MIO: Memories in Orbit é um metroidvania desenvolvido pela francesa Douze Dixièmes, estúdio responsável por Shady Part of Me, lançado em 2020. Desde sua revelação durante o Nintendo Direct de junho de 2024, o jogo me chamou atenção pelo estilo artístico, o que fez com que ele rapidamente entrasse na minha lista de desejos. Agora, próximo do lançamento, tive a oportunidade de explorar o game completo e avaliar se a experiência entregue correspondeu à expectativa criada.

MIO: Memories in Orbit se passa em Nau, uma gigantesca espaçonave à deriva no espaço. Essa estrutura colossal, criada para abrigar vida e cumprir um propósito desconhecido, encontra-se em ruínas, dominada por vegetação, máquinas corrompidas e sistemas fora de controle. As Pérolas, inteligências artificiais responsáveis pela manutenção da Nau, deixaram de funcionar por motivos ainda não esclarecidos, acelerando o processo de colapso e aproximando a nave do desligamento definitivo. O nosso objetivo é explorar esse cenário decadente, desvendar os mistérios da Nau e entender o que levou à sua ruína.
MIO inicia em um cenário que se assemelha a um sonho fragmentado. Logo nos primeiros minutos, o jogo apresenta uma sequência de exploração e desafios de plataforma simples, acompanhados por textos que mencionam um lugar antigo, esquecido e envolto em mistério, como se fosse uma lembrança distante. Após essa introdução, MIO desperta ao ser observada por uma criatura misteriosa, que desaparece antes mesmo de qualquer apresentação.
Após esse breve prólogo, MIO: Memories in Orbit entrega total liberdade de exploração. Sem um objetivo claramente definido, o jogo aposta na desorientação inicial como parte da experiência, algo bastante comum e bem-vindo no gênero metroidvania. Na primeira hora de jogo, a ausência de um minimapa contribui para a sensação de estar perdido, fazendo com que cada decisão de caminho pareça arriscada.
Como esperado, MIO começa a aventura com poucas habilidades, o que limita a exploração de diversas áreas desde cedo. O retorno a regiões anteriores se torna necessário conforme novos poderes são desbloqueados.
O jogo também apresenta um hub central que funciona como ponto de descanso e como espaço de interação com NPCs importantes. Nesse local estão a Mercadora, responsável pela venda de itens e melhorias, e Shii, personagem que oferece orientações e ajuda a contextualizar os acontecimentos daquele mundo.
O hub é fundamental na progressão, especialmente porque existem poucos Nexos, os pontos de salvamento, distribuídos pelo mapa, o que torna a exploração mais arriscada e exige cautela para evitar longos trajetos de retorno após uma derrota. Além dos Nexos, há fontes espalhadas pela Nau que permitem recuperar a vida em troca de algumas Medrepérolas, mas elas não funcionam como checkpoints, já que o jogador não retorna a esses locais ao morrer.

A economia do jogo gira em torno de duas moedas principais. A Medrepérola é obtida principalmente ao derrotar inimigos e serve para a compra de MODs. Já os Núcleos Antigos são mais raros, geralmente escondidos pelo cenário ou entregues por NPCs, sendo usados para aquisições mais específicas.
Os MODs funcionam de maneira semelhante aos amuletos de Hollow Knight, permitindo personalizar o estilo de jogo. Cada MOD consome uma quantidade específica de Espaço de Modificadores, que inicialmente é bastante limitado. Esse espaço pode ser expandido ao encontrar Extensores de Modificadores espalhados pela Nau. Além disso, MIO pode aumentar sua vida máxima ao coletar Componentes de Revestimento, sendo necessário reunir quatro unidades para cada melhoria, seja explorando o mapa ou comprando quantidades limitadas com a vendedora.

A movimentação de MIO começa de forma simples, mas evolui significativamente ao longo do jogo. Conforme novas habilidades são desbloqueadas, desafios de plataforma mais complexos passam a surgir, exigindo maior precisão e domínio dos controles. Essa progressão é bem equilibrada e acompanha o aumento natural da dificuldade geral do game.
O combate é fácil de entender e bastante funcional. MIO conta com um combo básico de ataques corpo a corpo, mas o grande diferencial está na mecânica de reset de pulo. Sempre que MIO acerta um inimigo no ar, o pulo é restaurado, independentemente da direção do ataque. Isso permite enfrentar inimigos de forma quase totalmente aérea.
Apesar disso, a variedade de inimigos comuns é limitada e acaba se tornando repetitiva com o passar das horas. Em contrapartida, chefes e mini-chefes são um destaque positivo, apresentando designs únicos, padrões de ataque bem definidos e, em alguns casos, abordagens específicas para serem derrotados.

O visual de MIO: Memories in Orbit é um de seus maiores destaques. Cada bioma apresenta identidade própria, com cenários ricos em detalhes e uma direção de arte extremamente consistente. A combinação entre uma tecnologia decadente e a natureza em crescimento cria ambientes memoráveis e coerentes com a proposta narrativa do jogo.
A trilha sonora complementa perfeitamente essa construção de mundo. Durante a exploração, as músicas funcionam de forma atmosférica e discreta, mas em momentos específicos ocorre uma mudança de ritmo muito bem vinda, transmitindo melancolia e mistério sem quebrar a imersão.
Por fim, MIO: Memories in Orbit conta com legendas em português, facilitando o entendimento da narrativa e tornando a experiência mais acessível para o público brasileiro.
Mas e aí, MIO: Memories in Orbit vale a pena?
MIO: Memories in Orbit entrega uma experiência fantástica dentro do gênero metroidvania, combinando uma excelente exploração e uma identidade audiovisual forte. Mesmo com limitações na variedade de inimigos comuns, o jogo compensa com chefes, uma belíssima trilha sonora e um mundo intrigante que incentiva a curiosidade do início ao fim. MIO é uma jornada que recompensa a paciência e a exploração, especialmente para fãs do gênero.
Resumo para Preguiçosos
MIO: Memories in Orbit é um metroidvania focado em exploração, ambientado em uma nave espacial em ruínas tomada por uma tecnologia decadente. O jogo aposta na progressão gradual de habilidades, combate simples com mecânicas aéreas interessantes e um mundo que incentiva a curiosidade, mesmo com pouca variedade de inimigos comuns. O grande destaque do game está na direção de arte, na trilha sonora e nos chefes bem construídos, entregando uma experiência sólida para fãs do gênero.
Prós
- Direção de arte e trilha sonora impressionantes
- Exploração recompensadora e mapa bem interligado
- Mecânicas de combate criativas
- Boa personalização de build com sistema de MODs
Contras
- Variedade limitada de inimigos
