God of War: Sons of Sparta – Análise – Vale a Pena – Review

Depois de muitos rumores sobre o futuro da franquia God of War, a Sony finalmente apresentou novidades. Além de um Remake da trilogia original já em desenvolvimento, fomos apresentados a um projeto menor chamado God of War: Sons of Sparta, um Metroidvania que acompanha uma versão mais jovem de Kratos, muito antes de ele se tornar a lenda que conhecemos. Em um mercado saturado por Metroidvanias, com inúmeros lançamentos e vários sucessos consolidados, a grande pergunta que fica é como Sons of Sparta consegue se posicionar dentro desse cenário competitivo.

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Reprodução: God of War: Sons of Sparta
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God of War: Sons of Sparta se passa muito antes de Kratos se tornar o temido Fantasma de Esparta. Aqui, acompanhamos Kratos e seu irmão Deimos ainda jovens, recém-autorizados a explorar Esparta livremente.

Após retornarem a Esparta de sua primeira incursão, Kratos e Deimos começam a ouvir rumores sobre o desaparecimento de Vasalis, um jovem espartano. A partir daí, toda a campanha gira em torno de explorar Esparta em busca de pistas sobre o paradeiro do garoto e entender o que realmente aconteceu com ele. Para um jogo que carrega o nome God of War, a motivação central é bastante simples. Por um lado, faz sentido que Kratos e Deimos estejam lidando com um problema mais mundano, já que estão apenas no início de suas jornadas. Por outro, senti que a história poderia ter sido um pouco mais criativa e ousada. O grande destaque narrativo está na relação entre os irmãos: Kratos aparece como um jovem moldado pelos costumes rígidos de Esparta, enquanto Deimos se mostra mais emocional, movido pelo desejo de ajudar um amigo. Acompanhar esse contraste e o desenvolvimento dos dois ao longo da gameplay é, sem dúvida, o ponto mais forte da narrativa.

Reprodução: God of War: Sons of Sparta

Assim como acontece na história, o combate também me deixou com aquela sensação de “poderia ser melhor”. Ele é funcional, simples e, na maioria das vezes, cumpre o que se propõe. Durante praticamente todo o jogo, utilizamos uma lança como arma principal. Inicialmente, ela conta com um combo básico de três ataques, que pode ser expandido para quatro dependendo das personalizações escolhidas. Além da lança, temos um escudo, responsável por defender, mitigar dano e permitir a aparada, uma das mecânicas mais fortes e satisfatórias de Sons of Sparta. Conforme avançamos, também desbloqueamos armas de longo alcance que complementam o arsenal, sendo úteis tanto em combate quanto na resolução de puzzles.

Os inimigos possuem duas barras principais: a de vida e a de postura. A barra de vida funciona de forma tradicional, enquanto a barra de postura aumenta conforme você acerta ataques e realiza aparadas. Ao ser totalmente preenchida, o inimigo fica paralisado, permitindo a execução de um ataque finalizador que o derrota instantaneamente, independentemente da vida restante. Quando o combate começa a “clicar”, é possível encontrar um bom equilíbrio entre ataque e defesa, tornando os confrontos mais dinâmicos.

Apesar disso, a variedade de inimigos deixa a desejar. O jogo utiliza muitos re-skins, o que passa a sensação de repetição. Esqueletos, por exemplo, aparecem em praticamente todos os biomas, mudando apenas o tipo de dano causado, como veneno nos esgotos ou gelo nas áreas nevadas. Além disso, alguns inimigos surgem com armaduras específicas: roxas, que exigem ataques mágicos para serem quebradas, ou amarelas, que só são destruídas com o ataque espiritual de Kratos. Embora isso traga uma leve camada estratégica, não é suficiente para mascarar a repetição.

Outro problema sério está no comportamento da inteligência artificial. Em diversas situações, inimigos simplesmente “congelavam” durante o combate. Ao iniciar um combo básico, eles não reagiam de forma alguma, permitindo que fossem derrotados sem resistência. Isso aconteceu inclusive com alguns mini-chefes, quebrando completamente qualquer senso de desafio e impactando negativamente a experiência, especialmente em momentos que deveriam ser mais tensos.

Reprodução: God of War: Sons of Sparta

O ataque espiritual é uma das mecânicas mais interessantes do jogo. Ao atacar inimigos, eles deixam cair orbes douradas que preenchem a Barra Espiritual. Essa barra permite o uso de ataques especiais e versões aprimoradas das habilidades. Esses golpes espirituais geram orbes verdes que recuperam parte da vida de Kratos, sendo essa a principal forma de sobrevivência, especialmente no início da jornada.

A árvore de habilidades é simples e pouco inspirada. Ela oferece novos movimentos, como ataques aéreos ou golpes carregados, além da possibilidade de versões espirituais dessas habilidades. Nada aqui muda drasticamente o estilo de gameplay. O que realmente traz alguma variação são as personalizações da lança, divididas em três partes: ponta, haste e base. A ponta altera o tipo de dano causado, a haste adiciona um finalizador ao combo, e a base inclui um golpe extra no arsenal. Embora essas mudanças não transformem o combate, elas incentivam testes e experimentações.

Quando o assunto é progressão e exploração, Sons of Sparta brilha. Explorar Esparta é extremamente recompensador. Quase todas as áreas escondem segredos, baús ou itens importantes, o que incentiva o uso constante de marcações no minimapa para retornar mais tarde. A sensação de recompensa é constante, seja ao encontrar melhorias para equipamentos, novas personalizações para a lança ou oferendas para fortalecer os presentes dos Deuses.

O jogo acerta ao oferecer marcadores ilimitados no mapa, algo essencial considerando a quantidade de segredos espalhados. Além disso, há a função de tirar fotos das áreas, semelhante ao que vimos em Prince of Persia: The Lost Crown. Essa mecânica facilita muito o backtracking, permitindo visualizar exatamente o local que você pretende revisitar. Infelizmente, até aqui o jogo tropeça em bugs, com fotos exibindo imagens erradas ou sequer abrindo corretamente.

As habilidades de progressão seguem o padrão do gênero: pulo duplo, corrida aprimorada, escalada de paredes e poderes elementais como o da Héstia, que permite queimar vinhas, acender tochas e quebrar portas. Conforme mais habilidades são desbloqueadas, a exploração se torna ainda mais prazerosa.

Para quem gosta de completar tudo, há amuletos que auxiliam na exploração, como um que indica segredos próximos. No entanto, se você explorar tudo com afinco, é muito fácil ficar forte demais na reta final. Isso acabou banalizando completamente o combate para mim. Chegou um ponto em que eu ignorava estratégias, não desviava de ataques e simplesmente avançava atacando tudo, sabendo que o dano recebido era irrelevante e que ainda havia um amuleto que me revivia com metade da vida.

Os chefes seguem essa mesma linha. A maioria é esquecível, especialmente na primeira metade do jogo. Alguns chefes finais até têm potencial, mas, devido ao excesso de poder acumulado, foram derrotados sem esforço, na primeira tentativa.

Outro ponto extremamente frustrante envolve a colisão durante escaladas. Sempre que havia um inimigo próximo a uma borda, era impossível subir, pois a hitbox do Kratos colidia com a do inimigo, jogando-o para trás. Esse problema acontece constantemente e compromete bastante o ritmo da exploração.

Reprodução: God of War: Sons of Sparta

Visualmente, Sons of Sparta aposta em um estilo pixelado muito charmoso e cheio de personalidade. Cada bioma de Esparta tem identidade própria, com cenários que contam pequenas histórias visuais. O principal problema aqui, novamente, é a reutilização excessiva de inimigos apenas com variações estéticas.

A trilha sonora é um dos pontos mais fortes do jogo. As músicas remetem diretamente à trilogia grega original, evocando nostalgia e reforçando o clima épico da franquia, mesmo em um escopo menor.

Infelizmente, a experiência é seriamente prejudicada pela grande quantidade de bugs. Há problemas constantes de mixagem de áudio, com vozes desbalanceadas entre personagens. As legendas apresentam erros frequentes, trechos em inglês, menus não traduzidos e dessincronização em cutscenes. Em um caso específico, um personagem chegou a ter duas vozes diferentes no mesmo diálogo.

Também enfrentei problemas nos desafios do Oráculo, onde uma entrada simplesmente não ficou acessível mesmo após cumprir os requisitos. Para piorar, durante a busca pela da platina, o jogo crashou e meu save voltou para um ponto anterior ao final da história, me fazendo perder cerca de seis horas de progresso. Esse problema não é isolado, com diversos relatos de saves corrompidos.

Mas e aí, God of War: Sons of Sparta vale a pena?


God of War: Sons of Sparta é um Metroidvania competente, com uma exploração excelente e uma ambientação muito bem construída, mas que sofre com um combate pouco inspirado, chefes fracos e uma quantidade preocupante de bugs. É um jogo que tem boas ideias e um enorme potencial, mas que claramente precisava de mais polimento para entregar uma experiência realmente memorável.

Resumo para Preguiçosos

God of War: Sons of Sparta acerta na exploração e na ambientação, mas tropeça no combate, no balanceamento e nos bugs. Um bom Metroidvania que deixa a sensação constante de que poderia ter sido melhor.

Prós

  • Exploração
  • Progressão
  • Trilha sonora

Contras

  • Balanceamento
  • Chefes esquecíveis
  • Problemas nas legendas e nos áudios
  • Incontáveis Bugs e Crashes
Giácomo
Giácomo
Apaixonado por Counter-Strike e Souls-Like, escrevo sobre games e animes no Critical Hits. No meu tempo livre, gosto de assistir séries e jogar basquete.