realmente importam.

A história de Oxenfree é repleta de conteúdo, grande parte dele não sendo necessária para o entendimento da história como um todo, mas mesmo assim interessante. Alex tem companhias diferentes durante toda a jogatina e cada um dos personagens tem histórias para contar e assuntos que preferem discutir. Esses relatos servem não apenas para construir melhor o elenco, mas para mostrar ao jogador um pouco mais da história daquele personagem e, talvez, como ele deve ser tratado.

O relacionamento dos personagens se desenvolve de acordo com o que Alex fala a cada um deles durante as conversas, portanto é necessário que o jogador saiba quem ele quer que Alex seja, pois isso interfere na história como um todo. É possível ver o peso de cada decisão nos diálogos que se sucedem a elas e em boa parte do jogo, sendo que alguns personagens passam a ser mais frios com Alex e outros que tinham desavenças passam a ser mais aturáveis por ela.

Oxenfree é bem envolvente por seus personagens e atmosfera envolvente. O elenco proporciona momentos de drama e comédia quase seguidos, como qualquer outro adolescente. As conversas entre eles são bem naturais e identificam-se bastante com o vocabulário e o comportamento de adolescentes que mesmo imaturos e irresponsáveis, sabem que tem de lidar com seus problemas, e os encaram com um misto de medo, coragem e bom humor.

A atmosfera do jogo envolve o jogador gradualmente, fazendo com que ele se pareça inicialmente com um simples jogo de suspense e termine como um pesadelo quase insuportável que pôde – ou não – ser superado. Os efeitos visuais que surpreendem o jogador, como chiados na tela e inversão da câmera reforçam essa ideia de se estar dentro de um pesadelo e também relembram o jogador da impotência da personagem diante de tudo o que está acontecendo, pois a perspectiva da realidade é uma mudança constante.

A única “arma” que Alex possui para se defender dos espíritos é seu rádio, que é capaz de resolver quebra-cabeças e abrir/fechar fendas quando sintonizamos na frequência certa. Esse sistema de “rádio-chave” é o maior elemento de gameplay que temos em Oxenfree e podemos perceber como os criadores conseguiram atribuir diversas funções a um único objeto. Foi uma solução bem criativa.

A utilização do rádio é bem simples: o ligamos e passamos pelas estações que podem apresentar músicas, chiados, vozes macabras ou qualquer outra coisa. É interessante ver o quanto o trabalho audiovisual faz o uso dessa ferramenta ser desconfortável. Somos guiados pelas frequências do rádio, além dos sons, por cores e vibrações que tornam-se mais fortes e mais assustadores conforme chegamos na sintonia certa.

Além disso, Oxenfree ainda possibilita a interação com objetos, semelhante a jogos point n’ click. Esses objetos muitas vezes são detalhes que geram comentários aleatórios por parte de Alex, mas alguns deles contam parte da história de Edward Island e outros servem puramente para deixar o jogador em estado de atenção – como uma poltrona que surgiu em um lugar que você havia acabado de passar.

A trilha sonora do game é um destaque especial, pois deixa o jogador numa tensão extraordinária e é bem convidativa à exploração nas diferentes áreas da ilha. Os efeitos sonoros também são muito bem trabalhados e servem tanto para dar sinais ao jogador, livrá-lo do medo ou causar o terror já que em cenas de possessão ou aparição de espíritos. Aliados aos efeitos de “distúrbio visual”, esses efeitos são certamente o que há de mais memorável em Oxenfree.

O visual de Oxenfree é simples, porém muito bonito. Os personagens são bem diferentes entre si visualmente e combinam com suas personalidades, os cenários são bem criados e a escolha de cores para as cenas de tensão e o restante do jogo também agradam.

No Switch, Oxenfree apresentou os mesmos problemas que encontrei na versão do game para PC em 2016: alguns bugs que não impedem o jogador de continuar e quedas de frames em momentos específicos; os personagens seguem lentos, obrigando o jogador a parar várias vezes para que eles o alcancem;  todo o texto presente no game segue em inglês, o que não é um fator tão negativo assim no Switch, visto que nenhum jogo do console traz legendas e português.

Oxenfree já era um jogo muito bom nas demais plataformas e é melhor ainda no modo portátil do Switch. Ele é muito bom para se jogar on the way, a história pode ser bem aproveitada aos poucos e como a duração total dele é pouca, o fator replay é muito maior. É uma experiência que vale ser vivida e revivida, pois a segunda campanha tem elementos interessantes e algumas diferenças em relação à primeira, mas isso é algo que não adiantarei.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Nintendo Switch fornecida pela Night School Studio.

Resumo para os preguiçosos

Oxenfree é uma aventura sobrenatural que conta a história de Alex e mais quatro amigos que vão até uma ilha militar desativada para festejar e acidentalmente abrem uma brecha espectral. O jogo introduziu com maestria a Night School Studio na indústria com uma mecânica diferente que une elementos de point and click com terror psicológico, que têm peso completamente diferente no Switch e que fazem com que qualquer escolha do jogador impacte diretamente tanto na história como no relacionamento dos personagens.

A maneira como são usados os efeitos visuais e sonoros é simplesmente sensacional, o que transforma o jogo numa experiência assustadora que deixa o jogador sempre atento e desconfiado já que tudo o que dá certo tem extremo potencial de dar errado. Seus múltiplos finais e campanha curta fazem dele um must play e must replay, principalmente no modo portátil. Recomendado para qualquer tipo de jogador, fã de jogos de terror ou não.

Nota final

85
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Ótimo roteiro e desenvolvimento da história
  • Personagens bem elaborados e com características únicas
  • Atmosfera imersiva e assustadora
  • Escolhas do jogador impactam diretamente na história
  • Efeitos visuais e sonoros funcionam com perfeição
  • Múltiplos finais e detalhes da história fazem a rejogabilidade ser obrigatória

Contras

  • Pequenos bugs e queda de fps em momentos específicos
  • Legendas apenas em inglês
  • Lentidão de personagens

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