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Life is Strange: True Colors – Review

Life is Strange: True Colors é o terceiro jogo da franquia da Square Enix, que também conta com dois spin-offs. O game já foi muito bem recebido desde o seu anúncio, e a ansiedade pelo título só foi aumentando conforme novas imagens e vídeos eram liberados pelo estúdio. No entanto, será que o novo Life is Strange realmente vale o hype?

Na trama, você joga com a jovem Alex Chen, que passou oito anos dentro de um reformatório. Você já percebe algumas das características e fardos da personagem logo no início do jogo, onde ela está em uma consulta com uma psicóloga. Depois, você segue em direção a uma nova vida em Haven Springs ao lado do seu irmão, Gabe, que conseguiu encontrar Alex depois de uma separação infeliz e abrupta.

Algo que chama bastante a atenção na chegada à Haven Springs são os gráficos do game. A cidade de Haven, que fica no estado de Colorado, nos Estados Unidos, conta com paisagens de tirar o fôlego. O clima de cidadezinha do interior transmite uma sensação de comodidade e pertencimento, algo que Alex até este ponto da história ainda não tinha experienciado. Por isso, será difícil jogar e não se encantar pelas particularidades de Haven – e pelos outros personagens também.

Ao longo de Life is Strange: True Colors, você é apresentado a um mundo totalmente diferente do que foi vivido por Alex. No entanto, ela ainda é a mesma jovem “problemática” com um dom (ou será maldição?) inexplicável: ela consegue entender e absorver as emoções de outras pessoas. O modo como isso é feito no jogo pode causar estranheza no início, mas você se adapta rapidamente à dinâmica dos controles. Além disso, esse poder evolui ao longo do tempo, fazendo com que Alex possa revisitar lembranças apenas ao entrar em contato com objetos, por exemplo. Compreender e acompanhar a relação da personagem com essa energia é bastante interessante, já que ela explica essa “maldição” de uma forma única e intrigante.

É importante ressaltar, ainda, que o poder de Alex não se limita as suas ações na trama. No menu interativo do jogo, você tem acesso a um diário com explicações de cada um dos sentimentos já internalizados pela jovem. Se no começo as cores distintas das auras dos NPCs causavam dúvida, agora as interações ficavam bem mais claras com as anotações do caderno secreto de Alex. Felizmente, essas reflexões são feitas de forma automática; sempre que você usa o seu poder, poderá consultar os textos no diário quase de imediato, o que torna o progresso do game mais prático. Além disso, Alex também compõe músicas baseadas nas emoções que vivencia, outro aspecto da formidável individualidade de Alex.

Assim como nos títulos anteriores, Life is Strange: True Colors conta com uma trilha sonora impecável, com músicas que parecem encaixar perfeitamente nas situações vividas pela protagonista. Como Alex também tem uma afinidade com música, suas idas a jukebox do Lanterna Negra podem trazer um toque “a mais” nas cenas em que você joga no local.

Outra novidade são as duas máquinas de arcade disponíveis a praticamente qualquer momento. Se a falta de tomada de ação pode afastar alguns possíveis jogadores, já que o game não proporciona desafios que dependem da habilidade com o controle, esses dois fliperamas podem atrair esse tipo de player, com dois jogos 8 bits e recordes a serem quebrados. Para quem prioriza o movimento à história, essa conexão com o arcade pode trazer um pouco da emoção que você precisa.

Como não podia ser diferente, muitas das suas escolhas interferem no final que você terá em Life is Strange: True Colors. O game ainda traz decisões difíceis e momentos que te fazem pensar “Será que isso é uma pegadinha?”. De qualquer modo, são 6 finais disponíveis, todos baseados nas suas interações, relacionamentos, decisões e conhecimento adquirido até então. Por isso, é importante que você tome um tempo para explorar e assimilar tudo o que o jogo te proporciona.

Parte dessa exploração, inclusive, tem efeito nas “histórias secundárias”, em que Alex consegue ajudar os moradores de Haven Springs com suas questões internas. Sempre que tiver a oportunidade, portanto, não deixe de usar o seu poder para promover um impacto positivo na comunidade.

Um ponto alto de Life is Strange: True Colors é o capítulo destinado à LARP, sigla de Live Action RPG. Mesmo se você não tiver experiência com o role-playing game, com certeza irá se divertir com as aventuras do cavaleiro e do bardo. A jogabilidade da trama já combina bastante com esse estilo de jogo, e a sensação é que você está conhecendo outro mundo, com novos personagens e uma história tão instigante quanto a principal. É uma surpresa bastante positiva, especialmente para quem já curte RPG.

As palavras-chave para o jogo, pensando em todos os capítulos, são empatia e resiliência. Isso, combinado com o poder de Alex, os mistérios de Haven Springs e as escolhas individuais, faz com que o game proporcione uma grata jornada, digna de mexer com as suas emoções, assim como aconteceu nos títulos anteriores da franquia. O plot twist e os finais em si são completamente recompensadores, mas a forma com que o capítulo final foi apresentado gerou uma quebra de expectativa, já que pareceu apressado. Mesmo assim, não contribuiu para que a experiência final fosse totalmente negativa – muito pelo contrário.

Mas e aí, Life is Strange: True Colors vale a pena?

A resposta curta é: sim.

Quando você pensa que não há mais nada para acrescentar na franquia, vem True Colors para te mostrar que você está absolutamente errado. A protagonista é ótima, o poder é instigante, os cenários são lindos e a história te prende, com um bom mistério e o desejo de fazer justiça. Mesmo com alguns contras, que citaremos um pouco mais abaixo, a sensação é que o título cumpriu com o seu papel – ainda mais por ter apostado, novamente, na representatividade, com personagens de diversas cores, corpos e orientação sexual.

Resumo para os preguiçosos

Life is Strange: True Colors ensina muito sobre empatia e resiliência enquanto você mergulha em uma história rica e fascinante. Apesar de seguir muito do que já foi apresentado nos jogos anteriores, as novidades empolgam e fazem com que você se envolva cada vez mais na jornada. Desde um novo poder até um Live Action de RPG, passando pelo vínculo com a música até os fliperamas com jogos 8 bits, o terceiro título da série da Square Enix mostra que ainda há espaço para narrativas comoventes e representatividade dentro dos jogos – e que bom.

Nota final

90
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Prós

  • Os gráficos são lindos
  • A possibilidade de ajudar as pessoas além da trama principal é gratificante
  • O capítulo destinado ao RPG é incrível
  • O diário e as conversas no celular da Alex são uma boa assistência durante o jogo
  • Os fliperamas com homenagens aos jogos 8 bits são divertidíssimos
  • A história prende e não perde para os títulos anteriores em emoção e expectativa de escolhas difíceis

Contras

  • O primeiro capítulo deu uma leve travada e apresentou um erro de dublagem, onde o personagem falava e não saía nenhum som da boca dele
  • O design do menu interativo não agrada tanto, visualmente
  • Ter que esperar carregar sempre que você entra e sai de um lugar é bastante incômodo, e faz com que o jogo fique um pouco cansativo
  • A rede social exclusiva de Haven Springs, o My Block, não é tão interessante, somente em algumas partes específicas do game
  • A dinâmica do último capítulo é inferior e um pouco apressada, mas o plot twist e os finais são bons
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