Mina the Hollower – Análise – Vale a Pena – Review

Quando lançou Shovel Knight em 2014, a Yacht Club Games fez grande sucesso ao misturar uma estética de 8-Bit com um estilo de plataforma muito associado a séries como Mega Man. Mais de 10 anos depois, o estúdio usa Mina the Hollower para prestar uma homenagem semelhante a jogos como Zelda e Castlevania, ao mesmo tempo em que explora uma identidade própria.

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Enquanto os visuais do jogo ainda seguem uma temática retrô, o novo esforço do estúdio pouco tem a ver com seu sucesso anterior. Isso é, a não ser que levemos em consideração aspectos como a precisão dos controles, a presença de personagens carismáticos e um universo bem construído e centrado no gameplay.

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Mas vamos aos fatos: Mina the Hollower é um jogo de ação e exploração que leva a pequena escavadora Mina à iIlha Tenebrosa. Ela tem como objetivo recuperar o funcionamento de vários geradores que ajudou a construir no passado, dos quais a cidade de Ossex depende para sobreviver. E fazer isso não é uma missão muito simples ou fácil.

Mina the Hollower é uma jornada desafiadora

Mina the Hollower – Análise – Vale a Pena – Review

O que fica evidente logo nos primeiros momentos de Mina the Hollower é que esse não é um game fácil, e dá para entender as comparações que algumas prévias fizeram com a série Souls, da From Software. Enquanto a aparência é de um Zelda clássico das eras 8-Bit e 16-Bit, o jogo tem desafios mais relacionados a jogos como Mega Man ou Ninja Gaiden.

Em outras palavras, os inimigos batem forte e estão prontos para punir qualquer deslize que você possa cometer. E eles muitas vezes estão posicionados para garantir que o pulo que Mina precisa dar vai falhar, você vai tomar dano ao cair em um buraco e provavelmente vai ter que voltar ao último checkpoint porque morreu.

Tudo pode ser um tanto frustrante, até o momento em que começa a clicar que o jogo é desafiador, mas justo. Conforme aprendemos os padrões de inimigos e que nem sempre o combate é a solução, o mundo da aventura se abre. Também ajuda muito o fato de que a experiência é generosa com suas recompensas, embora nunca deixe de ser desafiadora.

Ela também se destaca por não pegar na mão dos jogadores, deixando que eles descubram por conta própria como usar muitos dos recursos que a protagonista têm desde o começo. Enquanto há uma ordem sugerida de progressão, o jogo nunca nos força a segui-la — ele meramente sugere qual deve ser nossa prioridade através dos diálogos de NPCs e jornais que registram o avanço na história.

Como funciona a progressão do game?

Ignorar o caminho central muitas vezes é a melhor ideia possível, tanto por garantir mais experiência para Mina quanto por possibilitar encontrar novos equipamentos e acessórios. A experiência do jogo também é seu dinheiro, que é representado por ossos obtidos ao matar inimigos ou ao encontrá-los enterrados no chão.

Quanto mais subimos de nível em Mina the Hollower em categorias como defesa, ataque, recursos para armas secundárias e a capacidade de armazenar ossos em segurança, mais difícil o processo fica. Assim, depois de certo ponto é mais inteligente e recompensador investir em acessórios e upgrades para o inventário da protagonista.

No entanto, guardar dinheiro para comprar um item específico sempre pode cobrar um preço bastante alto. Quando morremos uma vez, o título cria uma espécie de fagulha que, se não for recuperada, deixa a protagonista bastante exposta. Se ela morrer sem recuperá-la, todo o dinheiro obtido até o momento vai embora — e não são raras as vezes em que isso vai acontecer.

O título também usa um sistema de energia que obriga você a ser agressivo. O quanto você vai conseguir encher de sua barra de vida depende de uma barra amarela, que só cresce quando acertamos ataques em inimigos. Ou seja, quanto mais difícil um adversário, mais você vai ter que se arriscar para ter uma chance de continuar lutando.

Mesmo assim, o game da Yacht Club nunca parece injusto ou impossível. Há sim chefes e desafios de plataforma que vão fazer você questionar sua sanidade por continuar jogando, mas um pouco de paciência e cabeça fria sempre ajudam nessas horas. E, justamente por conta da frustração que consegue causar, o título dá uma grande sensação de satisfação quando passamos de algum de seus trechos mais complicados.

Mina the Hollower é um festival de ideias interessantes

Enquanto Zelda sem dúvida é a base das ideias de Mina the Hollower, seus desenvolvedores não se limitaram a imitar a série da Nintendo. A cada bioma que visitamos na aventura, nos deparamos com novos tipos de inimigos, ideias de gameplay e maneiras diferentes de pensar nas habilidades centrais da protagonista.

Uma das áreas mais avançadas, por exemplo, incorpora até mesmo elementos de terror. No melhor estilo do remake de Resident Evil 2, ela passa a fazer com que o chefe do estágio nos persiga, criando um senso de urgência que não existe em outros locais do jogo — e nem mesmo pontos de save são 100% seguros.

Em outra, o grande desafio passa a ser a escuridão, que impede de ver completamente o chão. Já em outros locais, precisamos lidar com cavaleiros rápidos e com proteção quase perfeita, enquanto em outros a água toma conta do cenário e precisamos aprender as capacidades de mergulho de Mina.

No entanto, a parte mais inventiva de Mina the Hollower certamente são seus chefes. Quase todos têm designs bastante marcantes, e muitos surgem em momentos totalmente inesperados, testando se o jogador realmente está atento ao mundo a seu redor e se preparou o suficiente para progredir.

Alguns inclusive são feitos para testar se conseguimos dominar as diversas armas secundárias ou aprendemos a trapacear um pouco com cenários e mecânicas básicas. Sem entrar em grandes spoilers, devo destacar o encontro com uma residência pouco convencional como um dos pontos altos e mais surpreendentes do game.

Mas nem tudo é perfeito

Enquanto Mina the Hollower acerta a maior parte do tempo, isso não significa que ele não tem alguns defeitos. O principal deles é o quanto a experiência tem uma dificuldade que parece desbalanceada, o que geralmente se manifesta na transição de uma área para outra.

Durante o caminho para muitas delas, o game não mede recursos e coloca vários adversários bastante desafiadores em sequência. Enquanto a impressão inicial é que essa foi uma decisão feita para manter o desafio sempre em alta, esse não é o caso. Não raras vezes, foi mais difícil conseguir chegar a um cenário do que vencer os desafios encontrados por lá, que se mostram bem menos intensos do que a fase de transição.

O jogo também incomoda por nem sempre ser totalmente justo em seus desafios. Isso é especialmente evidente em desafios de plataforma que envolvem inimigos. Mesmo que limpemos a área, esses adversários podem reaparecer sem nenhum aviso bem no caminho de um pulo planejado. Com isso, você volta para o início de tudo e precisa recomeçar não por falta de habilidade, mas porque teve azar com o sistema de respawn.

Muitas dessas questões podem ser minimizadas com o vasto sistema de assistências que a Yatch Club oferece e que é capaz de deixar Mina the Hollower bem mais fácil. No entanto, não testamos nenhum deles, tanto para manter a experiência no nível recomendado pelos desenvolvedores quanto pelo fato de que ligar qualquer opção elimina o acesso aos sistemas de conquistas.

Mina the Hollower vale a pena?

Mina the Hollower – Análise – Vale a Pena – Review

Mina the Hollower é aquele tipo de jogo que pode parecer estranho em um primeiro momento, mas logo se revela uma experiência viciante. Por mais que a dificuldade possa ser frustrante, o game recompensa isso com um grande sentimento de conquista, atividades variadas e muitos conteúdos opcionais.

Mesmo com a missão principal terminada, fica a vontade de explorar mais a fundo todos os desafios opcionais, armas não usadas e acessórios não comprados. O título inclusive tem um New Game+ bastante interessante, que permite cumprir alguns de suas conquistas mais complicadas — como terminar sem perder nenhum osso ou gastar nada de dinheiro.

Nem tudo é perfeito, mas, no final das contas, Mina the Hollower se mostra um dos títulos mais memoráveis de 2026. Ele prova que a Yacht Club Games não precisava ter passado a última década explorando somente spin-offs de Shovel Knight e tem uma equipe capaz de fazer experiências tão, senão mais marcantes e merecedoras de sua atenção.

Jogamos Mina the Hollower no PC com uma chave fornecida pela Yacht Club Games.

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Resumo para Preguiçosos

Mina the Hollower é um jogo desafiador com chefes e inimigos memoráveis, vários segredos e diversos sistemas interessantes. A dificuldade pode ser um pouco desbalanceada em alguns momentos, mas isso não distrai do belo trabalho que a Yacht Club Games conseguiu entregar.

Prós

  • Um desafio intenso, mas justo
  • Grande variedade de armas e itens
  • Chefes marcantes e inesperados
  • Biomas com personalidade e obstáculos variados
  • Muitos segredos que recompensam a exploração e a experimentação

Contras

  • Alguns trechos têm uma curva de dificuldade mal ajustada
  • Os malditos inimigos que jogam Mina em abismos