Assassin’s Creed: Black Flag é tido como um dos melhores jogos da franquia Assassin’s Creed, e para alguns é o melhor, o que torna a decisão da Ubisoft em fazer um remake desse jogo ainda mais surpreendente. Mas será que Assassin’s Creed: Black Flag Resynced é um jogo que se faz necessário ou em time que já ganhou a gente não precisava ter mexido?

Em Assassin’s Creed: Black Flag Resynced, você conhece a história de Edward Kenway, um pirata que atua nos mares do Caribe, e que não é exatamente um assassino, apesar de envolver-se na eterna guerra entre Templários e Assassinos já no começo do jogo ao acabar matando um assassino que estava para trair a ordem e roubar sua identidade.
Durante boa parte do jogo, e principalmente da campanha, você passa mais tempo com Edward correndo atrás dos próprios interesses do que realmente combatendo a ordem dos Templários e ajudando os Assassinos, e a história do jogo original está basicamente intocada aqui, apesar do remake ter removido as sequências no presente (que sinceramente não ajudavam em muita coisa).
Caso você nunca tenha jogado esse jogo e está jogando ele pela primeira vez, o que você precisa saber aqui é que esse é um jogo de pirata que por acaso é um Assassin’s Creed também. Os sistemas dos primeiros jogos da franquia seguem intocados aqui, ou seja, você consegue eliminar qualquer inimigo com a furtividade e a lâmina oculta, é possível misturar-se na multidão, subornar brigões pra te ajudarem em situações difíceis, andar no meio de dançarinas para se esconder e usar o parkour para mover-se rapidamente pelas cidades do jogo.
O que mudou mesmo do jogo clássico para esse é o sistema de combate. Apesar de não adotar o sistema de níveis dos Assassin’s Creed recentes, o combate passou a funcionar como o dos jogos modernos, com ataque no R1, aparo no L1, barras de postura e vida, mas sem a dificuldade ir aumentando artificialmente com níveis entre cada uma das áreas do jogo, o que é muito bom e acaba facilitando um monte o combate do jogo, já que você basicamente consegue eliminar qualquer inimigo se pegar os timings dos aparos corretamente. Aliás, isso é algo que pode até acabar virando uma reclamação entre os jogadores, já que o combate em terra do jogo é realmente bem fácil, e dá para você derrubar 7-8 inimigos de uma vez sem grandes dificuldades.
Outra mudança é que missões com stealth obrigatório não existem mais (graças a Deus), e se você acabar quebrando o stealth em alguma delas, precisará apenas enfrentar alguma batalha contra uma tonelada de inimigos, mas como o combate acabou ficando bem mais fácil, isso acaba nem sendo um grande problema no fim das contas.
O combate marítimo do jogo segue bastante semelhante ao que eu lembro do combate original e também de Assassin’s Creed Odyssey ser, e sinceramente falando não havia necessiade de mudar. Você precisa mirar com os canhões, abre brechas nas náus adversárias, explode os alvos que aparecem nelas e depois de remover vida o suficiente invade os navios para tomá-los, afundá-los e saqueá-los, mas dependendo do navio adversário, você terá que fazer os upgrades necessários, e aqui está o grande problema desse jogo ao meu ver: custa pra caramba pra fazer as melhoras do Gralha, o barco de Edward Kenway: e há uma missão em específico onde o jogo espera que você tenha feito upgrades substanciais nele para conseguir ter alguma chance de vencer.
Caso você jogue apenas a campanha, se desviando apenas para fazer algumas missões aqui e ali, você vai acabar sendo surpreendido por essa missão, e vai acabar sendo obrigado a parar tudo o que você tá fazendo para ir grindar por recursos para fazer essas melhorias, já que o jogo não tem um aplicativo companheiro, como no original, para você ficar mandando os navios da Frota Kenway para explorar o mundo e ir ganhando dinheiro de maneira passiva, e essa no fim das contas é a minha única grande reclamação com o jogo com ele colocando uma grande barreira artificial para o último quarto de main quest dele.
No mais, Assassin’s Creed: Black Flag Resynced é um ótimo jogo, com personagens carismáticos, um mundo cheio de atividades para você explorar, uma boa história que foge completamente da moralidade de “Assassinos são bonzinhos e Templários são do mal” de jogos anteriores e que mostra como a franquia já teve uma gameplay muito mais solta e não tão inchada quanto a de alguns dos jogos mais recentes da franquia.
Ao jogar esse jogo, eu entendi perfeitamente o que me incomoda nos Assassin’s Creed novos: eles parecem uma coleção de mini campanhas que juntas formam uma grande campanha do jogo, com personagens que você conhece por algumas horas e nunca mais vê depois, ao invés de ir desenvolvendo os mesmos personagens ao longo de várias horas como em Assassin’s Creed: Black Flag Resynced. Aqui você tem diferentes piratas com seus objetivos e vai evoluindo a história de cada um paralelamente, com seus desfechos acontecendo ao longo da campanha e seus destinos se interlaçando, num resultado que acaba sendo muito mais satisfatório do que nos jogos mais recentes.
Antes de falar dos gráficos e da trilha sonora, é importante ressaltar que o jogo conta com alguns bugs, como parkour falhando, peixes nadando acima do mar, eventos não iniciando no momento correto e outras coisas como NPCs andando em círculos as vezes ou perdendo suas rotas e a IA dos inimigos não agindo quando deveriam. Nada que chegue a quebrar o jogo completamente, mas às vezes um bug que outro acontece e nos lembra dos bons e velhos tempos de Assassin’s Creed clássico também.
Graficamente, Assassin’s Creed: Black Flag Resynced é um belo jogo com belíssimas paisagens, cenários, modelos de personagem, mar e tudo mais. Esse jogo deve ser tranquilamente o Assassin’s Creed mais bonito até hoje, com um pequeno porém: por algum motivo, eu achei a barba do Edward Kenway muito mal feita no PS5 no modo desempenho. Fora isso, o jogo é realmente muito bonito, mas os cabelos dele, principalmente no rosto ficaram realmente muito ruins. Por fim, a trilha sonora do jogo também é boa e o jogo conta com legendas e dublagem em português, que ficaram boas.
Mas e aí, Assassin’s Creed: Black Flag Resynced vale a pena?
Assassin’s Creed: Black Flag Resynced continua sendo um excelente jogo, assim como o seu antecessor era. Honestamente eu não sei dizer se é um remake desnecessário pois ele definitivamete melhora algumas coisas do original, como as missões chatas de stealth que ele tinha, mas piora outras, como o grind de recursos para melhorar o Gralha, barco de Edward. No fim das contas, sempre é bom rejogar um jogo bom, ainda mais numa nova e mais bonita versão, então sim, Assassin’s Creed: Black Flag Resynced vale a pena.
Análise elaborada com uma cópia do jogo para PS5 forencida pela publisher.
Resumo para Preguiçosos
Assassin’s Creed: Black Flag Resynced traz de volta a jornada de Edward Kenway em uma nova versão que mantém a essência do clássico, preservando a história de piratas no Caribe e a mistura entre exploração, furtividade e conflitos entre Assassinos e Templários. O remake remove as sequências no presente, reformula o combate com mecânicas mais próximas dos jogos modernos da franquia e elimina missões de stealth obrigatório, tornando a experiência mais fluida. O combate naval segue bastante fiel ao original, mas a necessidade de juntar muitos recursos para melhorar o Gralha acaba criando momentos de grind obrigatório durante a campanha.
Mesmo com alguns problemas, Assassin’s Creed: Black Flag Resynced continua sendo uma ótima experiência graças aos personagens carismáticos, ao mundo cheio de atividades e à narrativa que desenvolve melhor seus protagonistas ao longo da aventura. O remake apresenta gráficos aprimorados, belos cenários, dublagem em português e melhorias importantes de gameplay, mostrando que revisitar a aventura de Edward Kenway ainda vale a pena nesta nova versão.
Prós
- Belos gráficos
- Ótima história e personagens muito carismáticos
- O modo com o barco continua sendo bem divertido
- Boa quantidade de atividades secundárias sem fazer o mundo do jogo parecer inchado
Contras
- Grind desnecessário por recursos para avançar na campanha num ponto em específico
- Alguns bugs como IA falhando, eventos não acontecendo e peixes nadando fora da água







