Após a grande explosão de Souls-likes que Dark Souls gerou na década passada, a Team Ninja foi uma das poucas que conseguiu se destacar pra valer no meio da enxurrada de Souls-like que aconteceu. Muitos consideram Nioh 1 e 2 quase um sub-gênero dentro dos jogos Souls, por isso a expectativa para Nioh 3 desde o seu anúncio era extremamente alta. Mas será que o jogo realmente vale a pena? É o que vamos descobrir na análise de hoje
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Nioh 3 conta a história de Tokugawa Takechiyo, um personagem de nome fixo, mas que podemos escolher se será homem ou mulher, além de sua aparência. Takechiyo foi escolhido para ser o novo Xogum, mas seu irmão mais novo tramou com algumas forças sombrias para conseguir tomar o poder e aplicar um golpe.
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Muita coisa acontece na cena inicial (da qual não vou discorrer para não dar spoilers) e Takechiyo agora embarca numa jornada para lutar contra seu irmão e o exército de Yokais que ele comanda, o que nos leva a inúmeras batalhas através de diversas eras da história do Japão.
A história tem uma premissa interessante, mas não é nada demais. É minimamente competente e te mantém interessado nos acontecimentos, apesar de ser extremamente previsível. Como nesse tipo de jogo a história não precisa ser uma das 7 maravilhas do mundo para te entreter, ela acaba cumprindo bem o seu papel de ser pano de fundo para a boa porradaria que acontece na gameplay.
Gameplay e exploração
Após terminarmos o tutorial e ficarmos finalmente livres para explorar, uma mudança grande já salta aos olhos de cara: Nioh 3 abandona o sistema de missões dos jogos anteriores e abraça o mundo aberto. Não é um tipo de mundo tradicional como o de Elden Ring ou de Zelda por exemplo, ao invés disso, temos regiões exploráveis que se interconectam e que no geral são menores do que a de um jogo mundo aberto padrão, mas são mais densas e recheadas de coisas para se fazer.
Um dos charmes que compõe um bom Souls-like é um mundo interconectado e que da ao jogador o prazer de explorar, sinto que era justamente isso que faltava em Nioh 1 e 2 para elevar o patamar desses jogos, o que fez a decisão de Nioh 3 de ir para esse caminho um baita acerto. O mundo é divertido de explorar e você não tem vontade de ir para a próxima área antes de pegar tudo o que aquela micro-região que você está no momento.
Se for para apontar um único defeito no sistema de exploração do jogo, é que existem muitos coletáveis meio “ubi-like” onde você só tem que pegar itens, atirar em alvos e etc, o que pode acabar cansando alguns jogadores que não gostam muito disso. Mas honestamente, o diferencial de Nioh 3 está no combate, e até mesmo um mundo aberto recheado de coisas simples pode se tornar divertido quando o combate é prazeroso de jogar.
E por falar em combate, aqui o jogo brilha de verdade: Nioh 3 tem uma variedade absurdamente grande de armas, combos, magias e estilos de luta. Chega a ser impraticável conseguir listar tudo o que você consegue fazer numa review como esta. O jogo te permite alterar comandos para adicionar habilidades especificas que você desbloqueia com o tempo e ir fazendo ajustes finos na forma como o combate acontece, é quase como se você criasse um jeito de jogar especificamente só para seu gosto pessoal.
Nioh 3 – Análise – Vale a Pena – Review
Esse tipo de liberdade é algo pouco visto nos jogos Souls, até mesmo a Fromsoftware que é a gigante e líder desse segmento, tem dificuldade de conseguir fazer um combate com tantas camadas de profundidade quanto Nioh 3 tem, é sem dúvidas um ponto do jogo em que a Team Ninja consegue superar até mesmo os gigantes da indústria.
Mas apesar da maestria inigualável no combate, Nioh 3 herda alguns erros bobos de seus antecessores que acabam algemando o jogo no chão, não permitindo que ele voe tão alto quanto poderia voar.
O principal problema do combate é a falta de variedade de inimigos, Nioh 3 recicla pesadamente todos os inimigos dos jogos anteriores, quase não adiciona inimigos novos e faz esses reciclados aparecerem constantemente em todo lugar, causando uma sensação de repetição que cansa em certos momentos. Os inimigos também são bem burrinhos e geralmente não enxergam você estando quase colados neles, o que acaba trivializando bastante a mecânica de Stealth, que poderia ser melhor utilizada.
Outro ponto, que é mais uma preferencia pessoal do que um defeito necessariamente dito, mas realmente acho que o sistema de loot dos jogos da Team Ninja empobrece a experiência de um Souls-like. Tudo nesse tipo de jogo tem que estar voltado para a exploração e o combate, com as coisas sempre te instigando a olhar o que tem em cada cantinho do mapa. Mas a não ser que você vá platinar o jogo, não existe muito incentivo com um sistema de loot que é quase uma loteria.
Nioh 3 – Análise – Vale a Pena – Review
Em jogos como Elden Ring, Dark Souls, Lies of P e AI LIMIT, cada arma e cada loot que você encontrar em baús ou jogadas no chão são únicas e nada igual vai aparecer novamente para você. Em Nioh 3 o jogo te abarrota de opções iguais que variam quase nada de uma para outra, muitas vezes é literalmente a mesma arma, mas tem um status bônus ligeiramente diferente.
Esse método de fazer as coisas, além de ter menos incentivo para a exploração, acaba abarrotando o jogador de informações inúteis, toda hora uma arma e equipamento igual cai e fica difícil decidir o que usar, ao ponto de que rapidamente desisti e utilizei a mecânica do jogo escolher para mim automaticamente minha armadura. Uma mecânica extremamente útil para esse tipo de situação, mas não acho que a situação sequer deveria existir.
Um outro fator que empobrece um pouco a exploração é o quão fácil ela é. Se jogar explorando tudo das áreas, você sempre vai chegar na próxima área muito acima do nível recomendado, o que acaba deixando fácil demais a maior parte do jogo, com os desafios acontecendo apenas nas lutas contra chefes.
E por falar em chefes, aqui o jogo acerta em cheio também. Temos muitos chefes memoráveis tanto na história principal quanto nas missões secundárias, os designs são muito bem feitos e alguns bem desafiadores. O jogo entrega alguns picos de dificuldade divertidos em alguns chefes, e são justamente esses chefes que tendem a ficar na memória do jogador.
Apresentação audiovisual
Mudando o tópico para a parte técnica e audiovisual, Nioh 3 tem uma direção de arte belíssima e um mundo que enche os olhos toda vez que você chega em uma área nova. Temos diversidade de cenário e biomas, além de um design de personagens bem interessante.
A análise foi feita em um Playstation 5 base e o jogo disponibiliza tanto o modo qualidade a 30 FPS quanto o modo desempenho a 60 FPS, com ambos os modos conseguindo manter a estabilidade de forma geral, apesar do modo desempenho derrubar bastante a resolução do jogo em certos momentos para manter o FPS constante.
Nioh 3 conta com legendas em português e áudio em inglês e Japonês. Honestamente, o áudio em Japonês tem uma qualidade infinitamente superior e recomendo fortemente ir com ele, muitos diálogos em inglês ficaram completamente sem sal e bem estranho, algo que não acontece no idioma original do jogo.
Mas e aí, Nioh 3 vale a pena?
Com cerca de 70 horas para fazer a platina e tudo o que o jogo tem a oferecer, Nioh 3 é o melhor Souls-like da Team Ninja até agora. O jogo aperfeiçoa a fórmula a um ponto em que é difícil pensar em jogos que tenham o combate mais prazeroso do que ele.
Existem alguns tropeços bobos como a reciclagem massiva de inimigos e a repetitividade de certas atividades do mundo aberto, mas nada que realmente apague o brilho do jogo.
Nioh 3 me deixa muito animado para o futuro da Team Ninja, que nesse momento acredito ser uma das melhores produtoras do gênero e que podem futuramente tomar até mesmo o pódio e se consolidar como a referência da indústria em Souls. O futuro é promissor e todos os acertos de Nioh 3 apenas mostram que os desenvolvedores estão no caminho certo.
Resumo para Preguiçosos
Nioh 3 consolida a Team Ninja como um dos estúdios mais competentes do gênero Souls-like ao apostar em um mundo aberto segmentado, denso e prazeroso de explorar, além de entregar um combate extremamente profundo e personalizável. A história cumpre bem o papel de pano de fundo, mesmo sendo previsível, enquanto a variedade de armas, estilos e sistemas de luta coloca o jogo em um patamar técnico acima de muitos concorrentes do gênero.
Nioh 3 também apresenta problemas claros, como a reciclagem excessiva de inimigos, a exploração facilitada pelo desbalanceamento de nível e um sistema de loot que reduz o impacto da descoberta. Ainda assim, chefes memoráveis, direção de arte forte e um combate refinado garantem uma experiência sólida, tornando o jogo o melhor trabalho da franquia até agora.
Me chamo Valteci Junior, sou Editor-chefe do Critical Hits, formado em Jogos Digitais e escrevo sobre jogos e animes desde 2020.
Desde pequeno sou apaixonado por jogos, tendo uma grande paixão por Hack and slash, Souls-Like e mais recentemente comecei a amar jogos de turno e JRPG de forma geral.
Acompanho anime desde criancinha e é um sonho realizado trabalhar com duas das maiores paixões da minha vida.
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