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Not a Hero – Review

A Devolver Digital é conhecida por trazer jogos absurdamente malucos e divertidos de produtoras independentes. A Roll7 é conhecida por Olliolli o melhor jogo de skate dos últimos anos. O que acontece quando ambos se unem? Not a Hero, com um enredo absurdamente bizarro e muito divertido.

Em Not a Hero, a criminalidade toma conta da cidade. A sociedade põe a culpa nas autoridades. A eleição está a caminho, e o que você tem a ver com isso? Tudo! Você é um lacaio de um coelho antropomórfico chamado Bunny Lord que quer se eleger prefeito. Para tanto, a campanha dele baseia-se em apenas um ponto: limar as ruas dos criminosos, e é você quem deve executar essa tarefa um tiro após o outro, num estilo de violência gráfica que lembra bastante Hotline Miami (também publicado pela Devolver).

O jogo é dividido em fases que contam como dias até as chegadas das eleições. Bunny Lord tem apenas uma plataforma, ele vai ser o prefeito que vai zerar o nível de criminalidade. A cada dia, você tem que matar mais e mais criminosos em fases diferentes para aumentar os níveis de aceitação de Bunny Lord e assim fazer que ele seja eleito. Simples, né?

As missões do game basicamente são as mesmas, vá a um lugar, mate quase tudo o que se mexe, encontre alguns objetivos extras, saia. O que muda nelas são os designs de cada uma das fases. Você geralmente invade um edifício ou anda pelas ruas mesmo, avançando e atirando nos inimigos, às vezes subindo e descendo de andar, tendo que tomar decisões rápidas, já que o ritmo do jogo é bastante intenso.

O combate de Not a Hero desenrola-se numa perspectiva 2,5D onde você pode avançar, atirar e cobrir-se atrás de objetos (daí o 0,5D a mais do jogo). Parece simples? Bom, o jogo realmente começa bem simples, e as missões iniciais fazem você achar que a duração do game vai ser de uma ou duas horas, já que são apenas 20 e poucas fases e você está terminando-as em pouquíssimo tempo, até que você chega lá pela sexta ou sétima fase e o bicho realmente começa a pegar.

Após isso, cada fase fica realmente desafiante e aí sim, qualquer erro é você voltando para a tela inicial dela e tendo que começar tudo novamente. Como Bunny Lord é um cara cheio de recursos, você tem uma série de assassinos disponíveis para usar durante as fases. No começo do jogo você conta apenas com Steve, mas conforme a “campanha” vai avançando, Bunny Lord recruta mais alguns lacaios. Cada um tem suas habilidades especiais, forças e fraquezas. Steve, por exemplo, é um cara mediano em tudo com uma arma com bom alcance.

 

Eu gosto de jogar com Steve, ele não morre tão fácil e causa dano o suficiente, mas há outros personagens bem interessantes de se jogar também, como Cletus, um Redneck que carrega uma espingarda e que realmente fala como um caipira do oeste americano. Como vocês sabem, shotguns têm alcance curto, e os tiros de Cletus causam dano pra caramba, mas têm pouco alcance, além dele ter poucas balas e você ter que ficar recarregando toda hora.

Aliás, atirar e recarregar é uma mecânica bastante importante do jogo para a sua sobrevivência, já que o seu personagem fica exposto ao ataque de inimigos enquanto recarrega. Sabe aquela frase chata que quase todo jogo insiste em usar: “fácil de aprender, difícil de tornar-se um mestre”? O combate de Not a Hero é bem assim, já que você pode tentar passar de olhos fechados de todas as fases, mas terminar cada uma delas com a pontuação máxima é bem, bem difícil.

Algo que eu ainda não comentei e que você provavelmente notará quase que de cara em Not a Hero é o humor do jogo. Bunny Lord é um personagem extremamente engraçado nos comentários dele. Ele não tem vergonha nenhuma de mostrar quem ele é: um político cara de pau que não dá uma foda para o interesse do povo e que apenas está nessa cruzada contra o crime para se eleger. Os comentários dele antes e depois das fases são realmente um dos pontos altos do jogo. Ele pode não ser o cara mais legal do mundo, mas pelo menos ele não tenta te convencer disso.

Graficamente, Not a Hero tem um estilo gráfico bem agradável. Os cenários também são bem pensados e tudo é bem bonito para quem gosta de pixel art. Apesar disso, o destaque do jogo realmente vai para a trilha sonora. Not a Hero tem uma trilha e efeitos sonoros muito legais, todos produzidos pelo Youtuber Damien Slash. Aliás, dá pra notar de cara que os efeitos sonoros do jogo são produzidos com a boca, mas isso não é um ponto negativo, já que eles tornam o jogo mais engraçado ainda.

Resumo para os preguiçosos

Not a Hero é um jogo muito divertido com um combate intenso e vários momentos cômicos. Você basicamente é o lacaio de um coelho que quer eleger-se prefeito e que para isso vai limpar as ruas do crime uma bala após a outra. Ele não faz isso pelas pessoas e sim por ele, e só isso já mostra que tipo de jogo estamos lidando.

Nota final

85
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Combate extremamente divertido e profundo
  • Bom nível de desafio
  • Realmente engraçado

Contras

  • Pode ficar difícil demais para algumas pessoas mais pro fim do jogo

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