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Little Goody Two Shoes – Análise – Vale a Pena – Review

Desenvolvido pela AstralShift e publicado pela Square Enix, Little Goody Two Shoes é um game que transita por vários gêneros de maneira bastante surpreendente. Enquanto a princípio ele parece ser um gerenciador de relacionamentos com alguns minigames, não demora até que ele se revele uma experiência mais sombria com toques leves de survival horror em suas mecânicas.

Reprodução: Little Goody Two Shoes

No game somos apresentados à jovem Elise, uma jovem com bom coração, mas que também pode ser um tanto grossa e mesquinha em seus desejos. Após a bondosa avó que a adotou quando criança morrer, ela vive sozinha próxima a uma cidade profundamente religiosa, fazendo pequenas tarefas para ter o que comer — enquanto isso, ela sonha com a fuga do local e com uma vida mais luxuosa.

As coisas começam a mudar um pouco no dia em que ela encontra um par de sapatos vermelhos muito bonitos, que desencadeiam uma série de eventos sinistros. Usando uma estética de livros de conto de fada, o game consegue misturar muito bem momentos leves a uma aura sinistra, que indica que a beleza e a “bondade” que vemos no mundo é somente fachada para algo muito sinistro.

Little Goody Two Shoes é metade sobre tarefas, metade sobre pesadelos

Reprodução: Little Goody Two Shoes

Após uma introdução relativamente curta, Little Goody Two Shoes deixa claro que se baseia em um ciclo de jogabilidade bastante previsível. Durante o dia, o jogador pode usar três períodos para se dedicar ao trabalho, interagir com NPCs (melhorando seu relacionamento com eles) ou explorar o mundo.

Muitas dessas tarefas vão consumir um período completo, bloqueando o jogador de fazer as demais que estão disponíveis. Assim, é preciso encontrar um equilíbrio entre o que você quer ou precisa fazer — fique sem trabalhar muito tempo, por exemplo, e não será possível ter o dinheiro necessário para comprar itens que curam Elise e mantém seu estômago cheio.

Da mesma forma, em alguns momentos você será forçado a abrir mão de desenvolver o relacionamento com uma pessoa, já que marcou um encontro com outra no mesmo horário. Suas decisões vão moldar o desenvolvimento da história, que tem um total de 10 desfechos diferentes (alguns deles bastante trágicos).

Reprodução: Little Goody Two Shoes

Enquanto as conversas sobre relacionamento seguem o padrão de dating sims (sem dar muitas opções de diálogo para o jogador), as tarefas para ganhar dinheiro são feitas na forma de minigames divertidos. A AstralShift prestou muita atenção a cada uma delas, criando interfaces e soluções de mecânica que lembram muito alguns títulos para arcade da década de 1990.

À noite surgem os elementos de survival horror do jogo, que se desenvolvem durante os pesadelos frequentes que Elise possui. Nesses momentos, Little Goody Two Shoes não chega a ficar uma experiência assustadora, mas pode ser bastante tensa — e um pouquinho frustrante. Como a protagonista é frágil, ela não tem nenhuma arma e tudo o que pode fazer é fugir de seus oponentes.

Enquanto isso funciona bem nos cenários de puzzles, o game pode ser particularmente frustrante nas sequências de perseguição. Em muitas delas pode ser necessário repetir suas ações múltiplas vezes até que você consiga decorar a posição das diversas armadilhas aleatórias que surgem pelo caminho. Infelizmente, não é em somente um cenário em que isso acontece.

Reprodução: Little Goody Two Shoes

O título também falha um pouco em explicar o deseja que o jogador faça para progredir, o que pode acabar estendendo alguns desafios por um tempo artificialmente alto. Nesses casos, não há como julgar alguém que prefira recorrer a um guia para pelo menos entender o que está sendo exigido a ficar horas travado na aventura.

Apesar de ter seus problemas, essa dinâmica entre dia e noite funciona bem, especialmente porque, mesmo em seus momentos diários, Little Goody Two Shoes deixa claro que estamos em um mundo sombrio. Seja através dos bilhetes que deixa ou dos encontros assustadores que temos, o game deixa claro que se sentir totalmente seguro é um erro.

Reprodução: Little Goody Two Shoes

Para completar, o jogo também trabalha bem o lado sórdido de seu universo através de um sistema de “suspeitas”. Como todos os acontecimentos sombrios são ligados à suposta presença de uma bruxa, você precisa agir de forma que a população local não acredite que Elise é a responsável por tudo — o que pode envolver até mesmo subornos para evitar que o nível de suspeita suba.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PS5 fornecida pela publisher.

Resumo para os preguiçosos

Misturando diversos gêneros, Little Goody Two Shoes é um jogo muito mais complexo do que parece entregar em um primeiro momento. Misturando simulador de namoro com terror psicológico, o game peca um pouco em alguns pontos, mas consegue entregar uma experiência intrigante que estimula seguir cada dia. Talvez não o suficiente para desvendar seus dez finais, mas o bastante para que você queira descobrir os segredos centrais de sua trama.

Nota final

80
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Uma ótima mistura de gêneros
  • Clima sombrio mesmo nos momentos diários
  • Um bom elenco de personagens
  • Ambientação de contos de fada com um visual retrô de animes dos anos 1990

Contras

  • Alguns desafios se baseiam no famoso “falhar para tentar de novo”
  • Nem sempre explica bem a proposta de seus puzzles
  • Tem decisões que bloqueiam o avanço, mas que não ficam muito evidentes
  • Nada de legendas em português