A franquia Metro sempre foi conhecida por trazer uma abordagem mais oldschool e diferente em relação aos FPS que estávamos acostumados na geração passada. Metro Exodus tenta colocar essa franquia num novo patamar ao expandir o conceito inicial de Survival Horror em corredores fechados para um mundo aberto. Será que ele consegue isso? É o que vamos descobrir.

Em Metro Exodus, você controla Artyom, um morador do complexo de metrôs Metro que sempre acreditou que há mais pessoas para fora dos subterrâneos ao qual os russos de Moscou foram condenados a viver após a série de ataques nucleares que atingiram a cidade.

Para isso, Artyom explora não só os metrôs, mas a superfície também, sempre usando o seu rádio comunicador para tentar encontrar sinais de outras pessoas, ainda que ninguém, nem mesmo sua esposa, acredite que ele está certo.

Logo no começo do jogo, como o próprio nome dele sugere, você acaba descobrindo que, sim, Artyom estava certo, e que tudo era uma grande farsa da organização Metro. Agora, Artyom, sua esposa e seus companheiros de esquadrão devem percorrer numa jornada por esse mundo desconhecido tentando limpar a própria barra com o governo de Moscou e também sobrevivendo ao que um mundo pós-apocalipse nuclear tem a enfrentar.

Antes de mais nada, a primeira coisa que os jogadores têm que entender sobre Metro Exodus é que o jogo não é um FPS tradicional onde você encontra munição abundante e mata tudo o que você encontra pela frente. Metro Exodus está mais para o Survival Horror do que um jogo de ação, ou seja, nem sempre você é o caçador, na maioria das vezes, a discrição é muito mais efetiva do que sentar o dedo em tudo o que ousar aparecer na sua frente.

Isso vale tanto para inimigos mutantes quanto para humanos, que acabam também sendo um inimigo dentro deste jogo. Um dos detalhes mais importes do combate é que ele realmente não é fluído como num jogo de FPS normal. Armas emperram, a mira de Artyom é péssima, a sua máscara acaba suja de vapor e neve e coisas do tipo. Muitas vezes vale mais a pena evitar o combate, ou até fugir de inimigos, do que realmente enfrentá-los, e mesmo quando o jogo realmente recomenda isso, parece que o sistema de tiroteio, pelo menos no Xbox One, deixa um pouco a desejar.

Como eu mencionei acima, você enfrenta tanto inimigos humanos, que, via de regra, são outros sobreviventes vivendo pela Rússia, quanto outros mutantes. Os inimigos mais tranquilos de se enfrentar certamente são os humanos, seja porque é possível matá-los usando stealth, seja porque eles carregam balas consigo e te dão elas quando morrem. Isso não acontece com os mutantes, e se você decidir bancar o John Wick, você logo vai se ver sem balas e em meio a um monte de ameaças reais.

Os inimigos mutantes do jogo têm alguma variação, mas eu sinceramente achei que eles poderiam ser melhor feitos. Um exemplo bom do que eu estou falando é no “camarão/barata” ou seja lá o que for do mar que você encontra na segunda hora de jogo. Quando você enfrenta ele dentro da água, ele oferece um desafio médio, mas quando você enfrenta ele fora da água, o monstro acaba ficando totalmente desengonçado e isso meio que mata a imersão do tom ameaçador que ele deveria ter.

Um ponto positivo a ser ressaltado é que a 4A Games conseguiu adaptar de maneira competente a fórmula de Metroi 2033 e Metro Last Light para Metro Exodus, apesar do jogo ter perdido um pouco da tensão dos seus antecessores. O jogo não tem exatamente um sandbox por se dizer, na verdade ele acaba seguindo o esquema de Wolfenstein, onde você tem um mapa por fase e você deve explorá-lo conforme o jogo te manda.

Como você faz parte de uma expedição, há diversos colegas com Artyom, além da esposa e do sogro dele. Aqui, eu acabei achando de longe a parte mais fraca do jogo, porque a dublagem em inglês é simplesmente muito ruim, e a atuação dos personagens em si também não ficou boa. Os modelos deles até que são bonitos, mas sem vida e sem expressões também.

Quando eu quero dizer que a atuação é muito ruim, eu quero dizer que ela realmente é ruim a um ponto em que eu queria mais era que as cenas de interação com outros personagens corresse o mais rápido possível. Para você ter uma ideia, eu peguei um ódio mortal pela esposa de Artyom, e acabei torcendo pra que ela morresse de uma vez para que ele não precisasse interagir mais com ela (eu não vou te contar se isso acontece ou não).

Outro ponto a ser ressaltado em Metro Exodus são os longos tempos de carregamento quando o jogo inicia, levando quase 2 minutos para que o mapa seja completamente carregado, e também demorando um pouco entre uma morte e outra. Isso acaba incomodando, ainda mais quando você ainda não pegou o jeito de Metro Exodus e fica morrendo uma vez atrás da outra. Além disso, o jogo travou comigo algumas vezes. Pode ser que isso seja corrigido no futuro, mas vale o registro.

Graficamente, Metro Exodus tem seus altos e baixos. Os cenários do jogo realmente são bonitos, mas eles não contrastam de uma forma legal com os modelos dos personagens, que estão inferiores em qualidade em relação ao mundo que eles habitam. No fim das contas, fica parecendo até que a gente pegou uma versão de Fallout 3 para PC e colocou um mod de gráficos em alta resolução no jogo, pois esses modelos inferiores e o trabalho fraco nas interações entre os personagens acaba ficando mais evidente ainda.

Como eu comentei anteriormente, a dublagem americana do jogo não é boa. Há quem diga que o jogo fica melhor em russo, mas eu prefiro jogar num idioma que eu consiga entender o que os personagens estão falando sem precisar ler legendas a todo momento. Para completar, a trilha sonora do jogo faz um bom trabalho de fundo.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One fornecida pela Deep Silver.

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