High on Life 2 promete melhorar todos os pontos fracos do primeiro jogo enquanto mantém seu humor característico e as pistolas falantes mais carismáticas do mundo dos games, mas será que o jogo realmente consegue entregar uma boa experiência? É o que vamos descobrir hoje.

Em High on Life 2, você começa o jogo logo após onde terminou o primeiro. Após ter conquistado fama e fortuna, o seu personagem acaba sendo uma das pessoas mais queridas da galáxia, ganhando rios de dinheiro, amigos, patrocínios e tudo mais, e a vida segue na maior tranquilidade do mundo, até que um dia você acaba tendo que resgatar sua irmã, que acabou se envolvendo com um grupo terrorista e está sendo caçada por outros caçadores de recompensas.
O jogo começa bem parecido com onde o primeiro parou, mas você conta com apenas duas das armas que tinha no jogo anterior inicialmente. Após salvar sua irmã, você acaba descobrindo que a raça humana está correndo perigo de ser localizada como droga novamente e ser colocada num programa de “desenvolvimento sustentável” por uma corporação farmaceutica do mal, e agora deve juntar-se ao grupo terrorista que ela faz parte e acabar com essa ameaça.
Para isso, você deve primeiro exterminar alvos que sustentam essa corporação e depois acabar com o CEO da Rhea Farmacêutica, enquanto resolve algumas crises familiares no meio e vai expandindo o seu arsenal de armas falantes. Além das duas armas iniciais que já faziam parte do outro jogo, você ainda encontra o “Criatura” que também estava no primeiro game e Letsdoit, outra pistola que só fala essa frase durante o jogo, mas também conta com algumas armas novas no meio do caminho.
As armas são sem sombra de dúvidas o ponto alto do gameplay, já que elas são bem criativas e servem não só para despachar seus adversários, mas também para resolver puzzles no meio do caminho, que geralmente são bem óbvios, mas alguns podem acabar fazendo você perder mais tempo tentando entender o que o jogo quer que você faça do que realmente fazendo o que é para fazer.
Outra novidade é que após o primeiro chefe do jogo, você desbloqueia um skate para aumentar a sua mobilidade. Esse skate é bastante prazeroso de se controlar, e é impressionante como a Squanch Games conseguiu criar um modo de skate em primeira pessoa que controla incrivelmente bem e que faz o jogo até mesmo parecer “Sunset Overdrive” em primeira pessoa em alguns momentos.
No geral, a campanha de High On Life 2 melhora a fórmula da primeira campanha do jogo, oferecendo mais variedade de gameplay, mais inimigos, cenários variados e mais desafios de plataforma, ainda que ele não seja exatamente brilhante em nada que tente. Mas mesmo com todas essas melhorias, o jogo continua tendo um problema que o torna totalmente ame ou odeie, que é o tipo de humor do jogo.
Como o jogo segue a mesma linha de humor do original, ou você vai achar ele a coisa mais engraçada do mundo, ou vai acabar revirando os olhos mais do que deveria, com piadas que, para mim, em alguns momentos acabam sendo bem sem graça, e personagens que simplesmente não calam a boca em nenhum momento.
Eu sei que é possível ajustar nas opções quanto os personagens e inimigos falam, mas se o jogo foi concebido para eles serem faladores, ele tem que ser jogado assim, e se retirar uma das principais características de um jogo melhora ele, significa que essa característica nem deveria existir em primeiro lugar então.
Além da campanha normal, o jogo ainda tem um hub da cidade com missões paralelas, como você se transformar em um piloto de táxi que na verdade opera um skate e carrega as pessoas por aí com uma pokebola, mas sinceramente, aqui o jogo apresenta outro ponto negativo: parece que ele se beneficiaria de mais uns seis meses de desenvolvimento para adicionar algumas opções de qualidade de vida, como você poder escolher no menu qual missão você quer fazer.
Nessa missão do táxi, por exemplo, não tem como (ou eu não encontrei, mas eu tenho 99% de certeza de que não tem como) escolher qual missão você quer priorizar no momento e ver o caminho dela, então quando você está carregando alguém por aí para o caminho, no estilo crazy taxi, você tem que adivinhar qual caminho deve fazer e torcer para chegar no local pelo caminho certo, pois se você erra e acaba o tempo, você perdeu a missão e tem que tentar em outra oportunidade.
Isso acaba tornando o hub aberto de High On Life 2 para missões extras e colecionáveis bem desinteresante e que te dá pouco estímulo para realmente explorar o que o jogo tem de atividades extras, além do fato da campanha te deixar mais solto para essas atividades apenas em alguns pontos da história.
Graficamente, High on Life 2 é um dos jogos mais feios que eu joguei nesse ano. Os personagens extão numa resolução baixíssima no cenário, os modelos são desinteressantes e apesar do jogo ter uma direção de arte consistente, a qualidade gráfica do jogo realmente não faz favores ao estilo dele, e o pior é que mesmo nessa baixa resolução, o jogo ainda apresenta problemas de desempenho, principalmente em alguns chefes.
A trilha sonora do jogo é ok, e a dublagem do jogo faz um bom trabalho, ainda que irrite em alguns momentos pelos personagens não pararem de falar em nenhum momento. Para completar, felizmente dessa vez o jogo veio legendado em português, coisa que não tinha acontecido no primeiro jogo da série.
Mas e aí, High on Life 2 vale a pena?
High on Life 2 melhora alguns dos pontos fracos do jogo original, mas ainda falta alguma coisa para ele realmente ser um jogo divertido. Se você é fã do estilo de humor de Rick and Morty, você provavelmente vai se divertir mais do que eu com o jogo, mas os problemas de performance, qualidade gráfica do jogo, falta de qualidade de vida no “mundo aberto” e ritmo ruim da campanha não me agradaram tanto assim.
Review elaborado com uma cópia do jogo para PS5 fornecida pela publisher.
Resumo para Preguiçosos
High on Life 2 dá continuidade direta aos eventos do primeiro jogo e amplia sua proposta ao apostar em mais variedade de gameplay, novos inimigos, armas falantes criativas e maior foco em mobilidade, com destaque para o skate em primeira pessoa, que funciona muito bem. A campanha melhora a estrutura anterior, oferece mais desafios de plataforma e mantém as pistolas como o grande destaque, tanto no combate quanto na resolução de puzzles, ainda que estes nem sempre sejam bem intuitivos.
O jogo, porém, continua sendo um jogo que divide opiniões por causa do humor excessivamente falador, do ritmo irregular da campanha e de decisões questionáveis de design, especialmente no hub de missões paralelas, que carece de opções básicas de qualidade de vida. Somam-se a isso gráficos fracos, problemas de desempenho e um mundo aberto pouco estimulante, fazendo com que o jogo agrade mais quem já gosta do estilo de humor à la Rick and Morty do que quem busca uma experiência mais refinada e equilibrada.
Prós
- Pistolas bastante criativas em design e funções
- O skate foi muito bem integrado na gameplay
- Puzzles desafiantes
Contras
- O ritmo da campanha ainda é ruim
- O hub de atividades é desinteressante
- Falta de opções de qualidade de vida prejudicam o jogo
- O humor é ame ou odeie











