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Daymare: 1998 – Review

O ano é o já longínquo 2014. Um grupo de fãs sob a alcunha de Invader Games decidiu fazer por sua conta uma versão de Resident Evil 2 Remake, que naquela época ainda não estava nem sequer em planejamento por parte da Capcom.

Com todo seu carinho e amor pela franquia de survival horror da Capcom eles iniciaram o trabalho de dar vida a um remake do jogo clássico utilizando a Unreal Engine 4 e todos os seus conhecimentos sobre o game. O resultado compartilhado na internet através de algumas imagens e de um curto trailer de jogabilidade deixou a comunidade de fãs de Resident Evil completamente alucinada, e logo começou a despertar o interesse da Capcom.

De lá pra cá, a Capcom se aproximou da Invader, e tempos depois anunciou que ela mesma faria o tão sonhado Resident Evil 2 Remake. Dessa forma, o trabalho da Invader Games acabou sendo descontinuado mas eles chegaram a ser consultados pela gigante japonesa durante o desenvolvimento de RE2 Remake.

O trabalho realizado pela Invader até então em sua versão de RE2 Remake era tão bom que eles decidiram profissionalizar suas atividades, firmando-se como uma desenvolvedora de games independente e criando o seu próprio jogo. Claro que sua primeira produção estaria com raízes fincadas no survival horror e carregada de referências de Resident Evil, e dessa forma surgiu Daymare 1998.

It’s Raccoon City all over again

Por conta desse contexto ligado à Resident Evil, Daymare 1998 traz consigo muito da franquia da Capcom. Uma empresa, um vírus, uma equipe da polícia, um acidente biológico e um vírus se espalhando por uma laboratório e uma cidade inteira infectada. E claro, MUITOS ZUMBIS!

No jogo iniciamos a história assumindo o controle de Liev, um agente especial da HADES que é enviado para o complexo de pesquisa chamado AEGIS parar entender o que aconteceu no local e recuperar uma carga especial.

Assim como em Resident Evil, Daymare 1998 apresenta diversos plot twists e a traição de membros do próprio esquadrão é um elemento-chave da trama, já que é por conta de uma dessas situações que o vírus acaba se espalhando por praticamente toda a cidade.

A atmosfera é muito parecida com a dos Resident Evil clássicos, e apesar da câmera em terceira pessoa com visão sobre o ombro, a escuridão dos cenários, corredores apertados e a tensão de que a qualquer momento tudo pode dar errado são a tônica de Daymare 1998 em praticamente toda a sua jornada.

Em um segundo momento do jogo assumimos o papel do verdadeiro protagonista do jogo, Sam, e é a partir daí que o jogo se torna mais interessante, já que nesse momento é quando vemos as coisas realmente saírem de controle por conta da contaminação.

Há uma alternância no controle de Liev e de Sam, e isso enriquece bastante a narrativa, já que mostra dois lados de uma mesma situação e traz uma maior profundidade para a história por trás do desastre.

Tropeço nas próprias pernas

Apesar de uma narrativa bem construída mas sem grandes novidades, a história segue em um ritmo bacana, mas há alguns momentos em que diálogos e situações beiram um pouco a galhofa, quebrando um pouco do que o jogo oferece de melhor.

Outro ponto problemático que merece atenção é a desnecessária complexidade das mecânicas do jogo, especialmente o gerenciamento de munição e a forma de curar o personagem.

A impressão é que a Invader sentiu que Daymare 1998 era muito mais do mesmo, e adicionaram uma camada de complexidade nas mecânicas citadas com o intuito de trazer algum tipo de inovação. Infelizmente erraram e isso acaba tornando algumas coisas simples como estocar e recarregar munição um exercício cheio de comandos desnecessários e nada intuitivos.

Outro aspecto negativo importante sobre o jogo é seu desempenho. Já havia jogado a versão de PC e ao jogar a versão de PlayStation 4 há uma diferença muito grande na otimização de desempenho. Projetado inicialmente para PC, Daymare 1998 tem um desempenho péssimo no PS4.

São diversos momentos de travamentos, lags e engasgos, em um jogo que deveria rodar liso, já que apresenta visuais condizentes com o início da geração e por utilizar a Unreal Engine 4 em um potencial gráfico abaixo do seu limite. Esses travamentos atrapalham um pouco a experiência e foram algumas vezes em que morri por conta de um lag ou engasgo no processamento do jogo no console, algo que não aconteceu quando experimentei o jogo no PC – e olha que eu nem rodei ele em um Master Race, mas sim em uma máquina com 1050ti, 16GB de Ram e processador i7 de 7ª geração.

Survival Horror nú e cru

Se é Survival Horror que você procura, então é exatamente isso que você vai encontrar em Daymare 1998.

O jogo não apenas se utiliza de conceitos desse gênero como finca todas as suas bases neles. Ambientação escura e sombria, muito gore, criaturas desformes, suspense, trilha e efeitos sonoros na medida, escassez de recursos, puzzles complexos e instigantes e uma iluminação que é uma espécie de cobertura que amarra todos os demais elementos juntos.

Não bastasse isso, em Daymare 1998 o jogador passa o tempo inteiro no limite da tensão. A cada passo, a cada nova área que é descoberta tudo pode dar errado e resultando em game over. Isso também muito por conta de uma movimentação mais travada e lenta do que nos jogos atuais que se valem do mesmo ângulo de câmera. Claramente esse foi um recurso utilizado pela Invader para dar mais tensão e deixar o jogador mais vulnerável: tarefa que eles cumpriram com sucesso total.

No aspecto de puzzles, eles aparecem em um bom número e tem um grau de dificuldade bastante elevado se compararmos com os jogos atuais do gênero. Ler arquivos, prestar atenção em diálogos e detalhes é fundamental para resolvê-los. Além disso, outro elemento importante do survival horror é bastante presente no jogo: o backtracking.

Haverá diversos momentos em que o jogador precisará retornar em uma área visitada anteriormente para abrir uma porta, coletar um item ou liberar uma nova área.

A soma de todos esses elementos é um dos jogos de survival horror mais literais que pude experimentar nos últimos anos. Isso é um prato cheio para aqueles que sentem saudades desses elementos nús e crus, e é um excelente cartão de visita para aqueles que não vivenciaram a era de ouro do gênero no final da década de 1990 e início da década de 2000.

Vale a pena?

Daymare 1998 é um bom jogo e um excelente survival horror.

O game possui algumas falhas, especialmente em mecânicas desnecessariamente complicadas e também em desempenho e otimização para o PlayStation 4.

Entretanto, isso não apaga o brilho do jogo especialmente no aspecto ambientação que é onde a Invader Studios foi extremamente feliz em suas escolhas e resoluções para este game.

A história é bastante clichê, mas tem seus pontos altos que instigam o jogador com muito suspense, revira-voltas e cliff hangers. É um jogo que deve estar na biblioteca de todo o fã de survival horror, e nos faz pensar em o que esses produtores poderiam fazer caso tivessem um bom investimento e uma distribuidora grande atuando por trás deles.

Resumo para os preguiçosos

Daymare 1998 é um bom jogo e um excelente survival horror.

O game possui algumas falhas, especialmente em mecânicas desnecessariamente complicadas e também em desempenho e otimização para o PlayStation 4. Entretanto, isso não apaga o brilho do jogo especialmente no aspecto ambientação que é onde a Invader Studios foi extremamente feliz em suas escolhas e resoluções para este game.

A história é bastante clichê, mas tem seus pontos altos que instigam o jogador com muito suspense, revira-voltas e cliff hangers. É um jogo que deve estar na biblioteca de todo o fã de survival horror, e nos faz pensar em o que esses produtores poderiam fazer caso tivessem um bom investimento e uma distribuidora grande atuando por trás deles.

Nota final

75
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Atmosfera tenebrosa
  • Ambientação
  • Survival Horror raiz
  • Backtracking
  • Puzzles compelxos
  • Visual dos inimigos
  • Vivenciar a história pela ótica de dois personagens

 

Contras

  • Mecânicas complexas de forma desnecessária
  • Problemas de otimização e desempenho
  • História clichê
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