Angry Birds: O Filme – Review

Angry Birds é um dos jogos mais famosos da atualidade. Lançado no final de 2009, o game chegou a todas as plataformas mobile, PC, consoles e browser, foi baixado bilhões de vezes, recebeu diversos spin-offs, uma sequência, brinquedos, pelúcias, um desenho e finalmente um filme! E é aí que vem a preocupação. Todos conhecem a maldição dos filmes baseados em jogos, que costumam ir de ruins para coisas que os fãs evitam pensar sobre e buscam esquecer (leia Super Mario Bros.), então como será que a Rovio Entertainment, que já obteve sucesso em tudo o que fez, evitará que seu filme sucumba a esta mesma maldição? Adaptando seu jogo quase completamente nas telonas.

Angry Birds: O Filme conta a história de Red (Marcelo Adnet), um pássaro que tem sérias crises de raiva. Ele vive em uma ilha cheia de pássaros que não voam pois acreditam que sua ilha é tudo o que há no mundo e se não há pra onde ir, não há razão para voar. Devido a seu pavio curto, Red vive afastado de todos, e se sente bem com isso, mas após alguns deslizes ele é mandado para fazer terapia contra raiva e é obrigado a socializar. Lá que ele conhece o pássaro veloz Chuck (Fábio Porchat), o explosivo Bomba (Mauro Ramos), a “relax” Matilda (Dani Calabresa) e o grande e misterioso Terêncio. Todos estes são pássaros dos jogos e têm humores bem diferentes, mas que condizem com suas habilidades e a forma como foram concebidos pela Rovio.

Num belo dia, um navio tripulado por porcos verdes atraca na ilha dos pássaros e enquanto todos ficam maravilhados com o que os seres desconhecidos podem fazer, apenas Red desconfia de suas reais intenções. Os porcos, que têm como líder Leonardo (Guilherme Briggs), promovem festas, shows e mais uma dezena de atividades para deixar os pássaros entretidos enquanto fazem o que todos os jogadores de Angry Birds sabem que eles fazem: roubar os ovos.

Vamos parar por aqui para evitar spoilers, mas só com esse trecho da história já podemos perceber como a Rovio conseguiu usar a premissa extremamente superficial do jogo e aprofundá-la de um jeito bem divertido, com motivos para os porcos roubarem os ovos e para todos os pássaros serem bravos. É um enredo que agrada, não busca ser nada avassalador, apenas uma adaptação justa e divertida, ele consegue satisfazer qualquer um que assista, mesmo sendo um filme voltado para o público infantil.

Com pássaros com diferentes características e personalidades ficou mais fácil para o roteirista Jon Vitti introduzir humor de várias formas, desde aquele personagem bobo que repete sempre a mesma frase, até piadas muito bem boladas, com um bom timing e diversas referências. Por causa desse humor, o filme é sempre descontraído e faz do simples ato de assisti-lo uma experiência muito prazerosa, principalmente se você estiver acompanhado de uma criança.

O filme faz diversas referências fáceis de pegar, seja para seus próprios jogos com estilingues gigantes, lembrando dos diversos mundos com figurinos diferentes e apresentando os carros mirabolantes de Angry Birds Go!; seja para filmes e séries que somente serão reconhecidos pelo público mais velho, como a clara referência a “O Iluminado”.

Os diferentes poderes dos pássaros também são muito legais de se ver no filme, que consegue se esquivar muito bem do fato de Red não ter poder algum – coisa que quem não jogou nenhum game da franquia não irá notar. Fiquei um pouco decepcionado por não ter visto alguns pássaros usando seus poderes, principalmente alguns que estavam entre os meus favoritos, eles poderiam ter tido um maior destaque.

Uma das coisas que mais agrada no filme é a dublagem que é de primeira linha, com frases e piadas muito bem adaptadas e a impressão de que os dubladores capturaram o momento. O elenco de dublagem que é formado por alguns nomes já famosos como Guilherme Briggs e outros da TV e do YouTube como Fábio Porchat e Marcelo Adnet merece palmas pelo ótimo trabalho.

A trilha sonora de Angry Birds: O Filme é bem animada e temos alguns momentos de cantoria que, devido à descontração, não chegam a incomodar nem mesmo quem não suporta musicais. Uma ressalva que fica é que as trilhas podiam ter sido mais originais, pois várias das que ouvimos já estão presentes em muitos outros filmes que vemos atualmente. Elas combinam muito bem com o filme e são bem animadas, mas poderiam ser mais originais.

O visual agrada bastante, é bem colorido e detalhado e a adaptação dos pássaros básicos dos jogos para versões mais “vivas” foi muito bem feita. A ação não fica pra trás e é o momento que vai deixar os fãs dos jogos mais alegres. Por mais que sejam jogos recentes, é um sentimento diferente e muito legal ver o que acontece no nosso celular acontecendo no filme em larga escala.

Angry Birds: O Filme conseguiu ser um filme baseado em jogo realmente bom, o primeiro da história de acordo com os meus cálculos. Ele entrega diversão, descontração, “nostalgia” e, assim como todos os seus jogos, é destinado a um público específico, mas agradará crianças, adultos e idosos.

Resumo para os preguiçosos

Angry Birds: O Filme é um dos primeiros filmes bons baseados em jogos. Ele é o Angry Birds que cansamos de jogar nos celulares com muito mais humor, um enredo um pouco mais detalhado e muita ação que agradará qualquer tipo de audiência. Contém várias referências de outros jogos da série e até de outros filmes e um visual muito bonito, com personagens muito bem adaptados e cheios de vida. É um filme para fãs dos jogos e para quem ainda não conhecia a franquia.

PS: Contém cena pós-créditos.

Nota final

80
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Dublagem bem feita
  • Bom humor
  • Pássaros com características bem distintas
  • Visual bonito e detalhado
  • Enredo simples, porém suficiente
  • Divertido

Contras

  • Alguns pássaros poderiam ter mostrado suas habilidades e ter ganho mais destaque
  • Trilha sonora poderia ser mais original
Rafael Oliveira

Rafael Oliveira faz análise de jogos, filmes e séries regularmente para o Critical Hits, além de postar notícias e artigos esporadicamente. Acha que Shadow of the Colossus é o melhor jogo já feito, é fanboy de Steins;Gate e tem um lugar especial no coração para Platformers, RPGs e Metroidvanias.

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