FIFA 21 – Review

Entra ano – sai ano, a EA sempre brinda os fãs do esporte bretão com uma nova versão de FIFA. 2021 não seria diferente, e FIFA 21 vem com a proposta de ser um game cross-gen e como um jogo que pretende transcender a geração de consoles ele vem cheio de novidades mas com um enorme cheiro de mais do mesmo.

Eu já levantei aqui diversas vezes se é realmente necessária uma nova versão dos jogos de esporte a cada ano. E embora o mercado para esses jogos seja imenso, a comunidade de fãs se mostra cada vez mais cansada de lançamentos que pouco acrescentam e que muitas vezes até pioram a experiência da versão anterior.

Com FIFA 21 o questionamento é mais válido do que nunca.

Em meio à uma crise econômica global causada pela pandemia, é de se imaginar que boa parte dos jogadores no Brasil tenham dificuldades para comprar seus jogos favoritos, tendo de fazer escolhas e muitas vezes deixar de aproveitar alguns jogos em detrimento de outros. Nesse cenário, escolher FIFA 21 ao invés de outros jogos pode ser um erro. Não que o jogo seja ruim, longe disso, mas há muitos anos vemos um mais do mesmo que não faz juz ao valor do game no mercado.

Nos próximos parágrafos, vou explorar os pontos positivos e negativos do jogo, e contar para vocês o porque eu acredito fortemente que gastar quase R$ 300 em um jogo como esse é um tiro no próprio pé.

FIFA Manager ou quase isso…

Quem joga futebol virtual geralmente divide seu tempo entre games como FIFA onde a coisa é mais bola no campo, e jogo no estilo Football Manager onde o jogador cuida de toda parte gerencial de uma equipe, das contratações, equipe técnica, treinos e ordens à beira do campo mas sem controlar de fato os jogadores.

Já há alguns anos o modo carreira do FIFA vem sofrendo de claros sinais de cansaço: poucas novidades que vão tirando o interesse dos jogadores pelo modo mais e mais a cada versão, mas FIFA 21 trouxe algumas novidades para o modo que podem ser capazes de dar uma nova vida à ele.

A primeira delas é a possibilidade de simular as partidas e acompanhar tudo o que rola em campo através de uma visão superior e simplificada, no melhor estilo Football Manager.

Nessa visão o jogador pode controlar substituições, esquemas táticos e ver suas ordens refletidas em campo, e tudo que ele pode fazer é torcer para sua tática e alterações darem certo.

Essa novidade ainda permite que o jogador entre de fato em campo e assuma o controle do time em um determinado momento, podendo entrar e sair a hora e quantas vezes quiser.

Outra adição que dá um ar mais “manager” para FIFA 21 é o desenvolvimento dos jogadores através dos treinos. O sistema anterior foi substituído por um novo muito mais robusto e cheio de possibilidades onde é possível desenvolver os jogadores e até traçar planos de mudança de posição e de função deles em campo.

Além destes dois novos recursos, há também um maior desenvolvimento emocional dos jogadores e elencos. Desde impactos de novas contratações no desempenho dos demais jogadores do time, até mesmo o fato de você colocar um jogador para atuar fora de posição em muitas partidas seguidas, ou ainda quando em seguidas partidas o craque do seu time dispara a fazer gols… tudo isso impacta em como o time se comporta e nas reações dos jogadores e em seus relacionamentos dentro do elenco e com o treinador.

A última melhoria que vale ser citada é que as transferências bizarras que aconteciam no mercado agora se apresentam com menos frequência, dando um aspecto mais verossímil para o modo.

FIFA 21 trouxe a maior evolução para o modo Carreira já vista nessa geração de consoles e provavelmente na anterior. Foi sem dúvidas o grande golaço da EA para esta versão do game e vai atrair o interesse de muitos jogadores que já não ligavam muito para este modo.

Outros golaços

Os pontos positivos de FIFA 21 se estendem também para fora do modo Carreira.

A começar pela narração em português, que a partir desta versão conta com um narrador de verdade, Gustavo Villani. O narrador do grupo Globo assume o microfone das partidas no lugar de Tiago Leifert, o que é uma melhoria e tanto.

Além de ter muito mais tarimba por ser um narrador profissional, as pronuncias de Villani são muito mais assertivas em relação aos nomes dos jogadores, estádios, times e tudo mais. Os bordões de Villani e seu dinamismo narrando também dão um tapa na cara da narração de Leifert. A sensação de estar em um jogo sério de verdade aumenta e muito com essa substituição.

O VOLTA Football também trouxe melhorias e foi expandido. O modo agora traz mais desafios, mais opções de personalização e possibilidades na hora de montar o seu time de futebol de rua. As quadras espalhadas pelo mundo não só aumentaram em quantidade mas também em nível de detalhes, e não há como deixar de citar a localidade de São Paulo que tem como cenário o icônico edifício Copan.

Também dentro do VOLTA há a possibilidade de disputas online com os amigos, um recurso essencial que a EA falhou em não trazer para a versão anterior do game. De uma forma geral o modo está muito mais robusto e completo, e representa uma bela evolução em relação ao antecessor de FIFA 21.

Dentro do FUT também há algumas novidades interessantes, como um maior número e variedade de desafios e objetivos a serem cumpridos para receber prêmios e bonificações, e a possibilidade de personalizar o estádio e a torcida: desde bandeiras e adornos até mesmo aos hinos e cantos entoados durante os jogos.

Zona do rebaixamento

Infelizmente as boas novidades de FIFA 21 param por aí.

Como em praticamente todo lançamento da franquia, FIFA 21 está cheio de bugs bizarros como jogadores que saem andando sozinho e até mesmo voando, problemas sérios de física principalmente com a bola e em divididas, atletas fazendo movimentos impossíveis, falhas de comandos, e uma série de bugs visuais que irritam e dão vontade de abandonar o jogo até que um patch de correção seja lançado.

Além dos bugs visuais, os gráficos de uma forma geral parece que andaram para trás. Comparando com FIFA 20 (que eu tinha jogado 3 dias antes de colocar as mãos no FIFA 21), o game deste ano mostra-se cheio de resoluções em baixa qualidade, problemas sérios nas expressões faciais de praticamente todo jogador que não esteja no Top 100 do game, uma quantidade absurda de rostos genéricos e estádios que parecem ter saído diretamente da edição 2017 do jogo.

Por falar em jogadores com rostos genéricos, os times brasileiros não tem apenas rostos mas jogadores genéricos. Por conta de problemas de licenciamento a EA não pode colocar os jogadores reais dos clubes ou até mesmo da seleção Brasileira, fazendo com que os times do nosso país tenham uniformes muito bem desenhados mas nenhum jogador que exista de fato no seu time.

Isso é um imenso banho de água fria em quem gosta de jogar com seu time do coração, e é algo que a EA vem falhando ano após ano já há algum tempo.

Além dos gráficos outro ponto que andou para trás foram os menus gerais do jogo, especialmente do FIFA Ultimate Team, o modo mais popular do game. Na intenção de trazer mais camadas de personalização, a EA mudou boa parte da estrutura dos menus do jogo para comportar essa maior gama de personalização, e fez um péssimo trabalho…

Eu sou bem chato analisando este tipo de coisa, afinal trabalho com design de experiência do usuário e tenho um olhar bem clínico e refinado para o assunto. Por conta disso, me incomodou muito as mudanças feitas em FIFA 21.

A verdade é que a impressão que os novos menus passam é que não houve um verdadeiro trabalho focado em experiência do usuário e arquitetura de informação. Simplesmente enfiaram novos itens, mudaram a navegação da forma que entenderem ser coerente e criaram um verdadeiro pandemônio para quem estava habituado com os menus anteriores, especialmente no FUT.

Um dos princípios básicos da boa experiência do usuário é que você não deve fazer bruscas mudanças em algo que o usuário está acostumado e que está funcionando bem, e foi exatamente isso que a EA fez ao adicionar diversas camadas de navegação sem muito critério e sem um trabalho consistente de arquitetura de informação.

Nem o tapetão salva

Os problemas citados nos parágrafos acima são péssimos, mas não chegam a ser críticos a ponto de fazer o jogador querer abandonar o jogo. Já os que vão ser citados aqui abaixo…

A começar pela velocidade do jogo. A EA parece estar com esquizofrenia na hora de trabalhar na velocidade das últimas edições de FIFA. Um jogo vem mais lento, o seguinte mais rápido, o seguinte ainda mais lento e agora em FIFA 21 a empresa conseguiu fazer as duas coisas ao mesmo tempo: os ataques estão mais rápidos e as defesas incrivelmente mais lentas.

FIFA 21 apresenta uma disparidade tão grande entre ataque e defesa que é como se um ataque com Messi, C. Ronaldo e Neymar fosse jogar contra uma defesa formada pelo time de casados barrigudos da pelada do fim de semana. Isso irrita, tira a competitividade e torna cada partida de FIFA 21 uma saraivada de gols que faz com que o placar pareça com uma partida de Winning Eleven de PlayStation 2.

A franquia FIFA se firmou em frente ao PES como um jogo muito mais próximo de um simulador do que um arcade, e FIFA 21 simplesmente joga tudo isso no lixo e é o jogo com maior disparidade de velocidade que já experimentei da franquia na atual geração.

Isso é extremamente frustrante e prejudicial, especialmente nos modos online, que contam ainda com mais bugs do que os modos offline e fazem com que cada partida seja um teste de paciência para quem tenta encarar o desafio.

Mas os problemas do modo online não param por aí. O já conhecido e odiado handicap está de volta mais forte do que nunca, chega até a ser criminoso principalmente no modo FUT Champions, e olha que FIFA 20 tem um handicap ridículo e ainda assim o de FIFA 21 consegue ser pior.

Não bastasse isso, o jogo está com sérios problemas de conectividade, como já é de praxe a cada novo lançamento. Tenha certeza que ao menos uma em cada cinco vezes que você for jogar online no FUT, você ou seu adversário serão desconectados, e lá se vão contratos, preparo físico, moedas e pontos para subir na classificação.

A verdade é que com as mudanças, bugs, problemas e tudo mais citado neste tópico, o FUT que sempre foi o modo mais amado e mais jogado do FIFA se tornou um desafio à paciência e à resiliência dos jogadores.

Eu mesmo deixei ele de lado depois de 4 ou 5 dias de muita frustração e só pretendo retomá-lo dentro de um ou dois meses ou quando algum patch corrija ao menos os problemas de conectividade e melhore um pouco os problemas de velocidade e também o handicap.

Apito final

Se por um lado FIFA 21 trouxe melhorias muito boas para o modo Carreira, uma narração PT-BR muito melhor, possibilidade de compra cross-gen e um melhor e maior modo VOLTA, ele pecou em muitos outros aspectos.

Times brasileiros e até nossa seleção repletos de jogadores genéricos, bugs de física e visuais que atrapalham o jogo, interfaces e navegação confusa, problemas sérios com balanceamento de velocidade, gráficos e texturas que regrediram, problemas de conectividade e um handicap online criminoso, fazem de FIFA 21 o pior game da franquia em muitos anos, e ainda com a cereja do bolo de custar quase R$300 em sua versão digital mais básica.

Amigo apaixonado por futebol, se você é daqueles que todo ano investe seu suado dinheiro na franquia da EA, uma dica: espere. Historicamente FIFA começa a ter uma leve queda de preço cerca de 3 meses após o seu lançamento, então vale a pena esperar este tempo até porque ele será essencial para que alguns patches cheguem ao game e melhorem ao menos um pouco dos problemas citados acima.

A falta de cuidado com diversos aspectos, mostra o descaso da empresa para com os seus consumidores, que ano após ano ainda fazem de FIFA a franquia de esportes mais vendida no mundo. Sinceramente minha torcida é para que todos os problemas da versão atual façam com que suas vendas fiquem bem abaixo do esperado, porque só mexendo no bolso para fazer a EA refletir sobre a sua inércia e a falta de cuidado com uma das maiores franquias do mundo dos games.

O jogo foi analisado no PlayStation 4 em cópia cedida pela Electronic Arts do Brasil.

Resumo para os preguiçosos

Se por um lado FIFA 21 trouxe melhorias muito boas para o modo Carreira, uma narração PT-BR muito melhor, possibilidade de compra cross-gen e um melhor e maior modo VOLTA, ele pecou em muitos outros aspectos.

Times brasileiros e até nossa seleção repletos de jogadores genéricos, bugs de física e visuais que atrapalham o jogo, interfaces e navegação confusa, problemas sérios com balanceamento de velocidade, gráficos e texturas que regrediram, problemas de conectividade e um handicap online criminoso, fazem de FIFA 21 o pior game da franquia em muitos anos, e ainda com a cereja do bolo de custar quase R$300 em sua versão digital mais básica.

Amigo apaixonado por futebol, se você é daqueles que todo ano investe seu suado dinheiro na franquia da EA, uma dica: espere. Historicamente FIFA começa a ter uma leve queda de preço cerca de 3 meses após o seu lançamento, então vale a pena esperar este tempo até porque ele será essencial para que alguns patchs cheguem ao game e melhorem ao menos um pouco dos problemas citados acima.

A falta de cuidado com diversos aspectos, mostra o descaso da empresa para com os seus consumidores, que ano após ano ainda fazem de FIFA a franquia de esportes mais vendida no mundo. Sinceramente minha torcida é para que todos os problemas da versão atual façam com que suas vendas fiquem bem abaixo do esperado, porque só mexendo no bolso para fazer a EA refletir sobre a sua inércia e a falta de cuidado com uma das maiores franquias do mundo dos games.

Nota final

65
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Continuação e evolução do modo Volta
  • Novidades no modo Carreira Manager
  • Narração de Gustavo Villani
  • Personalização de estádios e novos desafios no FUT

Contras

  • Gráficos parecem ter regredido
  • Menus do FUT se tornaram muito mais complexos e lentos
  • Bugs, muitos bugs
  • Velocidade do jogo
  • Handicap criminoso nos modos online
  • Problemas de conectividade
  • Jogadores genéricos nos times Brasileiros e diversas seleções
Ceraldi

UX & UI Manager, Ceraldi se dedica (menos do que gostaria) ao Critical Hits e tentar cumprir seu papel de pai de família em meio à gatos, bacon, video games, séries, MCU, futebol e NBA.