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Blair Witch – Review

No final da década de 90 o mundo foi consagrado com o lançamento de A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project), filme que tras a história de três jovens que decidem rodar um documentário na floresta Blackhill em Burkittsville no estado americano de Maryland, atrás de uma lenda local da Bruxa de Blair que assombra a floresta.

Apesar de na época o gênero conhecido como Foud Footage não ser novidade, o longa veio para definir as bases dessa categoria de filmes e se consagrar como um dos melhores filmes de terror da história, além de mostrar que não é necessário um orçamento exorbitante para fazer um filme decente.

Na ultima década inteira, jogos de terror ganharam um grande destaque no meio gamer, trazendo uma nova opção de desafio. E esse gênero veio para ficar! Não faltaram grandes surpresas como Outlast, Amnesia, o oportuno Slanderman, entre outros que ajudaram a definir (ou redefinir) o rumo dessa parcela da indústria, hoje em dia essencial para nós Gamers.

No passado já houve outro jogo baseado na franquia da Bruxa de Blair. É o caso da trilogia feita pela extinta Terminal Reality, spin off do excelente Nocturne, mas até os dias de hoje não havia ainda um jogo que passasse a sensação do terror vivido pelos protagonistas dos filmes da série de filmes. Esse desafio enfim foi abraçado pela polonesa Bloober Team.

O estúdio que já nos trouxe o ótimo Layers of Fear trabalhou junto com a produtora Lionsgate Films para dar vida ao jogo. Não me faltaram suspeitas desde as primeiras notícias, principalmente sabendo que o jogo se passa algum tempo após o desaparecimento dos três jovens protagonistas.

Em todos os filmes acompanhamos a agonia dos personagens lidando com a obscuridade do ocultismo presente na floresta, o eterno looping que a maldição os coloca e o sempre trágico fim que os aguarda em uma velha casa no meio da floresta, mas ainda assim nunca soubemos de fato o que ocorre na cabeça dessas pessoas, e como a maldição da bruxa influencia a mente dos personagens. Em The Blair Witch finalmente tivemos essa oportunidade, e o resultado foi final foi excelente.

Em algum momento de 1999, algum tempo após os acontecimentos do primeiro filme, um garoto se perde na floresta e logo uma busca começa. Nosso personagem Elly Lynch, um policial do condado afastado por problemas psicológicos é convidado a participar das buscas pela floresta acompanhado de seu fiel cão Bullet. Desde o começo do jogo existe um clima de tensão crescente tão especial, que faz você sentir que a qualquer momento algo vai dar muito errado, e o momento de transição aonde a maldição da bruxa começa seu efeito no personagem é muito claro.

Existem diversos nós soltos que ao decorrer do jogo vão se amarrando, e nesse ponto a história é muito bem construída e por mais que as vezes pareça confusa, os nós se amarram e aonde ainda ficam brechas o ponto fica aberto para as melhores teorias possíveis, ponto alto da franquia que criou um universo temático assustador aonde o ciclo nunca se fecha, e nesse ponto o jogo cai como uma luva.

Fazer jogos de horror não é tarefa fácil, ainda mais narrando do ponto de vista de alguém indefeso contra o sobrenatural. Não há aonde se esconder, não há para onde correr. Mais difícil ainda é abraçar essa causa e traduzi-la para os games usando o nome de uma franquia que apresenta uma das lendas mais macabras da indústria cinematográfica. No filme já sabemos que a bruxa tem poderes de manipular o espaço e o tempo, prendendo suas vítimas em um loop infernal, alterando a percepção do tempo fazendo noites durarem muito mais do que deveriam, do espaço faendo com que os personagens sempre se percam e até mesmo viagens no tempo.

Todos esses elementos foram transportados das telas do cinema para o jogo, alguns mais bem feitos, outros menos. A manipulação do espaço tempo utilizando sua câmera não faz muito sentido dentro do universo da história em si, mas nada que acabe de vez com o jogo, além de adicionar alguns puzzles interessantes. A mecânica é inteligente, admito.

Um ponto suspeito no jogo em sua divulgação foi o fato que você é acompanhado por um cão. Esse tipo de companion sempre causa confusão e desconfiança no meio gamer, em partes por conta do medo da morte do bichinho, em outro lado pela dificuldade em acertar a mecânica da inteligência artificial. Pois bem, você vai dar graças por ter um cão com você no meio de uma noite escura em uma floresta mal assombrada.

Mesmo que algumas vezes a mecânica apresente alguns bugs, a companhia de Bullet é essencial para achar coisas no meio de uma floresta tão densa e manter sob controle o nível de ansiedade do personagem do jogo (e do jogador também), além de apresentar alguns dos momentos mais marcantes de todo o jogo, totalmente essencial para complemento da história como um todo. As ações mais utilizadas do jogo são comandos para seu cão farejar algo e também para ficar próximo de você. Alguns dos outros comandos eu nem ao menos cheguei a utilizar durante o jogo inteiro.

Por mais que não atrapalhem em absolutamente nada, os comandos extras como dar bronca ou fazer carinho influenciam diretamente no final do jogo. Há também alguns biscoitos que você carrega para dar para o cão durante o jogo. Não faço a menor ideia para que eles servem, mas quem não gosta de agradar um bichano…

Um ponto não ignorado porém com pouco destaque é o uso da câmera. Tive medo do jogo seguir um ritmo a la Outlast. Não é exatamente o tipo de coisa que você espera ver nesse tipo de temática (não mais pelo menos). O uso desse utensílio é essencial em alguns momentos do jogo, mas ele pode ser deixado de lado na maior parte do jogo. No fim nada que atrapalhe a jogatina, mas por se tratar do item mais essencial da trilogia, a câmera talvez devesse ter um pouco mais de destaque inteligente. Outro utensílio presente no jogo é seu celular, tão útil quanto encontrar sinal na floresta.

Por fim o ponto mais alto do jogo: a floresta. Sim, acertaram em cheio no ponto mais essencial da temática: estar perdido. E você realmente ganha essa impressão o tempo todo. Por vezes se torna cansativo e até mesmo um pouco exagerado, mas é um jogo EXATAMENTE sobre isso. Você dará voltas e voltas até achar o objetivo e enfim avançar na história, mas não culpe o jogo. É exatamente essa sensação que procurava quando fui atrás do jogo.

Essa é a melhor forma de traduzir o filme para um game, e o restante fica a cargo do belo e denso gráfico do jogo. Além desse grande ponto, também há o fator que pela primeira vez estamos DENTRO da cabeça de uma vítima da Bruxa de Blair e podemos entender como o poder da maldição enfim atua nas entranhas dos que vagam pela floresta Blackhill, uma jornada que geralmente não tem volta.

Enfim, com um ótimo enredo e uma mecânica interessante The Blair Witch se provou como uma grande surpresa e um dos melhores jogos de terror do ano. A mecânica por mais que apresente alguns bugs não atrapalham. Alguns pontos presentes nos filmes como Coffin Rock, local de um ritual macabro no séc. IX. Porém todo o resto esta lá, incluindo a temida casa no meio da floresta (que aliás protagozina uma das partes mais aterrorizantes de todo o jogo). Por mais que alguns momentos pareçam exagerados demais, no final se tornam justificáveis, e se não, são altamente perdoáveis. No final das contas, já posso indicar um bom jogo baseado em um filme.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PC comprada pelo avaliador.

Resumo para os preguiçosos

Blair Witch vai te colocar de corpo e alma na floresta de Black Hill. Sem apelar para jump scares o jogo reproduziu com bastante competência a atmosfera do filme. Sem abusar do uso da câmera, com mecânicas interessantes e um companion que funciona, Blair Witch ganhou facilmente destaque em um dos melhores jogos de horror do ano.

Nota final

80
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Mecânica interessante e inteligente
  • Bom uso de um companion
  • Não apela para sustos desnecessários e scare jumps

Contras

  • Alguns bugs durante o gameplay
  • Gráficos suspeitos em relação à apresentação na E3
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Tags: Blair Witch

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