Desde de o lançamento de Left 4 Dead 2 a indústria vem tentando replicar o sucesso dele, e ao meu ver, falhando miseravelmente nisso. Foram tantas tentativas fracassadas de criar um jogo de horda de zumbi novo que o gênero saturou e cansou rapidamente. Esse background me fez chegar em John Carpenter’s Toxic commando torcendo o nariz para o jogo, e fico muito feliz em contar que quebrei a cara, já que ele é de longe o melhor jogo do gênero nos últimos anos.
A premissa de John Carpenter’s Toxic commando é a mesma da maioria dos jogos do gênero: você se junta com mais 3 amigos para fazer missões onde hordas de zumbis vão te atacar o tempo inteiro e é preciso eliminar todos eles de forma sistemática enquanto avança no mapa, mas existe um tempero a mais no jogo e logo de cara é notável que rolou um esforço genuíno para ele não cair na mesma repetitividade que a maioria dos jogos do gênero.
Ao invés de um mapa “linear”, nós temos um campo aberto onde é possível explorar os cantos do mapa antes de ir para a missão principal, o jogo oferece vários tipos de veículos diferentes e com vantagens diferentes: alguns tem um gancho que te ajudar a puxar itens ou quebrar paredes e portas, outros tem nitro para ir mais rápido, torretas e pulsos de choque para destruir zumbis.

As missões principais tem uma dificuldade relativamente elevada e o jogo espera que você explore esse campo aberto antes de prosseguir, para assim conseguir “engrenagens” que são a moeda de troca dentro do próprio mapa adquirir armas melhores, equipamentos e montar armadilhas contra as hordas de zumbi. Caso você não explore bem, a horda final daquele mapa vai ser terrivelmente difícil e um verdadeiro pesadelo para lidar.
Além disso, os mapas variam a mecânica principal para avançar. Alguns são simples como chegar no objetivo e matar hordas, mas outros envolvem proteger carros e cargas, andar por mapas completamente tóxicos que exigem todos do time andando juntos e etc. Existe uma variedade de gameplay interessante dentro dos mapas e que até certo ponto consegue combater o principal problema do gênero que é enjoar rápido demais.
Apesar de todos esses elogios ao loop de gameplay, o gênero de horda de zumbis não envelheceu tão bem quanto gostaríamos e mesmo com esses esforços para trazer frescor ao gameplay, ele ainda é passível de enjoar rápido. O progresso da árvore de habilidades do personagem também é bem lento e prejudica bastante o fator replay.

Outro ponto negativo é a performance do jogo no Playstation 5, quando existem muitos zumbis na tela o framerate fica completamente instável e as vezes beira o injogável. Quase toda missão do jogo tem uma horda final de zumbis exageradamente grande o PS5 tem dificuldade em lidar com todos esses zumbis ao mesmo tempo, prejudicando diretamente a conclusão de praticamente todas as missões do jogo.
Uma coisa estranha na estrutura do jogo é um foco desnecessário na história, esse gênero não exige cutscenes bem elaboradas e nem nada do tipo, mas mesmo assim ele te entrega cutscenes longas a todo momento que são completamente desinteressantes. Quem pega John Carpenter’s Toxic commando para jogar, quer entrar direto na gameplay com seus amigos estourando várias cabeças de zumbi, e não ficar perdendo tempo nas linhas de diálogos mais desinteressantes possíveis.
Mas e aí, John Carpenter’s Toxic commando vale a pena?

John Carpenter’s Toxic commando é a melhor tentativa de fazer um jogo de horda de zumbis nos últimos anos. Ele tem seus problemas pontuais, mas no fim do dia é capaz de divertir bastante. É um ótimo jogo para se juntar com seus amigos no fim de semana e estourar cabeças de zumbi para todo lado. Não espere nada além disso, até porque o jogo nem tentar ser mais do que ele deveria, e nesse tipo de gênero isso é tudo o que você precisa para se divertir bastante.
Análise feita com chaves para PS5 cedidas pela Publisher.
Resumo para Preguiçosos
John Carpenter’s Toxic Commando surpreende positivamente ao entregar a melhor experiência recente do gênero de hordas de zumbis, superando várias tentativas fracassadas da indústria. O jogo aposta em mapas abertos, exploração antes das missões principais e uso de veículos com habilidades diferentes para variar a jogabilidade. Mesmo com missões variadas e um loop divertido, o progresso lento da árvore de habilidades e o desgaste natural do gênero ainda podem cansar com o tempo. Problemas de desempenho no PS5 e cutscenes longas também atrapalham, mas o jogo ainda funciona bem como uma experiência cooperativa divertida entre amigos.
Prós
- Variação de gameplay
- Mapa semi-aberto
- Gunplay
Contras
- Apesar dos esforços, ainda enjoa rápido
- Performance
- Progresso do personagem lento
- Foco estranho na história para esse tipo de jogo

