Gears Tactics – Review

Gears of War é um jogo que sempre pediu um spin-off de estratégia, e a Microsoft finalmente trouxe este jogo em Gears Tactics, algo que combina duas coisas que eu amo, a franquia Gears of War e RPGs Táticos, como os clássicos do gênero, Final Fantasy Tactics e XCOM. Será que este novo game está pronto para entrar nesse panteão de grandes jogos de táticas? É o que vamos descobrir.

Em Gears Tactics, você conhece a história de Gabe Diaz, um militar da COG que decidiu se rebaixar de ranking para ficar longe dos horrores da guerra e que agora trabalha como mecânico para a companhia. Num belo dia, antes dos eventos de Gears of War, ele recebe uma importante missão: caçar Ukkon, um Locust único, dotado de inteligência o suficiente para criar novas espécias para a Horda Locust.

Como essa missão é secreta e sem nenhum suporte da COG, você precisa se virar com o que você encontrar pelo campo de batalha, e isso significa recrutar soldados de pelotões desgarrados da COG e também treinar civis para cumprir as várias etapas da sua missão, e assim derrotar Ukkon antes que ele acabe criando alguma criatura tão poderosa que possa selar o destino da humanidade.

Para isso, você irá controlar soldados como Gabe Diaz e Sid Redburn (parceiro de Gabe nessa empreitada) além de outros personagens únicos e soldados aleatórios gerados pelo próprio jogo e que podem ser recrutados após serem salvos de missões.

No campo de batalha, Gears Tactics funciona exatamente como um jogo do gênero, ou seja, cada time tem seu turno para movimentar as peças, atacar o adversário, preparar armadilhas e coisas do tipo. Como Gears of War é um jogo de tiro em terceira pessoa com mecânicas de cobertura, Gears Tactics acaba adaptando esse gameplay para a estratégia, e o resultado lembra bastante XCOM e XCOM 2, ou seja, esconda sua cabeça atrás de uma mureta se você não quer que ela seja arrancada pelo adversário no próximo turno.

Diferente do jogo do qual Gears Tactics bebe bastante da sua influência, aqui temos bem menos dificuldade no modo normal, e você provavelmente vai encontrar situações em que vai pensar “cara, se fosse aquele outro jogo, meu soldado certamente estaria morto”. Isso, claro, é pensado, afinal você conta com um esquadrão de 4 soldados ou menos por missão do começo ao fim do jogo, e há situações em que você tem dois soldados contra 15 inimigos, algo que seria impossível de se vencer se os seus personagens não fossem consideravelmente mais hábeis que o seu inimigo.

As missões de Gears Tactics se dividem em basicamente três tipos de missão, e abaixo falaremos sobre cada uma delas em detalhes.

O primeiro tipo de missão são as de ataque. Nelas, você precisa eliminar todos os soldados inimigos do mapa, seja para fazer algum tipo de sabotagem, seja para matar algum chefe ou alvo de alto interesse. Essas são as missões tradicionais dos jogos Tactics, e as que você provavelmente vai estar acostumado a jogar.

O segundo tipo são as missões de controle que, como o nome sugere, são missões onde você deve dominar até dois pontos do mapa por um número específico de turnos e evitar que o seu inimigo faça o mesmo. Nesse caso, você tem que dividir seu time em dois esquadrões e ondas de inimigo vão tentar derrotar seus soldados. Este é um tipo de missão que eu não havia jogado antes em nenhum outro jogo tático, e foi bem divertido ver o “modo horda” de Gears of War sendo adaptado para um jogo tático.

O terceiro e último tipo de missão são as missões de coleta, onde você tem que avançar pelo mapa pegando um número mínimo de caixas de loot para conseguir equipamentos enquanto enfrenta inimigos. Em certos mapas do tipo, você ainda tem que percorrer o mapa o mais rápido possível, enquanto o adversário tenta te bombardear a cabeça, sendo um dos tipos de missão mais complicados que Gears Tactics oferece.

Após as missões, os seus soldados acumulam experiência e podem subir de nível, assim desbloqueando novas habilidades. Cada soldado pertence a uma das cinco classes, Suporte (que cura os seus companheiros e oferece melhorias de ataque), Vanguarda (funções de ataque e buffs de ataque), Batedores (soldados de shotgun com alta mobilidade e dano a curta distância), Snipers (franco-atiradores de longa distância que não atiram bem de perto) e Unidades Pesadas (que usam uma metralhadora grande e são especialistas em causar dano mas com baixa mobilidade) e você vai aumentando o número de soldados que pode recrutar e manter no seu esquadrão conforme a campanha avança.

Nas missões principais do jogo, você terá certos soldados que terá que trazer obrigatoriamente, como Gabe e Sid, e em missões secundárias, você pode ter um esquadrão mais livre.

As missões secundárias funcionam de maneira diferente em Gears Tactics, ao invés de você jogar quantas missões secundárias você quiser, você precisa cumprir uma certa quantidade de missões entre um capítulo e outro de cada ato do jogo. Esse número vai aumentando conforme o jogo avança, e lá pro final do jogo, quando você está doido para ver como a história se desenvolve, isso pode acabar arrastando um pouco demais as coisas, ainda que às vezes seja necessário para fazer os seus personagens irem crescendo de nível, afinal, batalhando é a única forma que eles ganham experiência.

No geral, a campanha de Gears Tactics é divertida, ainda que a repetitividade das missões e também os cenários parecidos demais acabem dando a sensação de que você está fazendo a mesma missão repetidas vezes acabe incomodando um pouco.

Outro ponto que merece ser notado é que em algumas missões secundárias, a dificuldade acaba saindo totalmente da proporção por causa do número de inimigos que o jogo coloca. Houve duas missões secundárias que eu levei mais de uma hora para fazer em cada, e tudo porque o jogo decidiu que dois soldados meus deveriam enfrentar 15 ou mais inimigos de uma vez, num dos casos ainda em terreno mais baixo do que o inimigo, o que dava vantagem de mira para eles e desvantagem de mira para mim.

Como eu resolvi isso? Da única forma possível: me aproveitando da “burrice” artificial das unidades, atraindo elas uma a uma para eliminá-las com ataques de reação, geralmente me escondendo atrás de um portão, ligando o modo Overwatch e esperando elas irem vindo, às vezes avançando um pouco só para soltar a isca e ir pescando assim os inimigos um por um, algo lento e tedioso (e isso no modo normal, imagina no Veterano ou no Insano), ainda mais quando você quer avançar a história.

No geral, a campanha de Gears Tactics é satisfatória, e serve bem para você criar laços com os personagens, ainda que nem com todos, talvez pela falta de tempo de câmera de alguns.

Um ponto ainda que merece ser notado é que o jogo precisa receber algumas atualizações em bugs específicos nos chefes. Nos dois primeiros chefes do jogo eu acabei encontrando bugs que atrapalharam bastante no progresso. No primeiro caso, o objetivo de matar o chefe não havia aparecido, e por causa disso, mesmo matando o chefe o jogo não concluía a missão, me obrigando a resetar a missão e ter que fazer tudo de novo.

No segundo caso, o chefe marcava parte do cenário com uma área vermelha e depois de um turno atacava. O problema é que depois dele atacar, essa área vermelha não desaparecia do chão, e novas áreas vermelhas apareciam, deixando tudo uma confusão só, ainda mais levando-se em consideração o fato de que esse ataque do chefe ocupava quase 2 terços da tela.

Para completar, outro bug insistente do jogo é quando você recarrega um ponto de controle e o jogo desaparece com seus Boomshots e Torque Bows dos seus soldados. Em algumas missões, os desenvolvedores provavelmente contavam que você usasse essas armas para limpar um pouco melhor os inimigos (afinal um tiro de Torque Bow ou Boomshot mata até cinco adversários de uma vez só, e naquela missão que eu comentei do 15×2 seria uma ótima maneira de me ajudar, mas na tentativa de sobreviver à missão eu tive que recarregar várias vezes, e da primeira vez que eu fiz isso o jogo tirou o Torque Bow que eu tinha pra nunca mais me devolver).

Estes problemas provavelmente serão resolvidos numa atualização futura, mas como nós avaliamos o jogo no momento em que nós jogamos ele, e não como ele promete ser daqui um mês ou dois, eles merecem ser citados. Pode ser que eles sejam resolvidos no futuro, mas é necessário citá-los agora.

Graficamente, Gears Tactics é um jogo bonito e que roda bem no computador. Eu testei em duas máquinas diferentes, no meu computador pessoal e no meu notebook. No primeiro, um Ryzen 7 2700x com 32 gigabytes de ram (sim, ele abre mais de duas abas do Chrome com algum esforço) e uma GeForce 1080, ele rodou o jogo no Ultra a 90 quadros por segundo em média. Já no notebook, um Core i7-9750H com 16 gigabytes de ram e uma GeForce 1660Ti, o jogo rodou no High com 60 quadros por segundo em média e sem engasgos, ambos os casos a 1080p.

A trilha sonora do jogo é bem interessante, e ajuda bastante a criar o clima do jogo. Vale ressaltar ainda que Gears Tactics é 100% dublado em português e também conta com legendas e menus no idioma, mas eu não gostei da dublagem e acabei tendo que mudar o idioma do Windows inteiro pra poder jogar em inglês, pois não há opção de mudar o idioma do jogo por dentro dele. Ainda assim, é legal ver a Microsoft valorizando nosso mercado local com uma dublagem no nosso idioma.

Mas e aí, Gears Tactics vale a pena?

Gears Tactics conta um capítulo inédito da franquia, e ainda que não traga uma história bombástica nem nada do tipo, o jogo diverte e provavelmente vai agradar tanto aos fãs da série Gears quanto aos fãs de RPGs táticos. Ele não é nada revolucionário nem se propõe a isso, mas traz algumas novidades no gênero e conta com boas missões, ainda que as missões secundárias acabem arrastando a história mais do que elas deveriam.

Ponto para a Microsoft e para a The Coalition ao desenvolverem um jogo de um gênero que não é tão visado assim por companhias AAA e por conseguirem adaptar uma das franquias mais populares do mundo dos jogos a ele.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PC fornecida pela assessoria do Xbox no Brasil.

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Resumo para os preguiçosos

Gears Tactics conta um capítulo inédito da franquia, e ainda que não traga uma história bombástica nem nada do tipo, o jogo diverte e provavelmente vai agradar tanto aos fãs da série Gears quanto aos fãs de RPGs táticos. Ele não é nada revolucionário nem se propõe a isso, mas traz algumas novidades no gênero e conta com boas missões, ainda que as missões secundárias acabem arrastando a história mais do que elas deveriam.

Ponto para a Microsoft e para a The Coalition ao desenvolverem um jogo de um gênero que não é tão visado assim por companhias AAA e por conseguirem adaptar uma das franquias mais populares do mundo dos jogos a ele.

Nota final

75
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Boa adaptação das mecânicas de Gears ao estilo de RPG Tático
  • Novos tipos de missão ao gênero
  • Personagens carismáticos
  • Boa performance do jogo

Contras

  • As missões secundárias acabam arrastando um pouco a campanha
  • Bugs em algumas missões, principalmente chefes
Eric Arraché

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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