Final Fantasy 7 Remake – Review

Final Fantasy 7 é um dos jogos mais importantes de todos os tempos, e um daqueles que todo mundo pedia para ser refeito, mas que sabíamos que talvez isso nunca fosse acontecer, até o fatídico dia de 2015 quando a Square Enix anunciou que o Remake finalmente estava em produção. Agora, cinco anos depois, a primeira parte de Final Fantasy 7 Remake finalmente foi lançada, e será que ela atende às expectativas de todo mundo? É o que vamos descobrir.

Em Final Fantasy 7 Remake, você continua controlando o mesmo Cloud Strife, mercenário que foi contratado pelo grupo Eco-Terrorista Avalanche para destruir um reator de Mako, uma energia extremamente eficiente composta da própria força vital do planeta, e assim prejudicar a Shinra, uma companhia elétrica que estava literalmente matando Gaia, o Planeta Terra desta edição.

A parte inicial do remake, lançada agora em 2020, compõe apenas o arco de Midgar, ou seja, mais ou menos a metade do primeiro CD do jogo original de PlayStation. Mas como esta fatia inicial se comporta como um jogo completo? Muito bem em alguns pontos, e nem tanto assim em outros.

Uma das primeiras coisas que você percebe é que todo ponto que parecia trivial no jogo original acaba tornando-se bem mais desenvolvido neste jogo, para o bem e para o mal. Isso significa que personagens que mal apareciam, como Biggs, Jessie e Wedge acabam ganhando muito mais importância em Final Fantasy 7 Remake, por exemplo, mas se você já jogou o jogo original, tem horas que você pensa “meu deus, eu só quero que essa parte seja rápida pra eu chegar naquele momento logo e o jogo resolveu transformar uma caminhada de 5 minutos numa área de uma hora e meia”.

O ritmo de Final Fantasy 7 Remake é bem mais cadenciado do que você pode esperar, e há diversos momentos em que o jogo aproveita isso para desenvolver conceitos mal apresentados nos jogos anteriores, como a motivação para certos inimigos aparecerem, como também para introduzir uma série de novidades na história, além de adiantar algumas coisas, como as aparições de Sephiroth na história e também dos homens encapuzados.

Além disso, há áreas completamente novas e originais no jogo, que, de fato, foram adicionadas para aumentar o tempo de campanha do jogo, mas algumas delas ficaram realmente muito boas, como o Capítulo 4, quando Jessie (que aliás certamente vai tornar-se uma das personagens favoritas dos fãs) pede para você fazer uma missão para ela e isso acaba tornando proporções gigantescas logo na sequência.

Um ponto interessante do Final Fantasy 7 original que acaba vindo para este jogo é que ele está longe de ser aquele esquema de JRPG clássico de andar na dungeon, matar o chefe, voltar pra cidade, ver um monte de conversa e repetir. Aqui, há diversos momentos em que você tem outras tarefas no gameplay, como por exemplo a famigerada quest onde Cloud tem que encontrar um vestido para si mesmo para participar da escolha da nova noiva na mansão de Don Corneo.

Eu estava morrendo de curiosidade de ver como seria essa missão, e boa parte dela foi refeita, assim como a invasão ao prédio da Shinra, e sinceramente, ficou bem melhor do que simplesmente pegar o que era apresentado em Final Fantasy 7 original e recriar em alta resolução. No geral, as escolhas do time de desenvolvimento foram acertadas, e muita coisa que não iria funcionar nos dias de hoje acabou sendo descartada em favor de ideias originais que acabam se encaixando muito melhor com os padrões de jogo dos dias de hoje.

O combate é um desses exemplos, aliás. Apresentando um sólido e muito divertido sistema de combate, Final Fantasy 7 Remake combina ação em tempo real com o sistema de Active Time Battle do jogo original. Aqui, você bate nos inimigos para carregar uma barra de ATB, e com ela, você executa ações mais complexas, como usar magias e técnicas, uma adição bem legal ao jogo.

Cada arma nova do jogo te dá uma técnica nova para aprender, e essas técnicas acabam ajudando bastante no combate, já que elas servem para causar bastante dano, ou também para contribuir na barra de paralisação dos adversários. O sistema de paralisação é semelhante ao de Final Fantasy 13, onde cada inimigo tem uma barra assim e assim que ela chega ao limite, o inimigo toma muito mais dano e não pode agir por alguns segundos. Esse é o momento de moer o adversário a pau com as suas melhores técnicas e magias, e de gastar aqueles preciosos pontos de ATB que você por ventura estiver guardando.

Um ponto que pode ficar polêmico são as invocações. Ao invés de uma animação de uma criatura que ataca os inimigos, as invocações do jogo aparecem na tela junto com você e combatem o adversário, até que a barra delas acaba, e aí sim elas executam o ataque delas. Alguns ataques são extremamente fortes e podem mudar completamente o papel das batalhas, e isso pode acabar tornando certos combates fáceis demais.

Como você não vai estar enfrentando inimigos gigantes a todo momento, Final Fantasy 7 Remake guarda certos adversários icônicos de cada área para momentos especiais. Sentiu a falta do Saw Buzz no Prédio da Shinra? Não tem problema, ele vai aparecer numa hora bem especial, assim como outros inimigos que antes pareciam triviais e que agora são bem mais complexos do que você poderia imaginar.

Aliás, essa é outra mudança bem interessante. Quase não há mais combates simples no jogo, se você achar que é só apertar o botão de ataque até ver o inimigo beijar a lona, quem vai acabar beijando a lona é você, e rápido. É preciso aprender da forma correta o sistema de combate do jogo para avançar nele.

Com uma campanha que leva cerca de 30 a 40 horas para ser concluída, Final Fantasy 7 Remake estende alguns momentos mais do que deveria, e alguns jogadores podem reclamar da falta de muitas sidequests para fazer o jogo render mais, mas vale ressaltar um ponto bem importante aqui para quem ainda não jogou o jogo: as sidequests aparecem apenas em momentos específicos do jogo, e se você decidir avançar a história sem fazê-las, elas só vão poder ser concluídas ao final do jogo.

Isso faz todo o sentido do ponto de vista da história, afinal de contas, o mundo não pode esperar você encontrar crianças desaparecidas enquanto ele está para acabar, mas pode deixar alguns jogadores mais frustrados, já que toda oportunidade que o jogo te apresenta é “perdível” e totalmente contra quem adora procrastinar missões secundárias (meu caso, infelizmente).

Graficamente, Final Fantasy 7 Remake é realmente muito bonito. Os modelos dos personagens são de tirar o fôlego, assim como seus inimigos e a construção do mundo do jogo. Há alguns cenários que não ficaram tão legais assim, mas no geral, é interessante como a Square Enix criou as favelas de Midgar com suas vielas e becos (e alguns jogadores odiaram ter que se esgueirar por eles, já que muitos funcionam como telas de carregamento disfarçadas).

Além disso, muita gente relatou que o jogo está com um problema de carregamento de texturas, mas eu não vi isso nenhuma vez enquanto jogava, e o motivo pode ser o fato de eu ter instalado o jogo no HD Externo ligado ao meu PS4 Pro, e não ter rodado o jogo direto do HD Interno dele.

A trilha sonora de Final Fantasy 7 Remake é simplesmente espetacular. A trilha original composta por Nobuo Uematsu era uma das melhores de todos os tempos, e muitas das músicas de lá foram reaproveitadas e orquestradas para o jogo, além de novas composições que se encaixam muito bem no estilo criado pelo mestre ao longo dos anos. É o tipo de trilha que dá pra ouvir numa boa numa playlist durante o dia por meses.

Mas e aí, Final Fantasy 7 Remake vale a pena?

Final Fantasy 7 Remake é simplesmente um dos melhores remakes já feitos na história. É verdade, uma parte pequena do jogo original está disponível até aqui, e o jogo poderia ter mais quests opcionais e ser menos arrastado em alguns momentos, mas ele compensa e muito com papéis expandidos de personagens que você mal tomava conhecimento no jogo original, áreas novas e originais, sequências originais de tirar o fôlego e um sistema de combate extremamente divertido.

Valeu a pena esperar por tanto tempo? Valeu, e a expectativa para os próximos capítulos desta aventura só aumentou agora.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PS4 Pro fornecida pela Square Enix.

Resumo para os preguiçosos

Final Fantasy 7 Remake é simplesmente um dos melhores remakes já feitos na história. É verdade, uma parte pequena do jogo original está disponível até aqui, e o jogo poderia ter mais quests opcionais e ser menos arrastado em alguns momentos, mas ele compensa e muito com papéis expandidos de personagens que você mal tomava conhecimento no jogo original, áreas novas e originais, sequências originais de tirar o fôlego e um sistema de combate extremamente divertido.

Valeu a pena esperar por tanto tempo? Valeu, e a expectativa para os próximos capítulos desta aventura só aumentou agora.

Nota final

95
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Sistema de combate extremamente divertido e cheio de profundidade
  • Recriação de um clássico atualizado diversos pontos que talvez não funcionassem bem
  • Os personagens originais e os novos são extremamente carismáticos
  • Belos gráficos
  • Trilha sonora simplesmente espetacular

Contras

  • O jogo se arrasta em alguns momentos
  • Poderia ter mais conteúdo endgame
Eric Arraché

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

Este website utiliza cookies. Para mais informações, consulte nossa política de privacidade.

Leia nossa política de privacidade