Quando Elden Ring foi anunciado para o Switch 2, confesso que fiquei extremamente cético. Como diabos a FromSoftware iria conseguir colocar um dos jogos mais ambiciosos da última geração rodando num portátil da Nintendo? A resposta curta é: com muito trabalho e algumas ressalvas. Mas será que realmente vale a pena? É o que vamos descobrir na análise de hoje.
Pra quem não conhece Elden Ring, você controla um Maculado que retorna às Terras Intermédias após o Anel Prístimo ter sido despedaçado e a Rainha Marika ter desaparecido. Vários semideuses agora possuem pedaços do Anel conhecidos como Grandes Runas, e cabe a você coletá-las para eventualmente se tornar o novo Elden Lord.
O que sempre me fascinou em Elden Ring é a liberdade absurda que o jogo te dá. Após a seção de tutorial, as Terras Intermédias são basicamente suas. Você pode seguir o caminho que o jogo aponta, ou simplesmente virar para o lado oposto e ver o que acontece. Na maioria das vezes, esse pequeno desvio te leva para uma caverna, um castelo, um personagem estranho, uma arma útil ou alguma criatura horripilante que te mata antes mesmo de você perceber que estava em perigo. É exatamente essa sensação de descoberta que faz Elden Ring funcionar tão bem como mundo aberto.
O combate que define uma geração

O combate de Elden Ring continua sendo um dos melhores do gênero. Ataques leves e pesados, bloqueio, esquiva, magias, ataques aéreos e contra-ataques após defesa te dão uma quantidade absurda de opções para lidar com as situações. Acertar o timing e responder um ataque poderoso com um contra-ataque devastador nunca deixa de ser satisfatório.
A variedade de armas é simplesmente ridícula, e as Cinzas de Guerra permitem que você experimente diferentes ataques especiais e mude completamente como certas armas se encaixam na sua build. As Cinzas Espirituais podem te dar aquela ajuda necessária durante encontros difíceis e, quando isso ainda não é o suficiente, invocar outro jogador continua sendo uma opção viável.
Mas não se engane, nada disso torna Elden Ring fácil. Você ainda vai ver aquela famosa tela de “Você Morreu” constantemente, e atacar um chefe uma vez a mais do que deveria pode apagar vários minutos de trabalho cuidadoso em segundos. A diferença aqui é que, ao contrário dos Souls tradicionais, você pode simplesmente ir embora, explorar outra área, ficar mais forte e voltar depois para se vingar. Essa flexibilidade muda completamente como você lida com a dificuldade brutal da FromSoftware.
A Tarnished Edition e suas novidades

Essa edição obviamente não é apenas o jogo original jogado em um hardware novo. Shadow of the Erdtree está incluso, adicionando o Reino das Sombras e outra aventura massiva a um jogo que já era gigantesco. Se o Switch 2 for seu primeiro contato com Elden Ring, existe uma quantidade quase ridícula de conteúdo esperando por você aqui.
Também temos algumas adições novas, começando com duas classes extras: o Cavaleiro Pesado e o Cavaleiro de Idus. O Cavaleiro Pesado é basicamente o que o nome sugere, te colocando com equipamentos mais pesados e um estilo de jogo focado em receber e causar dano bruto. O Cavaleiro de Idus tem uma abordagem mais leve e te dá outra opção interessante ao criar um novo personagem. Também temos quatro novos conjuntos de armadura, três aparências diferentes para Torrente e novas armas para descobrir.
A customização do Torrente é obviamente algo pequeno, mas considerando quantas horas você passa montado nele atravessando as Terras Intermédias, certamente não vou reclamar de finalmente poder mudar sua aparência. São adições legais que funcionam bem como bônus para quem está voltando ao jogo, mas que não são revolucionárias a ponto de justificar uma nova compra sozinhas.
O grande teste: performance no Switch 2

Aqui chegamos no ponto que todo mundo estava curioso: será que Elden Ring realmente roda bem no Switch 2? Vou ser bem direto: sim, roda e roda surpreendentemente bem. Joguei tanto no modo dock quanto no portátil e fiquei impressionado com a estabilidade. Esperava encontrar problemas sérios em áreas maiores ou durante lutas com múltiplos inimigos, mas isso simplesmente não aconteceu na maioria das vezes.
Obviamente, coloque essa versão lado a lado com Xbox Series X ou PlayStation 5 e você vai notar os compromissos visuais. Isso não deveria surpreender ninguém; estamos falando de Elden Ring rodando em um hardware portátil. O que importava pra mim era se esses compromissos começariam a atrapalhar durante o combate, e eles realmente não atrapalharam.
As Terras Intermédias ainda parecem impressionantes na tela menor. Os ataques continuam fáceis de ler e controlar meu personagem sempre pareceu responsivo. Essa última parte é provavelmente a mais importante. Quando um chefe pode te matar porque você esquivou meio segundo atrasado, a última coisa que você quer é começar a se perguntar se o hardware foi responsável pela sua morte. Durante meu tempo com a Tarnished Edition, nunca tive essa sensação. Quando morri, geralmente foi porque fui ganancioso, errei o timing da esquiva ou fiz algo estúpido. Exatamente como deveria ser.
O que me surpreendeu positivamente foi como os modelados e reflexos mantêm um nível muito bom. As chamas irradiando nas armaduras estão iguais ao que lembro de ter jogado nos consoles de geração atual. Os chefes têm os mesmos efeitos em seus ataques e detalhes nas figuras. Da gosto de ver.
Modo portátil vs. Modo dock

Surpreendentemente, o modo portátil pode ser minha forma favorita de jogar essa versão. Elden Ring não é necessariamente o primeiro jogo que vem à mente quando quero algo para uma sessão portátil rápida, mas se encaixa no formato melhor do que eu esperava. Explorar uma caverna, coletar algumas Runas, melhorar uma arma ou dar àquele chefe irritante mais uma tentativa sem precisar sentar na frente da TV é simplesmente fantástico.
O modo dock também funciona muito bem e provavelmente continuará sendo minha escolha sempre que souber que vou jogar por várias horas. Ter o jogo numa tela maior facilita apreciar alguns daqueles ambientes enormes e as criaturas que a FromSoftware joga na sua cara. Mas nunca me senti forçado a escolher um modo específico por causa de problemas técnicos. Simplesmente alternei dependendo de onde queria jogar, que é exatamente o que espero de um jogo de Switch 2.
Vale a pena para quem já jogou?

Essa é a pergunta mais difícil de responder. Para jogadores completamente novos, a resposta é fácil. Você está recebendo Elden Ring, Shadow of the Erdtree e os extras da Tarnished Edition juntos num sistema que você pode levar para qualquer lugar. Se você tem um Switch 2 e de alguma forma conseguiu pular Elden Ring até agora, essa é uma forma incrível de finalmente ver sobre o que foi todo aquele alvoroço.
Para jogadores que já voltaram, a decisão é um pouco mais complicada. As duas novas classes, conjuntos de armadura, armas e customização do Torrente te dão alguns brinquedos novos para experimentar, mas obviamente não vão mudar completamente um jogo que você já pode ter passado centenas de horas explorando. Esses extras também estão disponíveis separadamente nas outras plataformas através do Tarnished Pack, então comprar a versão do Switch 2 só para acessá-los não faz muito sentido.
A portabilidade é a razão pela qual pode valer para veteranos. Poder levar Elden Ring comigo muda quando e onde posso voltar às Terras Intermédias, e esse é exatamente o tipo de jogo onde explorar uma pequena caverna de alguma forma se transforma numa noite inteira cheia de distrações.
Mas e aí, Elden Ring: Tarnished Edition vale a pena?

Elden Ring continua sendo uma obra-prima do design de jogos, e a Tarnished Edition para Switch 2 é a prova de que a FromSoftware sabe o que está fazendo quando se trata de portar seus jogos. Apesar de alguns problemas ocasionais de performance em áreas específicas do mundo aberto, o jogo roda surpreendentemente bem tanto no modo dock quanto portátil, mantendo aquela responsividade crucial que faz toda a diferença num jogo onde timing é tudo.
Para novos jogadores, essa é simplesmente a melhor forma de experimentar Elden Ring se o Switch 2 for sua plataforma principal. Você está recebendo o jogo completo, a expansão excelente e todas as novidades da edição especial num pacote que você pode levar para qualquer lugar. Para veteranos das Terras Intermédias, a portabilidade é o grande atrativo, e sinceramente, poder jogar Elden Ring deitado no sofá ou durante uma viagem é motivo suficiente para considerar uma nova jornada.
A FromSoftware entregou um port que respeita o material original enquanto adapta inteligentemente para as limitações do hardware. As Terras Intermédias nunca pareceram tão acessíveis, e ter toda essa aventura épica na palma da mão é algo que ainda parece meio surreal. Se você tem um Switch 2 e ainda não experimentou Elden Ring, pare o que está fazendo e corrija esse erro imediatamente.
Análise feita com chave para Switch 2 cedida pela publisher.
Resumo para Preguiçosos
Elden Ring: Tarnished Edition para Switch 2 é a prova de que a FromSoftware domina a arte de portar seus jogos, entregando uma experiência surpreendentemente sólida tanto no modo portátil quanto no dock. Apesar de alguns problemas ocasionais de performance em áreas específicas do mundo aberto, o jogo mantém aquela responsividade crucial que faz toda a diferença num título onde timing é tudo. A portabilidade transforma completamente a experiência, permitindo que você leve toda a grandiosidade das Terras Intermédias para qualquer lugar sem sacrificar a essência do que torna Elden Ring uma obra-prima.
Prós
- Modo portatil satisfatório
- Novas armas são boas
- FPS acima dos 30 de forma estável
Contras
- Resolução as vezes fica nitidamente baixa
- Alguns compromissos maiores podem incomodar, como a falta de grama em todo lugar.
