Desenvolvido pelo Estúdio Prisma, Another Eden Begins é um remake de Another Eden, um jogo mobile que também ganhou uma versão para PC. Ao mesmo tempo que ele mantém a mesma base de história do original, seus sistemas foram modificados o suficiente para transformá-lo em um RPG mais tradicional.
Mas será que isso é suficiente para fazer do jogo uma experiência que vale a pena? Com uma chave fornecida pela Wright Flyer Studios, pudemos conferir a versão do jogo para o Nintendo Switch 2, que despertou tanto elogios quanto alguns questionamentos sobre decisões criativas.
Ao mesmo tempo que Another Eden Begins é um jogo prazeroso do ponto de vista mecânico, escolhas narrativas fazem com que sua história sobre viagem no tempo seja um tanto estranha. No final de tudo, temos um RPG sem dúvida divertido, mas que não vai ficar marcado entre os grandes do gênero.
Another Eden Begins conta várias histórias dentro de uma
Logo no começo do jogo somos introduzidos ao protagonista, o jovem Aldo. Junto com sua irmã, Feinne, ele desperta a atenção do Beast King. No entanto, a criatura deixa que ambos sejam criados em um vilarejo pacífico durante 16 anos, somente para reaparecer e causar grande tumulto.
Nesse momento, Aldo descobre que, com a ajuda de alguns gatos, consegue entrar em portais misteriosos que o levam para diferentes momentos do tempo. Enquanto isso gera confusão em um primeiro momento, logo o personagem descobre que essa é uma vantagem diante de uma forma misteriosa que está reescrevendo a história.
Enquanto parte de Another Eden Begins é sobre a história de Aldo, outra parte igualmente grande é formada pelas narrativas únicas dos companheiros que encontramos. Cada um deles tem motivos diferentes para se unir ao protagonista, com direito a antagonistas e visões de mundo própria.
Infelizmente, o jogo se diferencia de tantas outras experiências que já fizeram isso por motivos um tanto negativos. Em diversos momentos, a narrativa se mostra bastante apressada e revela traumas pessoais de personagens e conflitos com inimigos que simplesmente não têm momento para respirar.
Um exemplo disso acontece logo no início da aventura, quando somos levados ao futuro. Por lá, encontramos uma companheira que mal aprendemos o nome, já está revelando traumas do passado e segredos íntimos. E a resolução de seus problemas envolve enfrentar um grande vilão que, mal somos introduzidos a ele, já estamos em meio a uma grande batalha.
Tudo isso podia funcionar bem se Another Eden Begins tomasse o tempo necessário para desenvolver essas situações e nos fazer se importar. Do jeito que o jogo é, no entanto, sua história parece muitas vezes uma corrida para introduzir novos personagens, resolver seus conflitos e partir para o próximo recruta.
A exceção a essa regra é a história de Aldo e Feinne, que é trabalhada de forma mais cuidadosa e cadenciada. E, justamente por isso, fica evidente que o título em si poderia ter uma história com maior qualidade geral, caso os roteiristas tivessem dado espaço para os personagens secundários respirarem.
Mecânicas que funcionam, com alguns poréns
Enquanto a narrativa de Another Eden Begins nem sempre é seu ponto forte, o sistema de combate é bastante agradável. Ele se baseia no uso de habilidades especiais que, se conseguem explorar fraquezas de inimigos, geram combinações entre os membros de sua equipe que ativam automaticamente golpes automáticos.
Tudo pode parecer um pouco complicado a partir dessa descrição, mas a experiência de ativar combos entre os personagens fica natural com o passar do tempo. E muito disso é resultado do fato de que o título é bastante generoso com seus pontos de magia, então raramente você vai ficar sem eles.
Em geral, quando a reserva está próxima de acabar, seus personagens sobem de nível, o que recupera totalmente suas reservas. E, ao contrário de outros RPGs, Another Eden Begins não tem itens de cura ou permite usar curas fora das batalhas, o que faz com que participar delas seja essencial.
A exceção são os acampamentos, onde é possível consumir alguns alimentos especiais que são comprados nas cidades. Eles ativam automaticamente bônus de vida, ataque ou defesa, que são ativados automaticamente durante uma quantidade limitada de turnos.
Esses espaços também permitem dar presentes para companheiros para aumentar a intimidade com eles e, com isso, aprimorar sinergias durante batalha. No entanto, esse é um ponto um tanto estranho de Another Eden Begins. Não raras vezes, os presentes dados não resultam em nenhum ponto adicional de afinidade, e as diferentes que o uso do sistema traz para batalhas foi quase imperceptível.
Another Eden Begins podia ter mais desafio
Há dois momentos nos quais as mecânicas de Another Eden Begins realmente revelam seu brilho. O primeiro deles é no encontro com inimigos únicos poderosos, que trazem mais resistência e dano e, justamente por isso, exigem que o jogador fique mais atento a habilidades de cura ou que reforçam seus status.
Essas batalhas são importantes tanto porque dão muitos pontos de experiência quanto pode destravar broches ligados a esses inimigos. Eles são alguns dois equipamentos mais importantes do jogo e reforçam forças elementais, curam pontos de magia a cada turno ou potencializam habilidades específicas.
Já o outro momento de Another Eden Begins que exige entender a mecânica de combos são as batalhas contra chefes. É nelas que você realmente vai conseguir fazer grandes combinações de golpes entre seus personagens e onde usar poderes que minam resistências de inimigos faz mais sentido.
No entanto, a não ser que você seja totalmente descuidado, o jogo raramente apresenta algum momento desafiador. E isso é um tanto decepcionante, já que estimula “jogar no automático” boa parte do tempo. Contanto que você limpe os mapas lineares e faça upgrades em cada cidade que chega, dá para ir do começo ao fim da aventura com grande tranquilidade, mesmo se desviando para explorar desafios opcionais.
Mas e aí, Another Eden Begins vale a pena?
Apesar de a história de Another Eden Begins nunca se acertar completamente e o jogo pecar em seu nível de desafio, jogá-lo não é uma experiência desagradável. Ele inclusive é ótimo no Switch 2 como um complemento para algum programa esportivo ou série que não demande tanta atenção assim.
No entanto, é bom segurar suas expectativas e não esperar encontrar aqui uma experiência revolucionária. O título do Estúdio Prisma é bom dentro do que se propõe, mas nada além disso. Mas, de vez em quando, isso é tudo de que precisamos para lidar com um dia chuvoso ou um fim de semana sem grandes compromissos.
Jogamos Another Eden Begins no Nintendo Switch 2 com uma chave fornecida pela publicadora.
Resumo para Preguiçosos
Another Eden Begins é um remake do RPG mobile Another Eden desenvolvido pelo Estúdio Prisma, trazendo a mesma base narrativa do original, mas com mudanças suficientes para se aproximar de um RPG tradicional. A aventura acompanha Aldo e sua irmã Feinne em uma história envolvendo viagem no tempo e uma força misteriosa que está reescrevendo a história. Embora a trama de Aldo e Feinne seja bem desenvolvida, as histórias dos personagens secundários são prejudicadas pelo ritmo acelerado, que introduz traumas, vilões e conflitos sem dar tempo para que essas situações sejam aprofundadas.
O combate é um dos pontos mais fortes de Another Eden Begins, com habilidades que exploram fraquezas e permitem criar combos entre os integrantes da equipe. Acampamentos também oferecem recursos como alimentos e presentes que aumentam a afinidade, embora esse sistema nem sempre funcione de maneira clara. Os confrontos contra inimigos poderosos e chefes são os momentos em que as mecânicas realmente brilham, mas a aventura como um todo oferece pouco desafio e pode ser concluída com relativa facilidade. No fim, Another Eden Begins entrega um RPG divertido mecanicamente, mas sua narrativa apressada e a baixa dificuldade impedem que o jogo se destaque entre os grandes do gênero.
Prós
- Um bom sistema de combates baseado em combos de habilidade
- Alguns personagens secundários têm bom design e boa construção
- Sistema que estimula participar de combates e a exploração
- Bom desempenho no Nintendo Switch 2
Contras
- Muitas narrativas são apressadas e parecem forçadas
- Falta desafio mesmo em inimigos opcionais ou chefes
- Demora um pouco até que a história principal realmente engate
- Nada de tradução para o português









