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Capitã Marvel – Crítica

Nesses mais de 11 anos do Universo Cinematográfico Marvel, vimos muitas histórias serem contadas, nos cativamos por personagens incríveis, nos emocionamos com momentos de sacrifício e obviamente demos boas risadas com os mais inusitados alívios cômicos. No entanto, em todo esse tempo uma história ainda faltava ser contada, a história de uma mulher.

Não é novidade para ninguém que o MCU é realmente carente de personagens femininas, embora tenhamos a Viúva Negra, a Feiticeira Escarlate e a Gamora, elas sempre foram tratadas com personagens secundárias e nunca tiveram o destaque que mereciam. Capitã Marvel vem para resolver isso, mas não só para ser o primeiro filme solo de uma heroína, mas para apresentar a mais forte heroína desse universo, que possui o privilegio de carregar MARVEL no seu nome. A responsabilidade desse papel foi entregue à Brie Larson, atriz que ficou mais conhecida após ganhar o Oscar pelo seu excelente trabalho em O Quarto de Jack.

Sem entrar em muitos detalhes para evitar spoilers, Capitã Marvel conta a história de Vers ou Carol Danvers, uma integrante da Starforce, uma força de ataque especial dos Kree, raça alienígena que trava uma longa guerra contra os Skrulls, outra raça que possui a capacidade de mudar a sua aparência.

Danvers constantemente tem flashes do seu passado, sobre um vida que aparentemente ela teve, mas que não possui as memórias completas. Após uma missão dar errado, Carol acaba caindo na Terra em plena década de 90, onde as suas memórias ficam cada vez mais vividas e ela encontrará quem realmente é.

Vale observar que todo o começo do primeiro ato é realmente bem lento, já que o proposito inicial do roteiro é mais explicar o conflito Kree-Skrull, do que apresentar a personagem principal. Isso deixa as coisas um pouco entediantes, mas quando finalmente saímos do espaço e chagamos na Terra, tanto o filme, como a própria Capitã Marvel, começam a ganhar força.

Logo de cara um dos pontos altos do filme são as interações entre Carol e Nick Fury, estabelecendo quase que uma relação de buddy cop, tão comum nos filmes policiais das décadas de 80 e 90. Samuel L. Jackson nunca esteve tão confortável nesse papel, apresentando um Fury bem mais despojado, sem toda aquela responsabilidade de líder da S.H.I.E.L.D.e entregando uma atuação que rouba a cena do começou ao fim. Vale salientar também que o trabalho de rejuvenescimento digital do ator é simplesmente impecável, fazendo muitas vezes você se perguntar se ele realmente tem 70 anos.

Este mesmo carisma também é visto na relação da Capitã Marvel com Maria Rambeau, personagem interpretada por Lashana Lynch, que é a melhor amiga de Carol. Só que diferente das interações com Fury, aqui temos uma verdadeira relação de sororidade, onde a todo momento Rambeau deseja ajudar Carol a descobrir a verdade sobre o seu passado, enquanto Danvers mesmo com poucas memórias, sabe que aquela mulher é importante e merece a sua proteção e afeto.

Estabelecer esses dois relacionamentos logo de cara é de extrema importância para ajudar a construir a personalidade da Capitã Marvel, pois se tratando de um filme onde a personagem principal não possui todas as suas memórias é até mesmo difícil para a própria Brie Larson entregar mais emoção na sua atuação, já que nem a Capitã Marvel sabe quem ela é. Assim, a interação com esses dois personagens consegue mostrar o verdadeiro lado humano de Carol, fazendo a heroína brilhar cada vez mais.

No entanto, isso é mais mérito dos próprios atores do que do roteiro em si, que possui diversos problemas. Além de seguir a risca a conhecida fórmula Marvel, que já está bem desgastada, as constantes tentativas do longa de sempre ligar os elementos apresentados ao MCU, tiram um pouco o brilho do filme. Obviamente as conexões tinham que ser feitas, mas o foco deveria ficar bem mais na Capitã Marvel, já que é o filme de origem dela e não qualquer outro filme episódico da Marvel. Outro ponto que o roteiro peca é no vilão praticamente inexistente e na previsibilidade dos acontecimentos. Se você assistiu a meia dúzia de filmes da Marvel saberá exatamente quando ocorrerá o plot twist, quando ela cairá e quando se levantará mostrando seu verdadeiro poder

É impossível falar de Capitã Marvel e não falar de empoderamento, até porque a história de Carol Danvers é uma clara metáfora a jornada enfrentada por basicamente todas as mulheres. Carol é ensinada por uma raça aparentemente nobre a agir de uma determinada forma, deixando de lado completamente os seus sentimentos, mas através das suas memórias e instintos ela vai se libertando dessas amarras e consequentemente ficando cada vez mais poderosa. As mulheres no nosso mundo já nascem em uma sociedade patriarcal, onde é dito como elas devem agir, mas através da ajuda de outras mulheres e também dos seus próprios instintos elas se libertam dessas regras, ganhando força para serem o que quiserem.

Indo para alguns aspectos mais técnicos, as cenas de ação do filme deixam um pouco a desejar, principalmente quando envolvem CGI pesado, ficando a impressão que todo o recurso da Marvel foi destinado para Vingadores: Ultimato. O filme também não encontra o ritmo das suas lutas, tentando mesclar o épico e o cômico de uma maneira que definitivamente não funciona. Em uma cena especifica de luta é colocada uma música mais animada, tentando recriar o que James Gunn primorosamente vez em Guardiões da Galáxia, só que o resultado no filme da Capitã é apenas uma sequência totalmente deslocada. A impressão no geral é que falta uma identidade para dupla de diretores Anna Boden e Ryan Fleck.

Capitã Marvel não é um filme perfeito, mas mesmo com alguns tropeços consegue entregar tudo aquilo que prometeu. A sua maior falha é justamente a falta de ousadia em entregar mais da história de Carol Danvers, já que os curtos flashbacks deixam apenas o gostinho de querer saber mais sobre o passado dessa personagem. Já o seu maior mérito está na sua personalidade, que vai sendo construída a partir das interações com os demais personagens, tornando Carol Davers cada vez mais inspiradora. E no final ela está literalmente brilhando, mostrando não só que é a heroína mais forte desse universo, como não precisa provar nada para ninguém.

João Victor Albuquerque

Formado em Sistemas de Informação, que no final da faculdade resolveu se meter nesse mundo do jornalismo. Apaixonado por joguinhos, filmes e sempre atrasado com as séries. O segundo Blizzardboy do Critical Hits.

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