Homem-Aranha: Longe de Casa – Crítica

Homem-Aranha: Longe de Casa estreou no cinema em um momento bem peculiar do MCU, já que poucos meses atrás tivemos o magnífico encerramento da Saga do Infinito com Vingadores: Ultimato, onde a Marvel celebrou esses mais de 10 anos do seu universo reunindo o elenco completo de heróis para derrotar Thanos.

No entanto, enquanto grande parte dos fãs está especulando sobre qual será a próxima grande saga, a Marvel resolve se distanciar um pouco do épico, voltando a contar histórias mais “mundanas”, e talvez não existisse opção melhor para isso do que o Amigão da Vizinhança. Assim, Longe de Casa chega para ser um refresco depois de toda dramaticidade e peso de Ultimato, mas também possui a responsabilidade de fechar a Fase 3 da Marvel e preparar o terreno para a próxima. Esses dois objetivos acabam alavancando e prejudicando o filme em alguns pontos.

Começamos o longa com um ritmo bem leve, acompanhando Peter Parker e sua turma se preparando para uma excursão pela Europa, com toda a interação entre os alunos e referências aos acontecimentos do MCU se encaixando naturalmente nas discussões sobre o “blip”, o termo utilizado para se referir ao estalar de dedos de Thanos que dizimou metade da população cinco anos atrás. Vemos os alunos trazendo algumas argumentações de fato interessantes, como o problema da idade, já que aqueles que não foram “blipados” continuaram crescendo, enquanto os que desapareceram, retornaram com a mesma idade.

Nesse clima descontraído Peter realmente deseja tirar férias do seu papel como Homem-Aranha e viver um pouco como um adolescentemente normal, traçando até todas as etapas de um plano para falar o que ele sente para M.J. Mas com a chegada de Nick Fury, Mysterio e a ameaça dos Elementais, temos uma radical mudança no tom do filme, que volta a tratar da S.H.I.E.L.D, das consequências mais sérias de Ultimato e até de um possível multiverso. Quando Peter retorna para a sua turma, o ritmo mais leve também é trazido de volta, e esse vai e vem perdura durante toda a trama.

Acontece que o ponto mais fraco acaba sendo justamente o lado que se leva muito a sério e trata o filme como um verdadeiro epílogo de Ultimato. Parte desse problema é centrado principalmente na construção do seu vilão, que mais uma vez possui conceitos muito bons e uma implementação um pouco duvidosa.

ATENÇÃO! O PARÁGRAFO ABAIXO POSSUI LEVES SPOILERS SOBRE O VILÃO DO FILME

Embora Jake Gyllenhaal consiga entregar todo o seu carisma em um Mystério que foi muito bem adaptado das páginas das HQs, o personagem acaba funcionando melhor quando está fingindo ser um aliado do que realmente ao revelar as suas verdadeiras intenções, já que isso acaba acontecendo em uma cena piegas de gigantesca exposição desnecessária, que quase beira a comédia (só faltou o riso maléfico no final).

Entretanto, o ponto positivo do vilão sem dúvida foi o uso dos seus poderes, que nos proporcionou uma das melhores sequências de ação do MCU, misturando o real com o ilusório e confrontando o jovem Peter Parker com as suas próprias mentiras ao esconder a sua verdadeira identidade. A sequência do ato final também vale ser destacada pelo uso criativo dos poderes do Homem-Aranha, colocando os elementos certos para que teias fossem utilizadas de formas bem diferentes e permitissem uma luta em um espaço mais aberto.

Indo para as atuações, todo elenco está impecável, desde os coadjuvantes como a Tia May (Marisa Tomei), Happy (Jon Favreau) e Ned (Jacob Batalon), que oferecem um excelente alívio cômico, como o próprio Nick Fury, que já é o padrão de Samuel L. Jackson. Entretanto, o destaque vai mesmo para Tom Holland e Zendaya. Além de Holland provar mais uma vez que foi a escolha perfeita para interpretar o Teioso, a sua química com Zendaya funciona muito bem, principalmente pela forma natural que é desenvolvido o relacionamento de Peter com M.J, com todo aquele tom desajeitado dos relacionamentos da adolescência.

No fim, Homem-Aranha: Longe de Casa é mais uma aventura extremamente divertida do MCU, trazendo excelentes cenas de ação, interações hilárias entre os personagens e um ritmo que vai fazer você nem notar que já se passaram duas horas. É um verdadeiro refresco que finaliza em grande estilo a Fase 3 da Marvel, e só acaba pecando nos momentos em que tenta ser mais Vingadores e menos o Amigão da Vizinhança.

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Resumo para os preguiçosos

Em mais uma aventura de um dos heróis mais reconhecidos e adorados do mundo, Homem-Aranha: Longe de Casa chega como um verdadeiro refresco depois de Ultimato. Com um ritmo leve e um história simples, o filme é extremamente cativante desde do primeiro minuto, principalmente pelas interações de Peter amigos da escola, e em especial com M.J. Na sua parte como Homem-Aranha, temos algumas das melhores sequências de ação do MCU, e o longa acaba só vacilando um pouco nos momentos em que resolve se levar muito a sério.

Nota final

80
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Cenas de ação criativas e com excelente uso dos poderes do Homem-Aranha
  • Interações engraçadas entre todos os personagens
  • Desenvolvimento do relacionamento de Peter e MJ
  • Ritmo leve principalmente nas partes de Peter com a sua turma

Contras

  • Momento expositivo desnecessário do vilão
  • Um pouco de quebra de tom ao tentar frequentemente preparar ganchos para a próxima fase do MCU
João Victor Albuquerque

Formado em Sistemas de Informação, que no final da faculdade resolveu se meter nesse mundo do jornalismo. Apaixonado por joguinhos, filmes e sempre atrasado com as séries. O segundo Blizzardboy do Critical Hits.

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