Batman é tranquilmanete o super herói mais popular da história dos quadrinhos, e um dos que mais receberam adaptações em jogos de videogame, sendo a sua mais recente o jogo Batman: Legado do Cavaleiro das Trevas. Com a proposta de trazer uma abordagem mais lúdica ao universo do Homem Morcego, será que o jogo consegue trazer o suficiente para entreter tanto os jovens quanto os mais velhos?

Em Batman: Legado do Cavaleiro das Trevas, o que encontramos é um jogo que pega o que tem de melhor da história recente do Cavaleiro Encapuzado nos cinemas e também nos games, ou seja, a Trilogia do Nolan e Batman Arkham, toma algumas liberdades criativas e dá o tratamento lúdico dos jogos de LEGO que a gente tá acostumado a jogar, como Lego Marvel, os próprios Lego Batman e Lego Star Wars e transforma tudo isso num jogo.

Se você jogou Lego Star Wars: A Saga Skywalker de 2022, você vai ter uma boa ideia do que vai encontrar por aqui, ou seja, sessões de missão em algum cenário fechado, sessões em “mundo aberto”, que nesse caso é Gotham City, e cutscenes que fazem a história avançar. A história do jogo em si não é ruim, mas é muito importante lembrar que esse é um jogo feito para crianças, e não para adultos de 30 anos, então se você acha que vai encontrar um jogo sombrio estilo Batman Arkham City, você provavelmente vai se decepcionar com o conteúdo do jogo. Ele tem combate de Arkham City, vilões de Arkham City e tudo mais, mas é um jogo bobinho que talvez seja mal recebido por alguns por estarem esperando uma coisa completamente diferente que ele nunca se propôs a ser.
É importante deixar isso bem claro porque faz quase 10 anos do último Batman Arkham, e assim como muita gente, eu gostava pra caramba da franquia e queria muito um novo capítulo dela, e apesar de Lego Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas ter diversos momentos em que ele lembra isso, ele não é, ou melhor, até é, mas para crianças.
O combate do jogo é exatamente o mesmo sistema que estamos acostumados nos jogos da Warner Bros dos anos 2010, com ataque no Quadrado, desviar no círculo, Bloquear no Triângulo, pular por cima dos inimigos com escudo para atacá-los pelas costas, combos parecidos e assim por diante, mas num nível de dificuldade muito mais fácil, afinal, a ideia é que ele não seja frustrante para uma criança que tem pouca bagagem em jogos do tipo.
Os puzzles também são bem mais simples, e a maioria deles envolve você quebrar certas estruturas e construir outras usando os blocos de LEGO, além de alguns minigames específicos para alguns dos personagens, que são 5 ao todo: Batman, Comissário Gordon, Robin, Mulher Gato e Batgirl, e que vão sendo desbloqueados conforme você avança na campanha.
A campanha de Lego Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas é uma campanha até que divertida, mas a única novidade que ela apresenta ao longo do jogo é o gameplay com os personagens diferentes, que não é tão diferente assim. O Batman possui o Batarangue e o Gancho de puxar coisas, além do gel explosivo, visão de raio x e térmica e assim por diante, o Robin pode colocar uma corda entre dois ganchos, usar as tonfas dele pra arrombar portas, a Batgirl hackear coisas e usar o drone dela para chegar em lugares mais altos e afins, mas a maioria das missões é basicamente o mesmo template de bater nos inimigos, construir algo pra ir para a próxima parte, usar os gadgets dos personagens (que basicamente é trocar o personagem, apertar um botão, ver a animação e seguir) e de vez em quando enfrentar um chefe, que em muitos casos se comporta como um inimigo normal com muito mais vida.
Não é que eu esperasse alguma grande profundidade de gameplay no jogo, mas o fato dele ser um Batman Arkham muito simplificado acaba deixando o jogo meio cansado do meio pro fim, principalmente depois do capítulo 4.
Para compensar essa parte, o jogo tem um mundo aberto cheio de atividades para você explorar, mas assim como em outros jogos da série LEGO, essas atividades são basicamente uma coleção interminável de itens que você tem que pegar pelo cenário. Há por exemplo duzentos baús com chips da Waynetech para você encontrar por aí. Alguns estão só esperando você pegar, outros têm algum quebra-cabeça para resolver, outros são guardados por inimigos. Além disso, também tem os enigmas do Charada, desafios de corrida, treinamentos de Realidade Virtual, torres que mostram tudo o que uma área do mapa tem de atividades, animais do zoológico, platnas da Hera Venenosa e assim por diante. Dá pra tranquilamente triplicar o tempo de partida da campanha indo atrás de tudo o que o jogo tem a oferecer, mas é importante ressaltar que boa parte do mundo aberto do jogo só vai ficar disponível depois que você obtém os 5 personagens jogáveis.
Essa maratona de colecionáveis, aliás, não é só no mundo aberto do jogo. Toda fase maior possui algum item destrutível do cenário que você precisa encontrar 5 para acabar virando um enfeite da Batcaverna, além de um bloco vermelho, aumentando o fator replay ou o tempo de casa fase de quem estiver buscando pelo 100% do jogo.
Além disso, o jogo também permite coop local, e eu joguei umas duas horas da campanha com a Antonella, a minha filha mais nova. Ela gostou pra caramba do jogo e se adaptou bem com o esquema de combate estilo Arkham. Imagino que com um pouco mais de experiência, ela poderia tranquilmante jogar um Batman Arkham de verdade, ou até um Mad Max ou Shadow of Mordor com o que aprendeu aqui, que, apesar de ser bem simplificado, serve como uma introdução legal para esse tipo de gameplay.
Graficamente, Lego Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas é um jogo bonito, mas que tem alguns problemas de performance. Não foi uma nem duas vezes que eu senti quedas de framerate no jogo, e isso é ainda mais frequente no modo de tela dividida. Por fim, a trilha sonora do jogo ficou boa e a dublagem em português também ficou bem legal, feita daquele jeito que vai agradar o público alvo do jogo.
Mas e aí, Lego Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas vale a pena?
Lego Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas é um Batman Arkham para crianças pro bem e pro mal. Se você estava esperando que esse jogo fosse ser um Arkham City 2, você talvez se decepcione com a falta de profundidade do jogo, mas ele é divertido e certamente vai agradar o público alvo dele, você só talvez não faça parte dele.
Review elaborado com uma cópia do jogo para PS5 fornecida pela publisher.
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Resumo para Preguiçosos
Lego Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas adapta o universo do Batman em um formato mais leve e voltado para crianças, misturando elementos da trilogia de Christopher Nolan, dos jogos Batman Arkham e do estilo clássico dos títulos LEGO. O jogo acompanha a origem de Bruce Wayne, sua volta para Gotham e o combate ao crime com um tom mais humorado e simplificado. A estrutura segue o padrão recente dos jogos LEGO, alternando missões lineares, exploração de Gotham em mundo aberto e cenas que avançam a narrativa. Apesar de lembrar bastante a franquia Arkham no combate e nos vilões, o foco aqui é acessibilidade para um público infantil, com dificuldade reduzida e mecânicas simples.
O combate utiliza o sistema clássico da Warner Bros., com combos, contra-ataques e gadgets, mas de forma muito mais básica. Os personagens jogáveis possuem habilidades específicas, porém as missões acabam repetindo a mesma fórmula ao longo da campanha, o que pode tornar a experiência cansativa depois de algumas horas. O mundo aberto adiciona bastante conteúdo extra com colecionáveis, enigmas e desafios, aumentando bastante o tempo de jogo para quem busca completar tudo. O cooperativo local também funciona bem, especialmente para crianças, servindo até como introdução para jogos de ação mais complexos. Visualmente o jogo agrada, embora tenha quedas de desempenho em alguns momentos. No geral, o texto conclui que o jogo diverte dentro da proposta, mas pode decepcionar jogadores que esperavam algo no nível de profundidade dos títulos Arkham.
Prós
- Boa recriação lúdica de Batman Arkham
- Toneladas de conteúdo extra
- Boa história da campanha
Contras
- A falta de profundidade do jogo cansa do meio pro fim
- Boa parte das atividades do mundo aberto só fica disponível quando você obtém todos os personagens
- Performance com quedas de framerate notáveis durante o gameplay








