Marvel’s Wolverine – Análise Vale a Pena – Review

Marvel’s Wolverine é o grande destaque da lista de exclusivos de PlayStation 5 desse ano, com a proposta de trazer uma aventura original para um dos heróis mais icônicos da Marvel. Mas será que a Insomniac consegue entregar um bom jogo do personagem?

Critical Hits
Receba as melhores ofertas em Games, Informática e Tecnologia no seu celular

Youtube video

PUBLICIDADE

Em Marvel‘s Wolverine, como o próprio nome sugere, controlamos o personagem mais famoso do universo dos X-Men em uma aventura original dentro de um universo também original. Nesse universo, Logan é recrutado não por Charles Xavier, e sim por Nathaniel Essex, para fazer parte não dos X-Men, e sim o Time-X, uma equipe de proteção os mutantes num mundo onde existem pouco mais de 10 mil deles composta por Wolverine, Dentes de Sabre, Mística e Fera e outros mutantes.

Marvel's Wolverine - Análise  Vale a Pena - Review

No começo do jogo, vemos Wolverine voltando ao Time X após ter deixado a equipe, numa missão de resgate a Essex, que foi capturado por Bolivar Trask, um homem que é dono de uma companhia de segurança que caça sistematicamente os mutantes e que encontrou uma forma de identificá-los entre as pessoas normais e que começou o desenvolvimento do programa que virá a ser as Sentinelas.

A história do jogo é boa e faz um bom serviço em estabelecer o mundo do jogo, desenvolver seus persoangens e traz uma boa conclusão, mas aqui é importante ressaltar: esse é um mundo à parte. Nele, personagens como Wolverine e Dentes de Sabre não possuem a relação de arqui-inimigos que os quadrinhos dos X-Men apresentam, o que pode causar estranheza, ou até repulsa em alguns. Além disso, Jean Grey é parte fundamental do jogo e o interesse romântico de Logan durante a história, num mundo em que o Ciclope não existe. Assim como o combate, a história do jogo começa simples e melhora a cada ato do jogo.

Marvel's Wolverine - Análise  Vale a Pena - Review

Caso você esteja esperando um jogo na pegada Marvel’s Spider-Man, a primeira coisa que precisamos estabelecer é que esse jogo é bem diferente, ele é muito mais puxado pro hack and slash do que para o combate “derivado” de Batman Arkham que o jogo do Homem Aranha tem. Além disso, ele é muito, mas muito mais brutal também. Wolverine não tem nenhum pudor em matar e retalhar seus adversários, e a violência do jogo é super gráfica e extremamente satisfatória, com empalações, desmembramentos e assim por diante acontecendo a todo momento.

O sistema de combate do jogo é complexo o suficiente para não se tornar chato. Você tem um ataque médio, um ataque forte, um golpe que serve para tontear inimigos, mas que só funciona em situações específicas, especiais diversos que você vai desbloqueando conforme sobe de nível e uma barra de fúria que vai subindo quanto mais vítimas você faz durante o combate. Se ela chegar no último nível, Wolverine enxerga tudo em preto, branco e vermelho e você transforma o combate num verdadeiro massacre, com ele demolindo tudo e todos que ousarem parar no caminho dele.

Além disso, o combate também tem um esquema de aparos e esquivas que servem para você evitar ataques físicos, à distância e indefensáveis dos seus adversários, e que via de regra são bem fáceis de serem executados, já que os inimigos piscam na cor azul quando é para aparar (ou amarelo em ataques especiais) e vermelho quando você precisa desviar. O sistema de combate do jogo começa bem simples, mas evolui tanto em habilidades quanto em diferentes tipos de inimigos ao longo da campanha para ele não se tornar repetitivo.

O fator de cura de Wolverine é um dos pontos centrais do jogo também, não só como parte da história, mas do combate também, já que você constantemente está sendo cortado e alvejado pelos inimigos, e caso você tenha pelo menos uma barra de fúria, você pode recuperar sua vida para mais uma chance caso ela acabe. Além disso, há momentos em que as suas habilidades como mutante são negadas e aí você tem que se virar não só com a vida que você tem sem regeneração temporária, mas também lidar com o envenenamento por Adamantium, que deixa Wolverine consideravelmente mais fraco.

Marvel's Wolverine - Análise  Vale a Pena - Review

O jogo também oferece diversos chefes ao longo da campanha, como outros mutantes, robôs gigantes e coisas do tipo, e os combates são bem épicos, ainda que em alguns momentos sejam meio fáceis na dificuldade normal do jogo, mas não houve nenhuma luta contra chefe que eu tenha realmente desgostado, ainda que o primeiro chefe do jogo me pareceu meio mal colocado na história, já que na minha lembrança, ele era um inimigo muito mais poderoso do que um primeiro chefe.

Além das sessões de combate e de história, o jogo também conta com partes de perseguição de moto, o veículo clássico das histórias do Wolverine, e que funcionam bem para apresentar alguma ideia diferente dentro de um jogo que seria bem cansativo se ele se resumisse andar do ponto A ao ponto B, bater em tudo o que você vê pela frente, ver uma cutscene e repetir esse processo.

Marvel's Wolverine - Análise  Vale a Pena - Review

Apesar de ser um bom jogo no que ele se propõe, Marvel’s Wolverine tem defeitos cruciais em sua concepção que infelizmente tiram uma parte importante do brilho do jogo, e estes são dois principais.

O primeiro deles, é o fato do jogo tratar o jogador como um idiota. Não tem como colocar isso de uma forma menos franca: o jogo exagera demais ao segurar a mão do jogador durante boa parte do tempo, e há dois exemplos cruciais nisso: o primeiro são os Quick Time Events. Apesar do discurso online, há sim quick time events em que é possível falhar e até morrer e ter que repetir partes do jogo, mas no geral eles são tão poucos que parece mais que não tem como falhar em nenhum QTE do jogo.

Marvel's Wolverine - Análise  Vale a Pena - Review

Há muitos momentos em que o jogo te pede para apertar um botão e não há nenhuma penalidade em apertar outro, mas também há (poucos) momentos em que se você errar, o jogo te pune fazendo você perder vida ou até te matando, mas ainda assim, a impressão é estranhíssima.

Além disso, o jogo também exagera nas opções de acessibilidade ligadas por padrão. Além do marcador de objetivo que você pode ativar com o R3, Wolverine automaticamente sente o cheiro dos seus objetivos e inimigos e não tem como desativar isso, e pior, esse cheiro liga com uma cor azul berrante que não tem como não ver na tela. Isso quebra demais a imersão do jogador, e seria muito melhor se esse cheiro fosse ativado pelo R3 ao invés de ficar ligado sempre e fosse numa cor mais suave ou algo do tipo.

Marvel's Wolverine - Análise  Vale a Pena - Review

A impressão que o jogo passa é que o jogador pode se perder a qualquer momento, mas isso é praticamente impossível em muitos momentos, já que o jogo é lienar em boa parte do tempo. Ok, há momentos em que daria para se perder um pouco em alguns ambientes que não sejam corredores, mas mesmo assim, o jogo exagera nesse medo do jogador perder o rumo, o que dá a impressão de que o jogo constantemente subestima o jogador.

Por fim, o último problema do jogo é o fato dele praticamente não ter conteúdo extra nenhum além da campanha principal. Durante o jogo, você tem dois tipos de colecionáveis: placas de nanomaterais que servem para desbloquear novas roupas para o Wolverine, que são obtidas em baús espalhados pelas fases, e garrafas de Uísque, que servem para você desbloquear novas habilidades. Além delas, o jogo também oferece desafios que aparecem durante as fases, e que servem para mostrar o Wolverine enfrentando fantasmas do passado de desbloqueando memórias, além de buffs que servem para facilitar a sua vida durante o jogo.

Esses desafios em questão são divertidos, mas dá para terminar a campanha do jogo fazendo quase 100% dele, e fora o que restou desses colecionáveis e um que outro desafio que você não tenha feito 100%, não há nada mais para fazer após terminar o jogo além de jogar a campanha mais uma vez num nível de dificuldade maior, o que também não é realmente necessário já que o jogo não tem troféu de dificuldade.

Eu terminei o jogo em 16 horas com quase todos os troféus do jogo pegos e todos os desafios da campanha concluídos, e provavelmente levo mais umas 2 ou 3 horas para fechar o que falta, ou seja, para fazer tudo o que Marvel’s Wolverine tem a oferecer o jogador médio deve levar até 20 horas, o que é muito pouco para um jogo de R$399 ou 70 dólares, infelizmente. Graficamente, Marvel’s Wolverine é um belo jogo com bons gráficos, ótima performance, boas cutscenes e boa atuação, além de ótima dublagem dos seus atores originais. A trilha sonora do jogo também é boa e cumpre bem ao que se propõe.

Mas e aí, Marvel’s Wolverine vale a pena?

Marvel’s Wolverine é um jogo que tem aquela energia de jogo da época do PS2 e PS3 que a gente reclama que não são mais feitos hoje em dia, com um bom combate e história, mas ele segura demais a mão do jogador com guias e momentos em que não tem como você falhar, além de não ter praticamente nenhum conteúdo após o fim da campanha principal. Dessa forma, é muito melhor recomendar esperar por uma promoção do que pagar o preço cheio do jogo.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PS5 fornecida pela publisher.

Resumo para Preguiçosos

Marvel’s Wolverine apresenta uma aventura original de Logan em um universo próprio, com uma história que melhora ao longo da campanha e explora relações diferentes das vistas nos quadrinhos, como Wolverine e Dentes de Sabre sem a rivalidade tradicional. O combate é mais próximo de um hack and slash, com ataques, esquivas, aparos, habilidades especiais e um sistema de fúria que torna as batalhas bastante brutais. O jogo também conta com chefes, perseguições de moto e uma boa apresentação audiovisual, com gráficos, desempenho, dublagem e trilha sonora de qualidade.

Apesar dos pontos positivos, Marvel’s Wolverine tem problemas como o excesso de assistência ao jogador, incluindo o sistema de cheiro ativado constantemente e alguns QTEs pouco relevantes, além da quantidade limitada de conteúdo após o fim da campanha. A aventura dura cerca de 16 a 20 horas para quem busca completar praticamente tudo, com poucos motivos para retornar além de colecionáveis restantes e uma dificuldade maior. Por isso, embora seja um bom jogo, a duração reduzida pode pesar diante do preço de R$ 399 ou US$ 70.

Prós

  • Bom sistema de combate
  • Boa história
  • Belos gráficos e trilha sonora

Contras

  • O jogo subestima a inteigência do jogador em muitos momentos
  • Praticamente nenhum conteúdo extra após você terminar a campanha do jogo
Eric Arraché
Eric Arrachéhttps://criticalhits.com.br
Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.