Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection chega prometendo revitalizar o spin-off JRPG de Monster Hunter, melhorando o que funcionava nos jogos anteriores e adicionando coisas novas para fazer desse o melhor Monster Hunter Stories até agora. Mas será que vale a pena? Após 140 horas de gameplay e a platina do jogo, é hora de destrinchar o que ele tem de bom e ruim.
História

Logo de cara, já é notório que o jogo buscou evoluir a fórmula um tanto quanto infantil do 1 e do 2 para algo mais maduro. Além dos visuais modernizados, com personagens mais velhos e um tom mais sério, a própria história também ficou mais adulta e mais interessante de forma geral.
A história apresenta 2 países a beira de uma guerra: Vermeil e Azúria. Quando um ovo de Rathalos é encontrado (um monstro que era considerado instinto) algo estranho acontece. Ao chocar o ovo, Rathalos gêmeos saem de dentro dele com a marca do escamacéu, algo considerado um tabu por ambos os reinos e um presságio de que grandes calamidades estão por vir.
A partir daí, a história se desenvolve com intrigantes tramas políticas entre os 2 reinos enquanto os Rathalos Gêmeos aos poucos se tornam o centro dessa guerra fria que está prestes a explodir em uma guerra real.
Não vou discorrer muito sobre os acontecimentos a partir daqui, pois seria spoiler e é legal acompanhar o desdobrar dessa guerra entre os 2 reinos. Mas algo que quero deixar claro neste review é que a história é recheada de momentos com boas reviravoltas que te mantém bem interessado. É claro que o jogo não consegue escapar de alguns clichês clássicos de JRPG, mas não vejo isso como um lado negativo e sim um charme que traz mais identidade para o jogo.
De forma geral, a história é satisfatória do inicio ao fim e tem excelentes personagens que vão te fazer se importar com o destino deles ao longo do desenrolar da guerra.
Gameplay

Já no quesito exploração e combate, Monster Hunter Stories 3 melhora o combate dos anteriores, refina e entrega uma experiência extremamente viciante e recompensadora. Quem já jogou os outros jogos da série deve estar familiarizado com o combate baseado em Jokenpô (pedra-papel-tesoura), onde existem 3 tipos de dano: Forte, Veloz e técnico. Cada tipo de dano é forte e fraco contra um dos outros 2 tipos, sendo essa a sequencia: Forte > Técnico > Veloz > Forte.
Para saber que tipo de dano o monstro inimigo vai causar, é preciso prestar atenção no comportamento dele. O jogo não te diz com todas as letras o que ele vai fazer em nenhum momento, mas pequenas dicas na postura e no tamanho do monstro já indicam quase que naturalmente o que ele pretende fazer naquele turno.
Essa é uma fórmula bem interessante e única que diferencia Monster Hunter Stories de outros jogos de turno, já que na maioria dos outros jogos existe um catálogo mostrando o tipo de dano e o que o inimigo é fraco aparecendo em algum lugar da HUD, algo que não existe aqui. Nesse sentido, o spin-off Stories é bem fiel ao Monster Hunter de ação original, onde você precisa estudar o comportamento do monstro para conseguir vencer ele.

Além disso, o monstro inimigo pode (e vai) mudar a postura de ataque no meio da batalha, mudando assim o tipo de ataque que ele vai fazer e sua fraqueza, precisando descobrir novamente o que o monstro vai fazer. Apesar de não ser um jogo de turno reativo como Mario RPG, Sea of Stars e Clair Obscur, Monster Hunter Stories 3 acaba passando essa sensação, pois você tem que estar ativo a todo momento olhando os detalhes do monstro para conseguir vencer a batalha, o que acaba demandando tanta atenção quanto um jogo de turnos reativo.
Um bom exemplo disso que expliquei é um momento simples do jogo que acabou me marcando: um monstro com o corpo meio serpentiforme que estava usando ataques do tipo técnico de repente mudou a postura dele e visualmente ele assumiu uma posição de bote de cobra, algo que geralmente associamos com um ataque veloz e foi exatamente o que aconteceu. Pude prever o rumo da batalha apenas observando a postura do inimigo e isso é algo que traz um charme muito bom para o combate.
Se você não prestar muita atenção no que está acontecendo, pode parecer que as coisas são meio aleatórias nesse Jokenpô, mas na verdade todas as dicas estão ali e é possível prever o comportamento do inimigo apenas usando lógica básica. Um exemplo: se você está precisando usar um tipo de ataque para vencer confrontos e de repente o monstro muda de postura, é muito provável que ele mudou para algo que vença o tipo de ataque que você estava usando antes, ter esse tipo de leitura da situação faz você dominar o combate de um jeito muito divertido.

E não para por aí, a batalha consiste em 4 membros da sua equipe: você, seu monstro, um companheiro humano e o monstro dele. O seu monstro pode ser qualquer um dos monstros disponíveis do jogo depois que achar um ovo e chocar ele. Cada um dos monstros tem habilidades únicas e jeitos diferentes de batalhar, com você podendo comandar seu próprio monstro livremente ou deixar ele tomar as decisões sozinho. Já o seu companheiro humano e o monstro dele não podem ser controlados diretamente, o que inicialmente parece um pouco estranho, mas depois fica claro que faz sentido dentro do ritmo do combate.
Além de tudo isso, é possível personalizar os ataques dos seus monstros antes da batalha começar através do ritual de legado em um acampamento, podendo dar novos ataques para eles baseado no ecossistema onde estamos criando esses monstros. Já dentro do combate podemos montar o nosso monstro após encher a barra de afinidade, ativar um especial montado nele ou usar um ataque duplo caso você coordene o mesmo tipo de ataque e vençam um jokenpô em conjunto contra o inimigo.
Tudo o que eu falei parece complicado demais, mesmo tentando simplificar o máximo possível no texto. Mas aqui é justamente o pulo do gato: Monster Hunter Stories 3 é na verdade bem simples de entender e faz um ótimo papel ensinando o jogador tudo o que falei acima. Não se deixe intimidar pela lista de mecânicas que tem no combate, o jogo introduz todas elas aos poucos e de uma forma que faz muito sentido, quando menos se espera você já masterizou rapidamente o combate e é fácil ficar completamente viciado nele.
A principal reclamação sobre o combate é que a IA companheira as vezes toma umas decisões bem questionáveis e ao longo das 140 horas de jogo eu perdi umas 5 lutas por causa de decisões claramente erradas dela. No menu do jogo é possível ajustar o comportamento da IA para agressivo, defensivo, seguir a deixa do jogador ou agir por conta própria. Ajustar essas opções melhora a tomada de decisões do seu companheiro, já que ajusta a IA para seu estilo de jogo, mas ainda não fica perfeito.

Outra coisa que pode incomodar um pouco é que a HUD foi mal pensada em certos lugares, como o fato de que você precisa dar o prompt de que vai atacar o inimigo para poder ver quais partes dele podem ser feridas e qual tipo de dano você precisa usar para quebrar essas partes, essa é uma informação que já deveria estar diretamente na HUD inicial do combate, mas fica escondida atrás do botão de ataque. Claro que não é nenhum fim de mundo esse tipo de coisa, mas são pequenos detalhes que poderiam ter sido pensados de forma melhor.
Para completar o bom combate do jogo, a exploração também está muito bem feita e variada. Diferente dos jogos anteriores, que eram basicamente um grande mapa aberto plano, Monster Hunter Stories 3 entrega um mapa com bastante verticalidade e progressivamente legal de se explorar.
Muitos locais precisam de tipos de monstros específicos para alcançar, o Rathalos é capaz de planar pelos céus para alcançar lugares altos, mas não pode nadar, exigindo que o jogador tenha um monstro aquático na equipe para conseguir atravessar rios e lagos com eficiência.
Todos os mapas do jogo também são visualmente diferentes e com peculiaridades únicas, e alguns mapas introduzem mecânicas novas de locomoção para o jogador conforme avançamos na história, trazendo um frescor imediato para a exploração e não permitindo que ela se torne enjoativa.
Audiovisual

Por fim, é necessário falar sobre o quão bonito e artisticamente coeso Monster Hunter Stories 3 é. Os jogos anteriores tinham uma aparência e tom mais infantil, mas o 3 trouxe um ar moderno, adulto e uma direção de arte absurdamente superior aos outros jogos.
Os gráficos são muito bem feitos e todos os elementos conversam entre si de forma fantástica, cada mapa semi-aberto do jogo traz elementos visuais únicos e mantém a qualidade da direção de arte do inicio ao fim, com várias cutscenes e sequências de ação de cair o queixo.
A dublagem em Japonês está excelente, com os personagens sendo bem carismáticos graças as boas vozes por trás deles. Temos legendas em português brasileiro e até onde pude notar ela não tem muitos erros de tradução e o jogo de forma geral está bem localizado.
Mas e aí, Monster Hunter Stories 3 vale a pena?

Com cerca de 50 horas para terminar a campanha principal e 140 horas para a platina, Monster Hunter Stories 3 é fantástico em tudo o que se propõe a fazer, virando candidato fortíssimo a um dos melhores RPGs do ano.
Sinto que a exploração e combate extremamente sólidos do jogo já seriam muito bons sem a temática de Monster Hunter por trás e ele se sustentaria sozinho sem isso, mas ser Monster Hunter é a cobertura do bolo e o que faz ele se tornar verdadeiramente especial.
A temática e peculiaridades da franquia casam perfeitamente com o estilo de JRPG tradicional, com todas essas mecânicas de quebrar partes de monstros, a profundidade na forma como o monstro se comporta em combate e a curva de aprendizado que o jogo exige para cada tipo de arma diferente são coisas que existem em todo Monster Hunter, e de alguma forma tudo isso foi transportado para um jogo de turno de forma coesa e brilhante.
Review feita com chave para PS5 cedida pela publisher.
Resumo para Preguiçosos
Prós
- História
- Visuais
- Combate
- Exploração
Contras
- IA companheira as vezes comete erros grotescos
- HUD poderia ser melhor

