Control Resonant – Análise Vale a Pena – Review

Control Resonant era, sem dúvidas, um dos jogos que eu mais estava aguardando para este ano. Acompanho e admiro muito o trabalho da Remedy, principalmente por tudo que o estúdio construiu em jogos como Alan Wake, Quantum Break e, claro, o primeiro Control. Existe uma identidade muito própria nos jogos da desenvolvedora, seja na forma como suas histórias são contadas, na maneira como seus universos misturam o sobrenatural com elementos cotidianos ou na atenção aos pequenos detalhes espalhados pelos cenários. Por isso, a expectativa para voltar a esse universo era enorme.

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E Control Resonant não demora para deixar claro que pretende expandir aquilo que conhecemos no primeiro jogo.

Reprodução: Control Resonant

A história se passa sete anos após os acontecimentos de Control. Durante esse período, a Casa Antiga permaneceu em quarentena, enquanto Dylan continuava em coma depois dos acontecimentos do primeiro jogo. Jesse, agora Diretora do Departamento Federal de Controle, desapareceu, e o Ruído conseguiu, de alguma maneira, escapar do confinamento e chegar ao mundo exterior.

É nesse momento que Dylan finalmente desperta. Jesse aparece para acordá-lo ao fincar a Aberrante, a arma que nos acompanha durante o jogo, em seu corpo. A partir desse momento, somos colocados na pele de Dylan e começamos a descobrir o que aconteceu durante os anos em que ele permaneceu inconsciente, ao mesmo tempo em que tentamos entender o que está acontecendo com Jesse e com essa nova manifestação do Ruído.

É uma ótima maneira de iniciar a aventura porque, mesmo retomando acontecimentos importantes do primeiro jogo, Resonant rapidamente estabelece que estamos diante de uma situação completamente nova. Dessa vez, não estamos apenas explorando a Casa Antiga. O universo de Control se expandiu para fora dela, e a Remedy aproveita essa oportunidade para construir uma experiência muito maior em escala.

Reprodução: Control Resonant

A Remedy decidiu fazer algo bastante diferente aqui. Control Resonant abandona a estrutura mais “contida” do primeiro jogo e aposta em um Mundo Aberto dividido por zonas, com cenários muito maiores e uma quantidade considerável de atividades espalhadas pelo cenário.

Cada Zona possui atividades secundárias que, quando realizadas, contribuem para aumentar o nível daquele setor, liberando recompensas como itens, pontos de habilidade e outros recursos. Também existem pontos de teletransporte que facilitam bastante a movimentação entre as diferentes regiões.

A exploração, entretanto, tem seus problemas. O minimapa é bem ruim e, em diversas situações, simplesmente não ajuda o suficiente para entender para onde precisamos ir. Várias vezes me peguei tendo que abrir o mapa completo pelo menu para descobrir qual caminho deveria seguir até determinado objetivo.

Também é importante dizer que nem tudo o que encontramos pelo mapa é particularmente interessante. Existem muitos daqueles conteúdos típicos de jogos de mundo aberto que servem mais para preencher o espaço do que para oferecer algo realmente memorável.

Por outro lado, Resonant também esconde muitos segredos, missões secundárias e situações que realmente valem a pena descobrir. E é principalmente nessas atividades que o jogo consegue manter aquela sensação de mistério tão característica da Remedy. Para quem gosta de descobrir mais sobre esse universo, vasculhar cada canto de Manhattan pode render momentos bastante interessantes.

Existe ainda uma mecânica muito legal envolvendo os Resonantes. Depois de derrotarmos um deles, a respectiva zona entra em uma espécie de novo ciclo: as caçadas daquela região são atualizadas, os inimigos ficam mais fortes e as recompensas melhoram. Isso dá um novo propósito para retornar a áreas que já exploramos e ajuda a manter a sensação de progressão mesmo depois de termos avançado por determinado território.

Reprodução: Control Resonant

Mas se existe uma área em que Control Resonant realmente me surpreendeu, foi no combate. A Remedy está muito acostumada a trabalhar com jogos de tiro em terceira pessoa. Control e Alan Wake 2 são exemplos claros disso. Aqui, entretanto, o estúdio decidiu sair um pouco da sua zona de conforto e construiu um sistema de combate muito mais focado em curta distância, tendo a Aberrante como nossa principal fonte de dano na maior parte do tempo. E eles acertaram em cheio.

O combate é simplesmente incrível e, principalmente, extremamente customizável. A Aberrante possui três formas principais, que funcionam como a base dos nossos ataques e possuem características completamente diferentes entre si. O Cutelo, por exemplo, causa dano adicional quando atingimos os inimigos pelas costas. A forma chamada Golpe possui uma chance maior de realizar acertos críticos, sendo uma opção interessante para quem quer maximizar o dano. Já a Foice possui ataques capazes de atingir múltiplos inimigos em área, sendo especialmente útil quando estamos cercados.

Mas a Aberrante não para por aí. Também temos três formas secundárias, cada uma com suas próprias funções e possibilidades dentro de uma build. O Esmagamento causa uma grande quantidade de dano bruto e aplica Abalo aos inimigos, aumentando sua barra de stun. Quando essa barra é preenchida, podemos realizar um finalizador, criando uma ótima oportunidade para controlar inimigos mais resistentes. A Extensão é capaz de atingir vários inimigos ao mesmo tempo e, quando aprimorada, também se torna uma excelente ferramenta para recuperar nossa barra de Poder. Isso faz dela uma opção particularmente interessante para builds focadas no “spam” de habilidades. Já a Broca aplica Enfraquecimento aos inimigos, reduzindo o dano que eles são capazes de causar e oferecendo uma alternativa mais defensiva para determinados confrontos.

E ainda existem os seis finalizadores de combo, que funcionam como golpes adicionais executados por Dylan depois que completamos os três ataques da forma principal da Aberrante. Cada um possui suas próprias características e pode complementar diferentes estilos de jogo, aumentando ainda mais as diferentes opções de build.

Além da Aberrante, ao derrotar um Resonante, os Chefes do jogo, temos a opção de escolher um entre dois ou três poderes diferentes, cada um com suas próprias características e aplicações.

O jogo também conta com árvores de habilidades distintas para Dylan e para a Aberrante, oferecendo ainda mais possibilidades para personalizar nossa build. No caso de Dylan, a maior parte das melhorias está relacionada a atributos e efeitos passivos, como aumentar seu dano quando ele está próximo de uma invocação, por exemplo. Para evoluir essas habilidades, precisamos gastar Pontos de Habilidade, obtidos ao concluir missões e aumentar o nível das diferentes Zonas do mapa.

Já a evolução da Aberrante funciona de maneira diferente. Para desbloquear suas melhorias, precisamos gastar Fonte, a moeda do jogo, além de materiais específicos. Esses recursos podem ser encontrados durante a exploração do mundo, obtidos ao derrotar inimigos ou comprados nas lojas espalhadas pelas diferentes Zonas.

E existe uma coisa que gostei bastante em Control Resonant: o jogo não burocratiza a experimentação.

É possível resetar os atributos e testar novas combinações sem transformar essa experiência em um processo cansativo. Eu mesmo resetei minha build diversas vezes durante a campanha. Sempre que desbloqueava uma nova habilidade de um Resonante, fazia questão de experimentar uma configuração diferente para descobrir como aquilo poderia modificar meu estilo de jogo.

Isso faz uma diferença enorme. Em muitos RPGs de ação, encontrar uma nova habilidade significa simplesmente adicioná-la à build que você já está utilizando. Em Resonant, novas habilidades realmente me incentivavam a experimentar novamente. E isso ajuda a manter o combate fresco durante praticamente toda a campanha.

A mobilidade no jogo também é excelente, tanto no combate quanto na exploração. Dylan se movimenta pelo cenário com muita liberdade e, conforme novas habilidades são desbloqueadas, áreas que antes pareciam inacessíveis passam a fazer parte do nosso caminho de exploração.

Reprodução: Control Resonant

Control Resonant também não é um jogo particularmente fácil. Os inimigos possuem níveis indicados numericamente e, quanto maior o nível, maior a dificuldade para enfrentá-los. Isso fica especialmente evidente quando temos muitos inimigos simultaneamente na tela.

Em determinados momentos, controlar o espaço ao nosso redor, administrar os ataques e entender qual inimigo deve ser priorizado se torna essencial.

Os chefes seguem uma proposta um pouco diferente. Não achei que eles fossem particularmente desafiadores no que diz respeito ao combate, principalmente quando comparados a alguns dos confrontos mais difíceis que encontramos durante a exploração. Porém, isso está longe de significar que sejam encontros pouco interessantes.

Muito pelo contrário. Os chefes são incríveis, tanto visualmente quanto na maneira como suas batalhas são construídas. As lutas são divertidas e conseguem criar momentos realmente memoráveis, mas o que mais gostei foi de toda a construção que acontece antes de chegarmos até elas.

A Remedy utiliza muito bem o próprio ambiente para preparar o jogador para aquilo que está por vir. Conforme nos aproximamos de determinados confrontos, o cenário começa a mudar, a atmosfera fica diferente e pequenos detalhes vão criando uma expectativa de que alguma coisa está prestes a acontecer. É como se o próprio jogo estivesse preparando o terreno para a batalha antes mesmo de ela começar.

E quando finalmente chegamos ao confronto, essa preparação faz com que a luta tenha um peso muito maior. Mesmo sem serem os momentos mais difíceis do jogo, são encontros que ficam marcados justamente pela apresentação, pelo ambiente e pela forma como a Remedy constrói cada um deles.

Entretanto, existe um problema que acaba limitando um pouco a experiência de combate: a variedade de inimigos. Em relativamente pouco tempo de jogo, já somos apresentados a praticamente todos os tipos de inimigos que Control Resonant tem a oferecer. A partir daí, eles passam a se repetir durante boa parte da campanha, com poucas novidades para alterar significativamente a dinâmica dos confrontos.

Isso fica ainda mais perceptível justamente porque o sistema de combate é tão bom. Existe uma quantidade enorme de possibilidades para construirmos nosso Dylan, mas acabamos enfrentando os mesmos tipos de ameaças repetidamente. Novas combinações de habilidades conseguem manter os confrontos interessantes por bastante tempo, mas uma variedade maior de inimigos teria aproveitado ainda melhor todo o potencial desse sistema.

Reprodução: Control Resonant

Se existe uma coisa que Control Resonant faz de maneira praticamente impecável, são seus visuais.

A direção de arte, a iluminação e a construção dos cenários estão entre os maiores destaques do jogo e, para mim, colocam Resonant entre os jogos mais bonitos desta geração. É impressionante a quantidade de vezes em que eu deixei o controle de lado só para ficar observando o cenário.

A Remedy consegue transformar Manhattan em algo simultaneamente familiar e completamente paranormal. A iluminação trabalha muito bem com as distorções da realidade, enquanto os cenários possuem uma quantidade absurda de detalhes.

Tudo relacionado à progressão parece ter recebido um cuidado especial. Mesmo quando estamos simplesmente atravessando uma área para chegar ao próximo objetivo, existe alguma coisa acontecendo visualmente que chama atenção. A trilha sonora também é excelente e complementa muito bem essa atmosfera.

É aquele tipo de trabalho audiovisual que reforça constantemente a identidade do jogo sem precisar ficar chamando atenção para si.

Reprodução: Control Resonant

Apesar de Dylan ser o protagonista, Resonant não depende apenas dele para contar sua história.

Temos o retorno de personagens conhecidos do primeiro jogo, como Emily Pope e Arish, que continuam desempenhando papéis importantes dentro dessa nova situação. Ao mesmo tempo, novos personagens chegam para ampliar esse universo.

Um dos destaques foi Zoe, uma agente do DFC que acompanha Dylan durante boa parte da aventura.

A relação entre os dois é especialmente interessante porque Zoe começa a jornada conhecendo Dylan muito mais pelos arquivos que leu sobre ele do que pela pessoa que ele realmente é. Conforme passa mais tempo ao lado do protagonista, a percepção que ela possui sobre ele vai mudando.

E isso conversa muito bem com as escolhas de diálogo no jogo. Dylan possui diversas conversas nas quais podemos escolher como ele responde às situações. Isso permite moldar um pouco a personalidade do personagem e, consequentemente, a maneira como ele enxerga o mundo ao seu redor. É uma mudança simples, mas que ajuda a tornar Dylan mais nosso.

Reprodução: Control Resonant

Assim como no primeiro jogo, Resonant não conta toda a sua história apenas através das cenas principais. Existe uma enorme quantidade de informações espalhadas pelo mundo em forma de arquivos de texto, áudios, vídeos e colecionáveis. Para quem gosta de mergulhar de cabeça no universo criado pela Remedy, esse conteúdo é extremamente valioso.

São esses pequenos detalhes que ajudam a transformar aquilo que poderia ser apenas uma história sobre uma ameaça paranormal em algo muito maior. E esse sempre foi um dos maiores talentos da Remedy: criar universos que parecem possuir histórias acontecendo mesmo quando não estamos olhando para elas.

Outro ponto que merece ser destacado é a localização. A Remedy já vinha trazendo seus jogos com legendas em português brasileiro, mas desta vez deu um passo além e trouxe Control Resonant completamente dublado em nosso idioma. A dublagem funciona bem e ajuda bastante na imersão, principalmente considerando a quantidade de diálogos presentes durante a exploração.

Para um jogo tão focado em narrativa e construção de universo, ter a possibilidade de acompanhar tudo em português é um acréscimo muito bem-vindo.

Preciso jogar o primeiro Control?

Apesar de Control Resonant fornecer um resumo dos acontecimentos do primeiro jogo, ele não é aprofundado o suficiente para substituir completamente a experiência original.

E aqui existe um detalhe importante: Control é fantástico. Então, além de ser importante para entender melhor a história, jogar o primeiro jogo antes de Resonant é simplesmente uma ótima experiência.

Para quem realmente não pretende jogar o original, pelo menos recomendo assistir a algum vídeo que explique a história e os principais acontecimentos de Control antes de começar Resonant. Isso fará diferença principalmente para compreender a relação entre Jesse e Dylan, o Ruído, a Casa Antiga, o DFC e toda a mitologia que foi construída anteriormente.

Mas e aí, Control Resonant vale a pena?

Depois de tudo isso, fica difícil não reconhecer o tamanho do acerto da Remedy.

Control Resonant pega uma franquia que já tinha uma identidade muito forte, muda completamente a estrutura de exploração, troca boa parte do foco do combate à distância por um sistema de combate corpo a corpo extremamente customizável e ainda transforma a experiência em algo muito mais próximo de um RPG de ação.

E, mesmo apostando em elementos que não são exatamente a zona de conforto do estúdio, a Remedy conseguiu entregar um resultado excelente.

Control Resonant é visualmente espetacular, possui um combate viciante, enormes possibilidades de build, uma ótima atmosfera, personagens interessantes e uma quantidade absurda de detalhes para quem quiser se aprofundar em seu universo.

Existem problemas, principalmente na variedade de inimigos e em algumas atividades de mundo aberto que acabam sendo pouco interessantes. Mas, para mim, eles ficam pequenos diante de tudo que o jogo faz de bom.

Mais uma vez, a Remedy demonstra que é capaz de entregar jogos com um nível de qualidade que poucos estúdios conseguem alcançar. E, sinceramente, estou torcendo para que Control Resonant tenha todo o sucesso que merece. Porque, para mim, ele é com certeza um dos melhores jogos do ano.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PS5 fornecida pela publisher.

Resumo para Preguiçosos

Control Resonant leva a série para uma direção diferente sem perder a identidade da Remedy. O novo combate corpo a corpo é excelente e oferece inúmeras possibilidades de build, enquanto a exploração de Manhattan, os segredos e as missões secundárias expandem muito bem o universo. Os visuais e a iluminação são alguns dos melhores que vi nesta geração, acompanhados por uma ótima trilha sonora e uma história repleta de mistérios. A variedade de inimigos poderia ser muito melhor e algumas atividades de mundo aberto são pouco interessantes, mas o conjunto é excelente e faz de Control Resonant um dos meus jogos favoritos do ano.

Prós

  • Combate
  • Variedade de builds
  • Direção de Arte
  • Dublagem

Contras

  • Pouca variedade de inimiga
  • Algumas atividades no mundo aberto não são interessantes
Giácomo
Giácomo
Apaixonado por Counter-Strike e Souls-Like, escrevo sobre games e animes no Critical Hits. No meu tempo livre, gosto de assistir séries e jogar basquete.