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Jump Force – Review

Jump Force foi apresentado pela primeira vez na E3 2018 com uma proposta bem clara, ser um dos mais ambiciosos crossovers de animes e mangás da história, que celebraria os 50 anos da Shonen Jump, a mais famosa revista de mangás do mundo.

Naruto, One Piece, Dragon Ball, Hunter X Hunter, Bleach e muito mais, eram basicamente as maiores franquias shounens que percorriam diversas gerações. Obviamente, logo de cara o título chamou a atenção tanto dos otakus de carteirinha, como dos fãs mais casuais que poderiam jogar com diversos personagens que permearam a infância daqueles nascidos nas décadas de 80,90 e começo do anos 2000.

Com esse escopo invejável e tendo nas mãos obras reconhecidas mundialmente, Jump Force infelizmente não aproveita um potencial incrível, criando uma aventura genérica e quase ausente de qualquer carisma.

Começando pela história, em Jump Force você é um humano comum que de repente se encontra no meio de um conflito onde heróis e vilões das páginas dos mangás estão batalhando no mundo real. Após ser atingido por um golpe mortal de Freeza (graças a desatenção de Goku), você é trazido de volta como um herói por um misterioso artefato chamado Cubo Umbras, o permitindo aprender as habilidades de todos esses personagens.

Após customizar o seu avatar da forma mais otaku possível e passar por uma luta de tutorial, finalmente somos apresentados a Jump Force, uma organização que está unindo os heróis desses diferentes universos para tentar entender quem é o responsável por essa colisão de mundos.

Inicialmente, descobrimos que o mesmo artefato que lhe concedeu os poderes também está sendo usado para reviver pessoas como lacaios, que são chamadas de “Venoms”. Assim, você precisará escolher entre três equipes lideradas por Goku, Luffy e Naruto, para combater o avanço dos Venoms e libertar outros heróis, já que aparentemente os Cubos Umbras também estão os corrompendo.

E é basicamente isso que você vai fazer durante todo a campanha, ser teletransportado para algum lugar do mundo, lutar contra Venoms, heróis corrompidos ou alguns poucos vilões. Logo de cará já é possível notar enormes oportunidades desperdiçadas pelos diálogos engessados da história. Estamos falando dos animes mais populares do mundo, e a melhor piada que o jogo consegue fazer é que Naruto e Goku gostam de comer bastante. Existe uma ou outra interação um pouco mais carismática, como Yusuke chamando Goku de velhote, Gaara menosprezando ainda mais o Freeza, ou Boruto dialogando com Midoriya. Mas no geral, as falas são bem genéricas.

Para tirar logo esse elefante da sala, sim, os gráficos de Jump Force são extremamente questionáveis. Como já era perceptível nos trailers, o jogo apenas confirma que o visual de alguns lutadores ficou no mínimo esquisito. E querendo ou não, esse era um problema quase que inevitável, pois criar modelos 3D realistas de personagens pensados em 2D já é um tarefa complicada, ficando ainda mais difícil quando se está lidando com personagens tão diferente.

Embora sejam todos mangás shounens, os traços de Eiichiro Oda, Masashi Kishimoto, Akira Toriyama, Yoshihiro Togashi, são bem distintos e tentar apenas jogá-los em um modelo 3D obviamente resultaria em algumas coisas bem feias. Mesmo após algumas horas de jogo, o visual de alguns personagens ainda incomoda, principalmente aqueles muito musculosos ou com um modelo grande, como basicamente todo elenco de Dragon Ball ou o Barba Negra de One Piece. Lutadores com um corpo mais “normal”, como Gaara, Kakashi e Ichigo funcionam um pouco melhor com esse visual.

Mas algo que falta a todos eles são frames de animação, fora do combate os modelos praticamente não mechem a boca para falar e sempre estão em uma mesma posição sem praticamente se mover. E isso sem falar nos bugs bizarros como em uma das primeiras cinematics, onde não existe uma animação diferente para o Freeza voando, sendo mostrado apenas o seu modelo na mesma posição que estava no chão só que flutuando.

No entanto, um fator engraçado é que embora o design dos personagens seja questionável, o visual de todos os poderes são verdadeiramente bonitos. Chega a ser espantoso, você sair do HUB com modelos que quase não mexem a boca para uma batalha onde o Naruto lança um Rasengan ridiculamente bem animado e cheio de efeitos ou o Seiya acerta um espetacular Meteoro de Pégaso. Assim, já que na luta os modelos dos personagens ficam um pouco mais distantes e são as suas habilidades que realmente se destacam, o visual se torna bem mais agradável.

Falando nas lutinhas, o combate de Jump Force é extremamente simplificado. Então se você não tem qualquer conhecimento de jogos de luta, não precisa se preocupar, pois em questão de minutos você vai saber fazer quase tudo que o jogo permite. O sistema de combate basicamente tem um botão para o ataque fraco e médio, que se apertado varias vezes vão realizar um auto-combo, um botão de command grab (agarrão) e um botão para pulo. Os gatilhos são destinados a chamar o ataque do suporte, trocar de personagem, defender, avançar e carregar/utilizar as suas técnicas especiais. Todos os personagens têm quatro técnicas especiais que consomem determinada quantidade da sua barra.

O jogo ainda possui uma mecânica de comeback intitulada Despertar, que pode ser utilizada quando você está com pouca vida e o mais interessante é que alguns personagens mudam de forma, como Naruto assume o Modo do Sábio dos Seis Caminhos, Seiya veste a Armadura de Sagitário ou Gon assume a sua forma Berserk. Esse último em especifico ainda possui um detalhe bem peculiar, pois mesmo vencendo a luta, se Gon estiver em sua forma Berserk ele vai ainda cair no chão, uma referência a quantidade de energia necessária para ele atingir essa transformação.

De certa forma, o combate de Jump Force possui algumas ideia interessantes, como o fato da barra de vida ser única para todos os personagens e a facilidade que você consegue linkar os auto-combos com uma técnica especial, mas não espere nada além disso, os frame de invencibilidades do jogo são bem cruéis e não vão deixar você fazer combos muitos grandes ou infinitos.

Indo agora para o aspecto que provavelmente é a coisa mais incomoda de Jump Force, as telas de carregamento do jogo são infinitas, e eu juro que não estou exagerando. Sem brincadeira, o game tem loading para absolutamente tudo, desde transição de cutscene para cutscene, até lutar novamente contra um mesmo inimigo, o que não faz o menor sentido, já que na teoria os personagens, o cenário e todos os assets já foram carregados. É bizarro como o mesmo console que eu utilizei para rodar Red Dead Redemption 2, agora está fazendo um mini-loading para abrir as opções de uma loja in-game. Obviamente, esses tempos de carregamento podem ser melhorados em atualizações futuras, mas a impressão que fica é que o jogo está mal otimizado.

Com tudo isso, Jump Force até pode ser divertido para jogar com os amigos, principalmente se eles gostarem de animes, já que o seu combate é relativamente fácil de dominar e os efeitos das habilidades nas lutas são bem impressionantes. Mas nem de longe é o suficiente para sustentá-lo, com uma história genérica, interações vazias, modelos bizarros de personagens, ausência de animações e telas de carregamento para todo o lado, Jump Force é a criança bonita que cresceu e virou um adulto estranho.

Em outras palavras, é uma tremenda oportunidade desperdiçada, que mesmo com alguns dos personagens mais carismáticos já criados, sofre para manter a atenção do jogador depois de algumas horas.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PlayStation 4 fornecida pela Bandai Namco.

João Victor Albuquerque

Formado em Sistemas de Informação, que no final da faculdade resolveu se meter nesse mundo do jornalismo. Apaixonado por joguinhos, filmes e sempre atrasado com as séries. O segundo Blizzardboy do Critical Hits.

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