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Code Vein – Review

A Bandai Namco é conhecida por ser a publisher mais importante no que diz respeito a jogos de anime, e em 2011, a história da companhia mudou ao publicar aquele jogo que todo mundo gosta de usar para comparar com outros games: Dark Souls. Mas e se a gente misturasse estas duas coisas? Com essa ideia, nasce Code Vein, um jogo que se vende como um “Dark Souls versão anime”, mas será que o jogo é mais do que isso? Hoje, vamos descobrir.

Em Code Vein, o mundo sofreu uma espécie de evento cataclísmico onde boa parte da humanidade foi exterminada. Quem não morreu acaba tendo dois destinos, ou torna-se uma aparição, uma criatura semelhante a um vampiro, que precisa precisa de sangue para viver e é imortal, mas perdeu suas memórias, ou permanece humano e provavelmente torna-se um escravo das aparições por causa do sangue.

Graças a este evento cataclísmico, há uma espécie de névoa no mundo que corrompe as aparições , e os torna nos perdidos, monstros que, como o nome sugere, perderam a mente e agora só querem destruir o que eles encontram pela frente. O problema é que a sociedade de aparições está a beira de um colapso pela falta de sangue para eles se alimentarem. Para manterem-se, eles precisam explorar cada vez mais esta névoa e correr riscos.

No meio deste cenário, aparece você, uma aparição especial que tem o poder de purificar esta névoa, e agora você parte numa jornada para descobrir como parar esta névoa e também para garantir a sobrevivência do seu grupo de aparições.

Com este cenário, Code Vein coloca você de cara explorando uma caverna em busca de uma fruta de sangue para alimentar o seu grupo. De cara você percebe que o jogo realmente bebe bastante da fonte Soulsborne, já que a movimentação é bem similar a dos jogos do gênero e o estilo de exploração, encontrar “fogueiras” (que no caso deste jogo são uns arbustos de luz) que fazem os inimigos renascerem e onde você pode dar level up, desbloquear atalhos que diminuem bastante o caminho que você precisa fazer até a próxima área, enfrentar chefes difíceis e assim por diante.

Nesse sentido, Code Vein acaba não trazendo nenhuma grande novidade ao gênero, diferente de outros jogos que tentam capturar a magia de Dark Souls e suas sequências, mas também é bastante competente no que se propõe. Ao invés de ser um jogo “difícil por ser difícil” como outros jogos do gênero se propõem, o ritmo de Code Vein acaba sendo bem melhor, já que mesmo não sendo tão complicado assim, você encontra alguma dificuldade nas áreas novas sempre até encontrar a primeira árvore. Depois disso, a área costuma ficar bem mais tranquila de se explorar, e mesmo assim, a grande dificuldade do jogo não está em inimigos absurdamente fortes ou roubados, e sim no número de adversários que você tem que enfrentar até encontrar o próximo ponto de descanso.

Um ponto em que o jogo deixa a desejar um pouco é na criatividade dos inimigos que você vai encontrando no meio do caminho. Parece que a equipe de desenvolvimento do jogo usou toda a criatividade para dar visuais de anime aos inimigos e esqueceram de investir na variação entre eles. A maioria dos inimigos é o soldado padrão de escudo e espada (ou lança, ou machado ou alguma outra arma do tipo) com um moveset bem semelhante ao seu, mas bem mais lento, ou com alguma técnica em especial. Há poucos inimigos não humanoides e a sensação que você tem é que “enfrentou um, sabe como matar a maioria”.

Isto acaba sendo verdade também no caso dos inimigos maiores, como a mulher gorda do começo do jogo que reaparece com skins diferentes em várias outras áreas do game e os cachorros do começo do jogo, além de outros inimigos que povoam as diferentes áreas do game.

Um ponto que vale ser ressaltado aqui é sobre os chefes do jogo. O primeiro chefe do game não chega a ser tão difícil assim, mas o segundo é de longe um dos piores chefes que eu já enfrentei num jogo soulsborne. Além de ser difícil de prever como vão ser os ataques desta chefe, eles tiram uma tonelada de vida, fora o dano de veneno que fica corroendo a sua vida durante o jogo. No fim das contas, eu acabei derrotando ela mais na ignorância do que na técnica mesmo, mas felizmente parece que a equipe do jogo foi tomada por uma luz divina depois desta chefe, já que os demais acabam não sendo tão complicados (e roubados) assim. Então, se você estiver nela e querendo desistir, saiba que a vida fica bem mais fácil depois desse ponto, mas realmente, até ele, Code Vein acaba sendo bem maçante.

Outro ponto que acaba sendo chato no jogo são as invasões. Diferente de outros jogos do gênero, aqui você não é invadido pelo fantasma de alguém ou algo do tipo, e sim por uma tonelada de inimigos ao mesmo tempo. Na maioria dos casos esses inimigos não estão num caminho obrigatório (mas às vezes estão) e sempre que você passar pelo lugar ele vai ser ativado, então, caso você morra durante a invasão, prepare-se para enfrentar os inimigos de novo na tentativa de recuperar os seus pontos de experiência. Esses encontros são bem chatos, porque o jogo resolve colocar os inimigos mais apelões da área aos montes contra você, e se você é atingido por um golpe, prepare-se para tomar mais 2 ou 3 e perder quase toda a sua vida de uma vez só.

Para facilitar a vida do jogador, Code Vein dá a opção de você jogar o game todo com um parceiro, e realmente, o jogo fica bem mais tranquilo dessa forma. Pode ser que você prefira bancar o machão e ir o jogo inteiro sozinho, mas eu não recomendaria fazer isso na primeira tentativa de terminar o jogo principalmente por causa da quantidade de inimigos que ele usa para povoar os mapas. Numa segunda tentativa, depois de ficar calejado com o jogo talvez seja uma boa, mas de primeira é a receita para você cansar do jogo logo logo.

Para não dizer que Code Vein não tem nenhuma novidade no gênero, há um detalhe que merece ser citado aqui: o jogo tem um sistema de minimapa que realmente é necessário, já que ele conta com áreas gigantescas em alguns mapas, como o da Catedral. Ao desbloquear as árvores, você mapeia parte do local onde você se encontra, e esse sistema de minimapa ajuda bastante a você não se perder e também a encontrar onde o seu corpo estava quando você morreu. Sem ele, Code Vein provavelmente seria um jogo bem maçante e enfadonho, então ponto para a equipe de desenvolvimento por ter adicionado essa característica ao jogo.

Outro ponto em que o jogo se diferencia da concorrência é nas cutscenes. Code Vein abusa delas para contar uma história que é bem legal e que muito bem poderia pintar numa versão em anime em algum momento. Algumas destas cutscenes acabam sendo bem longas, mas os momentos em que você explora as memórias dos seus colegas de time são bem interessantes.

Enfim, somado tudo isso, dá para dizer que Code Vein é um Soulsborne competente? Sim. Ainda que ele não seja nada original, já que a única coisa de nova que é adicionada ao jogo são os visuais de anime, as waifus e tudo mais que esse tipo de estética carrega, o jogo em si é um Soulsborne que cumpre bem a tentativa de emular os jogos mais clássicos do gênero. Falta um pouco de inspiração nos inimigos, mas o ritmo de jogo é bom e você vai acabar se divertindo e indo até o final do game com certa tranquilidade, ainda mais se você for um veterano do gênero.

Como nem tudo são flores, Code Vein conta com um problema que merece ser mencionado aqui: o jogo é inconsistente em salvar o seu progresso. Mais de uma vez eu tive que matar um chefe novamente porque eu fechei o jogo depois de derrotar o inimigo e ele não gravou o progresso. Ele só salva MESMO quando você senta em alguma árvore, diferente de Dark Souls, por exemplo, que salva a cada 2 ou 3 passos que você dá. E não, o jogo não salva mesmo quando você sai pelo menu dele, ele ainda avisa você vai perder o progresso não salvo, ou seja, muito cuidado para não perder progresso por causa disso.

Graficamente, a estética de anime ficou bem legal em Code Vein. O jogo conta com um sistema de personalização bem vasto, que vai ajudar você a colocar o seu rosto dentro do jogo, e diferente de outros games do gênero, você vai olhar para a sua cara em diversas cutscenes que ajudam a contar e a desenvolver a história do jogo, então isto é mais um ponto que merece o destaque.

Um ponto, entretanto, que merece ser ressaltado é que o game dá algumas engasgadas aqui e ali. Nada que realmente prejudique a jogatina, mas é bom ressaltar isso.

A trilha sonora do game, quando ela está presente, é boa, mas não existe música em boa parte dos cenários, exatamente como em outros jogos do gênero. Para completar, Code Vein conta com legendas e menus/itens em português, para quem prefere jogar o jogo desta forma.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One X fornecida pela Bandai Namco do Brasil.

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Resumo para os preguiçosos

Code Vein é um Soulsborne bastante competente, mas não tão original assim. A única grande adição que foi feita ao estilo de jogo são os visuais de anime, as waifus e tudo mais que esse tipo de estética carrega, fora isso, o jogo cumpre bem a proposta do gênero, e felizmente não tenta criar uma dificuldade artificial para se vender como o game mais difícil de todos os tempos, apresentando um ritmo bem gostoso de se jogar, mas só depois do segundo chefe. Até lá, infelizmente o jogo tem alguns problemas de excesso de dificuldade e ser meio chato mesmo.

Nota final

80
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Bom ritmo de jogo
  • Não tenta ser excessivamente difícil só para render
  • Bela estética de anime
  • Divertido

Contras

  • Quase nenhuma adição marcante e original
  • Pouca variação nos inimigos
  • Até o segundo chefe, infelizmente o jogo é um tanto maçante
Eric Arraché

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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