Após muitos anos de espera, Devil May Cry 5 finalmente chega aos consoles da Nintendo e promete entregar sólidos 60 FPS no Switch 2 e o bom e velho hack slash que já conhecemos e tanto amamos. Mas será que vale a pena jogar no Switch 2? É o que vamos descobrir na análise de hoje.
Uma narrativa caótica que funciona perfeitamente

Devil May Cry 5 começa de forma intensa: a cidade de Red Grave está sob ataque de um gigantesco demônio em forma de árvore chamado Qliphoth, e nossos heróis precisam lidar com essa ameaça antes que seja tarde demais. Logo de cara você já percebe que a Capcom não está para brincadeira, jogando o jogador direto na ação sem muita enrolação.
A história é contada de forma não-linear, alternando entre presente e passado para mostrar diferentes pontos de vista dos três protagonistas jogáveis. No começo pode parecer confuso, mas conforme você avança nas missões tudo começa a se encaixar de uma forma satisfatória.
Nero busca vingança após perder seu braço demoníaco, Dante continua sendo o caçador de demônios mais confiante do mundo, e V é um completo mistério que vai se revelando aos poucos. A química entre eles é excelente e as cutscenes são sempre empolgantes, cheias de momentos memoráveis que vão desde o humor característico da série até reviravoltas dramáticas que realmente te pegam de surpresa.
Combate que beira a perfeição

Sobre o combate, Nero agora conta com os Devil Breakers, braços mecânicos criados pela Nico que substituem o Devil Bringer que ele perdeu. Cada braço tem habilidades únicas e podem ser destruídos durante o combate se você não tomar cuidado. O legal é que os Devil Breakers podem ser coletados durante as fases, então você raramente fica sem opções. Além disso, é possível montar configurações personalizadas antes de começar uma missão, escolhendo quais braços levar para a batalha.
Dante continua sendo o absurdo de sempre. Ele tem quatro estilos de combate que podem ser trocados instantaneamente (Trickster para mobilidade, Swordmaster para combos com armas brancas, Gunslinger para armas de fogo e Royal Guard para defesa e contra-ataques), além de um arsenal ridiculamente variado que inclui espadas, nunchakus, uma moto que vira duas motosserras, luvas de boxe, e várias armas de fogo diferentes.
E então temos V, ele é completamente diferente de tudo que já vimos na franquia e em praticamente qualquer hack and slas. V não luta diretamente, ao invés disso ele invoca três criaturas demoníacas que fazem o trabalho sujo por ele: Griffon (um corvo que ataca à distância), Shadow (uma pantera focada em combate corpo a corpo) e Nightmare (um golem gigantesco que causa destruição massiva).
O gameplay do V quebra completamente as regras do gênero. Você fica controlando as invocações para enfraquecer os inimigos enquanto mantém V a uma distância segura, porque ele é bem frágil. Quando os inimigos estão quase mortos, você precisa se aproximar com V para dar o golpe final e eliminar de vez. É um balanço constante entre agressão e cautela, entre ficar longe da briga e se jogar no meio do caos.
No começo parece estranho e até desconfortável, mas quando você pega o jeito vira algo completamente único e viciante. É como se você estivesse jogando um gerenciador de recursos em tempo real no meio de um hack and slash frenético.
Level design direto ao ponto

As missões de Devil May Cry 5 são estruturadas de forma bem tradicional para a franquia: arenas de combate conectadas por corredores, com alguns segredos escondidos pelo caminho. Não espere exploração profunda, o jogo é focado em te levar de luta em luta mantendo o ritmo sempre acelerado.
Isso não quer dizer que os cenários são monótonos. Cada missão tem sua própria identidade visual e te leva para locais bem diferentes, desde as ruas destruídas de Red Grave até o interior da Qliphoth. A direção de arte é fantástica e mesmo que a estrutura seja simples, sempre tem algo interessante para olhar.
As lutas contra chefes são um dos pontos altos do jogo, com confrontos épicos e bem desenhados que testam tudo que você aprendeu até ali. Cada boss tem padrões únicos e exige estratégias diferentes, te forçando a dominar as mecânicas dos personagens para vencer.
Devil May Cry 5 é feito para ser jogado múltiplas vezes. Após terminar a campanha principal (que dura entre 12 e 15 horas), você desbloqueia novos modos de dificuldade, novas armas e até mecânicas inéditas que mudam completamente certas batalhas. O jogo te incentiva a voltar e melhorar seus rankings em cada missão, buscando aquele cobiçado SSS em todos os combates. Além é claro, dessa versão do Switch 2 já vim com a DLC do Vergil que muda completamente toda a gameplay e vale muito a pena também.
Mas como está o jogo no Nintendo Switch 2?

Já sobre o port para o Switch 2 em si, nós temos algo bem próximo do que era a versão de Playstation 4: sólidos 60 FPS em 1080p, tanto na dock quando to modo portátil.
Ao jogar no modo portátil esse port realmente brilha, o jogo é muito bonito e sustenta os 60 FPS com qualidade, é o jogo perfeito para jogar uma missão do inicio ao fim enquanto está fora de casa ou deitado na cama usando o portátil.
Já o modo dock é onde vemos os principais defeitos técnicos dessa versão do jogo. A resolução é claramente inferior a de PS5 e podemos ver vários borrados em algumas cenas, além de um serrilhado bizarro que aparece em toda cutscene e tira a imersão. Essas coisas ainda existem no modo portátil mas por conta do tamanho compatível de tela você não percebe facilmente, já numa tela 4K as limitações aparecem rapidamente.
Mas e aí, Devil May Cry 5 vale a pena?

Devil May Cry 5 é um dos melhores jogos da franquia e um dos melhores hack and slash já feitos. A Capcom conseguiu pegar tudo que funcionava nos jogos anteriores, refinar ao máximo e ainda adicionar inovações significativas através do V e dos Devil Breakers do Nero. A história é bem contada, os personagens são carismáticos, o combate é fenomenal e a apresentação é de primeira linha.
Os problemas existem: câmera teimosa, alguns bosses repetidos e limitações técnicas no modo dock do Switch 2, mas são pequenos tropeços em uma jornada que é extraordinária do começo ao fim. É o tipo de jogo que você termina e já quer jogar de novo imediatamente para melhorar seus rankings e experimentar estratégias diferentes.
Análise feita com uma chave de Switch 2 cedida pela Publisher.
Resumo para Preguiçosos
Devil May Cry 5 é um dos melhores jogos da franquia e port para Switch 2 é honesto. Existe alguns tropeços no modo dock com bastante serrilhado mas o jogo em si é fantástico e visualmente bonito no Switch 2.
Prós
- Três personagens com estilos de combate totalmente diferentes e divertidos
- História bem contada
- Combate profundo, satisfatório e extremamente rejogável
- Trilha sonora dinâmica excepcional que evolui durante o combate
Contras
- Câmera problemática em ambientes fechados
- Serrilhado bem alto no Switch 2

