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Bloodstained: Ritual of the Night – Review

Koji Igarashi é conhecido no mundo dos games por ser um dos pais do gênero Metroidvania (no caso pelo vania do nome) graças às suas verdadeiras obras-primas dentro do universo de Castlevania. Após sair da Konami e tentar vender suas ideias para uma série de publishers que achavam que o gênero não era viável nos dias de hoje, ele recorreu à comunidade para financiar a prova de que elas estavam completamente erradas em Bloodstained: Ritual of the Night. Quem será que estava certo no fim das contas, Koji ou os engravatados?

Em Bloodstained: Ritual of the Night, você controla Miriam, uma órfã cujo corpo foi amaldiçoado por um alquimista. Graças a essa maldição, que um dia vai cristalizar completamente o corpo dela, ela consegue absorver as almas de monstros e usar os poderes dela, e ela deve absorver o máximo de monstros que ela conseguir aguentar para se fortalecer e derrotar Gebel, outra criação dos alquimistas que quer destruir o mundo.

Logo de cara, você percebe que Bloodstained: Ritual of the Night tem todas as características de um jogo do gênero Metroidvania, e se você jogou Castlevania: Arya of Sorrow e Dawn of Sorrow (respectivamente de GBA e Nintendo DS), você logo vai se sentir em casa e notar as referências que Bloodstained traz a estes jogos.

Como de costume, você está num castelo e deve explorá-lo, matar monstros, adquirir novas habilidades, voltar a locais inalcançáveis anteriormente e repetir até chegar ao chefão final. Não há grandes originalidades e adições à fórmula, e isso não chega a ser um grande problema, porque o refinamento de Bloodstained: Ritual of the Night é tanto que você percebe com poucos minutos de jogo que você está jogando um game especial de bom.

Mesmo não tendo por objetivo revolucionar o gênero, Bloodstained: Ritual of the Night traz algumas adições bem interessantes em cenários que rotacionam, objetos que podem ser conduzidos e coisas do tipo, além de uma gama bem interessante de inimigos e de chefes em cada uma das variadas áreas do jogo.

Para combater todas essas ameaças, Miriam conta com um arsenal bem interessante de técnicas e de armas. Como em outros jogos da franquia Castlevania, você pode equipar espadas, lanças, machados, chicotes, katanas, facas, botas (sim, para meter aquele chutão) e até mesmo pistolas para despachar as ameaças. Cada tipo de armamento conta com suas vantagens e desvantagens, como demora para atacar, alcance da arma e assim por diante.

Juntamente com as armas de ataque físicos, você ainda conta com magias, que são obtidas dos cristais que os inimigos deixam aleatoriamente conforme você mata eles. Algumas técnicas são magias de ataque, outras magias de suporte (inclusive as passivas que aumentam certos atributos da personagem), e outras magias que servem para facilitar a sua vida na hora de navegar pelo cenário, exatamente como Arya e Dawn of Sorrow funcionavam.

Além de armas e magias, Miriam ainda conta com a ajuda de outros personagens durante o jogo, seja vendendo itens, seja da própria guilda de alquimia transmutando armas e comidas para ela ficar cada vez mais forte.

Esta mecânica de alquimias é uma das adições que o jogo fez em relação aos trabalhos anteriores de Igarashi. Aqui, você vai coletando materiais deixados pelos inimigos e encontrados em baús do jogo para criar novas armas, equipamentos e poções, afinal, nem sempre você encontra a arma que quer nos inimigos, e elas costumam ser bem caras na loja da igreja.

Além de armas, a guilda de alquimia ainda pode transmutar comidas, que funcionam de uma maneira bem interessante no jogo. Ao consumir uma comida pela primeira vez, os status de Miriam são aumentados permanentemente, dessa forma, você é incentivado a ir coletando cada vez mais receitas e comprando ou adquirindo ingredientes para dar aquela melhorada nos status da personagem de outra forma além de ir subindo o nível dela e encontrando equipamentos melhores.

Outra forma ainda de melhorar o seu personagem é cumprindo contratos de recompensa, que funcionam naquele esquema de matar X inimigos, falar com o NPC novamente e receber o item que ela estava oferecendo inicialmente. Para completar, ainda há uma biblioteca em que você pega livros emprestados que aumentam certos atributos da personagem, como força, resistência a veneno e assim por diante.

Como podemos ver acima, o jogo apresenta uma série de sistemas complexos para criar uma experiência Metroidvania super completa e extremamente bem amarrada. O jogo realmente te prende por horas e horas procurando por todos os detalhes do cenário, enfrentando inimigos para adquirir as habilidades deles e assim por diante. É realmente impressionante o nível de refinamento e de como Igarashi e a 505 Games se empenharam para entregar uma das melhores experiências de Metroidvania já concebidas.

O único problema do jogo que nós encontramos durante a análise é o fato de que ele talvez precise passar por algumas atualizações de otimização nas semanas após o lançamento dele, já que até mesmo no Xbox One X há momentos em que o jogo sofre de slowdowns, principalmente quando a tela enche de inimigos. O motivo disso é a escolha da equipe de desenvolvimento em ter feito o jogo completamente poligonal.

No tempo que eu joguei Bloodstained, eu testei tanto a versão de Xbox One quanto a de Xbox One X, e há problemas de slowdowns em ambas as duas versões. Como é de se esperar, os carregamentos da versão de Xbox One normal são mais demorados, e como as áreas do jogo não são tão grandes assim, prepare-se para uma série de telas de carregamento.

Outro detalhe que me incomodou um pouco foi o fato de que a Miriam anda devagar demais, o que acaba fazendo que o deslocamento entre áreas (ainda mais se você salvou no hub inicial do jogo) acabe sendo bem mais lento do que eu gostaria que fosse.

Graficamente, Bloodstained é muito mais bonito do que eu imaginava que o jogo seria quando ele teve suas telas iniciais reveladas. As texturas são bonitas, há belos efeitos de iluminação a apesar dos modelos dos personagens não serem super detalhados, eles acabam casando bem com o estilo de arte do jogo. Outro ponto fortíssimo do jogo também é a trilha sonora dele, que conta com melodias que realmente vão empolgar você durante os combates.

Vale ressaltar ainda que mesmo sendo uma produção independente, Bloodstained: Ritual of the Night conta com legendas e menus em português, além de dublagem e menus em japonês e em inglês.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One comprada pelo autor da postagem.

Resumo para os preguiçosos

Bloodstained: Ritual of the Night é a prova de que Koji Igarashi é um dos mestres do gênero e facilmente um dos melhores jogos do ano. O game traz o que há de melhor no mundo dos Metroidvanias com inovações pontuais que adicionam ainda mais profundidade ao título. O único problema do game é a otimização dele, que ainda precisa ser melhorada e o excesso de telas de carregamento, mas nenhum dos dois chega a incomodar tanto assim. Mais do que recomendado.

Nota final

90
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Extremamente divertido
  • Um dos melhores jogos do gênero
  • Trilha sonora matadora

Contras

  • O jogo precisa ser melhor otimizado, até mesmo na versão de Xbox One X há slowdowns
  • Muitas telas de carregamento e deslocamento lento do personagem entre os cenários
Eric Arraché

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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