Final Fantasy VII Remake foi por anos um dos jogos mais aguardados da história da Square Enix, e agora, em 2026, o jogo finalmente chega ao Nintendo Switch 2 e ao Xbox Series, após cerca de 5 anos e meio do seu lançamento no PlayStation 4. Mas será que essa releitura de um clássico continua valendo a pena?

Em Final Fantasy VII Remake Intergrade, você continua controlando o mesmo Cloud Strife, mercenário que foi contratado pelo grupo Eco-Terrorista Avalanche para destruir um reator de Mako, uma energia extremamente eficiente composta da própria força vital do planeta, e assim prejudicar a Shinra, uma companhia elétrica que estava literalmente matando Gaia, o Planeta Terra desta edição.
Caso você tenha jogado apenas o Final Fantasy VII original, entrado em coma e nunca tenha ouvido falar nada sobre o remake, saiba que ele conta apenas o arco de Midgar, ou seja, mais ou menos a metade do primeiro CD do jogo original de PlayStation. Mas como esta fatia inicial se comporta como um jogo completo? Muito bem em alguns pontos, e nem tanto assim em outros.
Uma das primeiras coisas que você percebe é que todo ponto que parecia trivial no jogo original acaba tornando-se bem mais desenvolvido neste jogo, para o bem e para o mal. Isso significa que personagens que mal apareciam, como Biggs, Jessie e Wedge acabam ganhando muito mais importância em Final Fantasy VII Remake. Por exemplo, mas se você já jogou o jogo original, tem horas que você pensa “meu deus, eu só quero que essa parte seja rápida pra eu chegar naquele momento logo e o jogo resolveu transformar uma caminhada de 5 minutos numa área de uma hora e meia”.
O ritmo de Final Fantasy VII Remake é bem mais cadenciado do que você pode esperar, e há diversos momentos em que o jogo aproveita isso para desenvolver conceitos mal apresentados no jogo que lhe deu origem, como a motivação para certos inimigos aparecerem, além de também para introduzir uma série de novidades na história, e de adiantar algumas coisas, como as aparições de Sephiroth na história e também dos homens encapuzados da Reunião. Quem jogou o Final Fantasy VII original sabe do que eu estou falando, mas quem não jogou provavelmente vai acabar meio perdido.
Além disso, há áreas completamente novas e originais no jogo, que, de fato, foram adicionadas para aumentar o tempo de campanha do jogo, mas algumas delas ficaram realmente muito boas, como o Capítulo 4, quando Jessie (que aliás certamente vai tornar-se uma das personagens favoritas dos fãs) pede para você fazer uma missão para ela e isso acaba tornando proporções gigantescas logo na sequência.
Um ponto interessante do Final Fantasy 7 original que acaba vindo para este jogo é que ele está longe de ser aquele esquema de JRPG clássico de andar na dungeon, matar o chefe, voltar pra cidade, ver um monte de conversa e repetir. Aqui, há diversos momentos em que você tem outras tarefas no gameplay, como por exemplo a famigerada quest onde Cloud tem que encontrar um vestido para si mesmo para participar da escolha da nova noiva na mansão de Don Corneo.
Essa missão daria bastante o que falar caso tivesse se mantido no 1 pra 1 nos dias de hoje, e boa parte dela foi refeita, assim como a invasão ao prédio da Shinra, e sinceramente, ficou bem melhor do que simplesmente pegar o que era apresentado em Final Fantasy 7 original e recriar em alta resolução. No geral, as escolhas do time de desenvolvimento foram acertadas, e muita coisa que não iria funcionar nos dias de hoje acabou sendo descartada em favor de ideias originais que acabam se encaixando muito melhor com os padrões de jogo dos dias de hoje.
O combate é um desses exemplos, aliás. Apresentando um sólido e muito divertido sistema de combate, Final Fantasy VII Remake combina ação em tempo real com o sistema de Active Time Battle do jogo original. Aqui, você bate nos inimigos para carregar uma barra de ATB, e com ela, você executa ações mais complexas, como usar magias e técnicas, uma adição bem legal ao jogo.
Cada arma nova do jogo te dá uma técnica nova para aprender, e essas técnicas acabam ajudando bastante no combate, já que elas servem para causar bastante dano, ou também para contribuir na barra de paralisação dos adversários. O sistema de paralisação é semelhante ao de Final Fantasy XIII, onde cada inimigo tem uma barra assim e assim que ela chega ao limite, o inimigo toma muito mais dano e não pode agir por alguns segundos. Esse é o momento de moer o adversário a pau com as suas melhores técnicas e magias, e de gastar aqueles preciosos pontos de ATB que você por ventura estiver guardando.
Um ponto que pode ficar polêmico são as invocações. Ao invés de uma animação de uma criatura que ataca os inimigos, as invocações do jogo aparecem na tela junto com você e combatem o adversário, até que a barra delas acaba, e aí sim elas executam o ataque delas. Alguns ataques são extremamente fortes e podem mudar completamente o papel das batalhas, e isso pode acabar tornando certos combates fáceis demais.
Como você não vai estar enfrentando inimigos gigantes a todo momento, Final Fantasy VII Remake guarda certos adversários icônicos de cada área para momentos especiais. Sentiu a falta do Saw Buzz no Prédio da Shinra? Não tem problema, ele vai aparecer numa hora bem especial, assim como outros inimigos que antes pareciam triviais e que agora são bem mais complexos do que você poderia imaginar.
Aliás, essa é outra mudança bem interessante. Quase não há mais combates simples no jogo, se você achar que é só apertar o botão de ataque até ver o inimigo beijar a lona, quem vai acabar beijando a lona é você, e rápido. É preciso aprender da forma correta o sistema de combate do jogo para avançar nele.
Com uma campanha que leva cerca de 30 a 40 horas para ser concluída, Final Fantasy VII Remake estende alguns momentos mais do que deveria, e alguns jogadores podem reclamar da falta de muitas sidequests para fazer o jogo render mais, mas vale ressaltar um ponto bem importante aqui para quem ainda não jogou o jogo: as sidequests aparecem apenas em momentos específicos do jogo, e se você decidir avançar a história sem fazê-las, elas só vão poder ser concluídas ao final do jogo.
Isso faz todo o sentido do ponto de vista da história, afinal de contas, o mundo não pode esperar você encontrar crianças desaparecidas enquanto ele está para acabar, mas pode deixar alguns jogadores mais frustrados, já que toda oportunidade que o jogo te apresenta é “perdível” e totalmente contra quem adora procrastinar missões secundárias (meu caso, infelizmente).
E além dele, o jogo também conta com o capítulo Intergrade, que traz a história de Yuffie Kisaragi, a simpática ninja que se junta ao time de Cloud em Final Fantasy VII Rebirth e mostra ela em Midgar em uma missão muito especial enquanto Cloud e companhia estão invadindo o prédio da Shinra.
Graficamente, Final Fantasy VII Remake Intergrade para Switch 2 é um jogo que cumpre muito bem o que ele se propõe, tanto no modo portátil quanto no modo console. Apesar do jogo ter alguns momentos de baixa resolução, principlamente no modo portátil, eu não encontrei nenhum problema de desempenho no tempo em que eu joguei o jogo em ambos os modos, a Square Enix fez um excelente trabalho na otimização do game e nos deixa esperançosos do futuro da trilogia remake nessa plataforma.
Para completar, a trilha sonora de Final Fantasy VII Remake Intergrade é simplesmente espetacular. A trilha original composta por Nobuo Uematsu era uma das melhores de todos os tempos, e muitas das músicas de lá foram reaproveitadas e orquestradas para o jogo, além de novas composições que se encaixam muito bem no estilo criado pelo mestre ao longo dos anos. É o tipo de trilha que dá pra ouvir numa boa numa playlist durante o dia por meses.
Mas e aí, Final Fantasy VII Remake vale a pena?
Final Fantasy VII Remake Intergrade é simplesmente um dos melhores remakes já feitos na história. É verdade, uma parte pequena do jogo original está disponível até aqui, e o jogo poderia ter mais quests opcionais e ser menos arrastado em alguns momentos, mas ele compensa e muito com papéis expandidos de personagens que você mal tomava conhecimento no jogo original, áreas novas e originais, sequências originais de tirar o fôlego e um sistema de combate extremamente divertido. Além disso, o jogo ainda conta com o capítulo extra Intergade que traz uma prequel para a Yuffie e o motivo dela odiar tanto a Shinra assim. Se você ainda não jogou o remake por não ter um PlayStation ou PC que rodasse o jogo, você precisa aproveitar essa oportunidade para jogar esse já clássico.
Review elaborado com uma cópia do jogo para Nintendo Switch 2 fornecida pela Square Enix.
Resumo para Preguiçosos
Final Fantasy VII Remake Intergrade revisita apenas o arco de Midgar do jogo original, expandindo a narrativa com novos personagens, áreas inéditas e mudanças significativas no ritmo da história. O jogo aprofunda eventos que antes eram rápidos, desenvolve figuras secundárias como Jessie, Biggs e Wedge e introduz elementos da trama mais cedo, o que enriquece o universo, mas também torna a experiência mais cadenciada e, em alguns momentos, arrastada para quem conhece o clássico.
Final Fantasy VII Remake Intergrade se destaca principalmente pelo sistema de combate híbrido entre ação em tempo real e ATB, pelas reinterpretações bem-sucedidas de momentos icônicos e pelo alto nível técnico, incluindo trilha sonora e otimização no Switch 2. Apesar de limitações como poucas missões secundárias disponíveis ao longo da campanha e a sensação de alongamento excessivo em certos trechos, o conjunto entrega um dos remakes mais consistentes já feitos, ainda reforçado pelo episódio extra focado em Yuffie.
Prós
- Ótimo remake
- Boa otimização do port
- Trilha sonora sensacional
- Ótimo sistema de combate
Contras
- Mais arrastado do que deveria ser em alguns momentos







